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Iaaf exalta credibilidade após dopings; ex-dirigente defende liberação de estimulantes

Tyson Gay acelera e vence uma das etapas da Liga de Diamante - REUTERS/Dylan Martinez
Tyson Gay acelera e vence uma das etapas da Liga de Diamante Imagem: REUTERS/Dylan Martinez

Do UOL, em São Paulo

15/07/2013 10h28

A repercussão dos casos de doping divulgados neste domingo, inclusive de dois astros dos 100 m rasos, Tyson Gay e Asafa Powell, gerou visões distintas no mundo do atletismo. Para a federação internacional de atletismo (Iaaf), a divulgação dos flagras mostra um aumento da credibilidade na entidade e no esporte, na caça aos trapaceadores. Outras visões pedem o aumento da punição e até a liberação de certos estimulantes, citando uma "guerra perdida" contra o doping.

Em um comunicado, a Iaaf afirmou que "o comprometimento com o antidoping no atletismo é sólido, pois temos uma obrigação ética com a maioria dos atletas que compete de forma limpa. É por eles que temos um programa bem estruturado e sofisticado".

"O fato de podermos detectar e remover do esportes atletas que usaram brechas nas regras precisa ser visto em contexto. A credibilidade do nosso programa antidoping aumenta toda vez que revelamos um novo caso e que temos o suporte de outros atletas, técnicos ou autoridades que acreditam num esporte limpo", acrescentou a nota da entidade.

Membro da agência mundial antidoping, Eduardo de Rose explicou o número elevado de casos revelado neste domingo e afirmou que é algo normal próximo a uma competição importante como o Mundial, que será disputado a partir de 10 de agosto, em Moscou, Rússia.

"Temos de pensar que vai haver um Mundial em agosto e a tendência quando tem um grande evento é dois meses antes a Wada e a Iaaf checar todos os participantes. O número maior acontece antes e não no evento, já tirando as pessoas que seriam fator de risco. Em Londres, foram apenas 8 casos de positivo, mas essa ação da Wada teve mais de 200 casos de positivos antes dos Jogos", disse ele, ao SporTV.

Mas nem todos pensam assim. É o caso de Paul Swangard, diretor de marketing da Warsaw Sports Marketing Centre, na Universidade do Oregon. "Para nosso esporte, a única chance de atingir as manchetes é assim, com publicidade negativa, e isso não pode ajudar o esporte a longo prazo. É um passo para trás", defende ele.

Doug Logan, que comandou a federação dos EUA de atletismo, é bastante cético e polêmico em suas sugestões. "Continuaremos tendo dias tristes de novo e de novo. Ao menos que repensemos tudo", disse ele, ao USA Today.

Para ele, estimulantes deveriam ser regulamentados, mas o doping mais pesado, com esteroides, hormônios de crescimento e transfusões de sangue, deveriam continuar proibidos.

"Sei que meu ponto de vista é de uma minoria, mas é a hora de fazermos mudanças e procurarmos soluções. Estamos fazendo um trabalho pobre e não estamos prevenindo jovens de usarem o que querem", complementou Logan.

O ex-atleta de Trinidad e Tobago Ato Boldon concorda. "Todo mundo está usando. A questão é quem é pego e quem não é", afirmou, ao USA Today.

Presidente da federação do Reino Unido de atletismo, Niels de Vos acredita que as suspensões devem ser mais longas, punindo com mais rigor quem é flagrado. Ele defende um mínimo de quatro anos de gancho.

"Fraude é fraude. Se essas pessoas são trapaceiras, devem enfrentar o que recair sobre elas. Queria ver a IAAF e as autoridades lhes darem o tipo de pena que já pedi no passado. Acho que banir por dois anos não é", defendeu ele, ao Telegraph.

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