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Ameaçada de extinção, onça-pintada será protegida por "coleira GPS" em MT

Onça pintada - Getty Images/iStockphoto
Onça pintada Imagem: Getty Images/iStockphoto

Marcos Candido

De Ecoa, em São Paulo (SP)

27/03/2022 06h00

Uma onça-pintada será monitorada durante um ano em Barão de Melgaço, no Pantanal mato-grossense. O objetivo da pesquisa é descobrir como o desmatamento na região, os incêndios, as chuvas e outros eventos climáticos são enfrentados pelas onças pantaneiras. O resultado deve traçar um mapa do comportamento e saber como se alimenta e se protege o maior felino das Américas. Apesar da agilidade e imponência, a espécie está na lista de animais ameaçados de extinção.

A onça Niti Caré foi a primeira escolhida para o projeto da reserva do Sesc Pantanal no município de Barão de Melgaço, em Mato Grosso. O macho com seis anos e mais de 100 kg foi examinado e teve material genético coletado antes de receber uma coleira com GPS. Segundo os pesquisadores, Niti estava em ótimo estado de saúde. Eles afirmam que o nome da onça-pintada significa "menino bonito" no tronco linguístico dos povos indígenas Bororo e Guató.

Onça foi sedada para receber colar com GPS; aparelho se solta após término da bateria programada para daqui um ano - Divulgação/SESC Pantanal - Divulgação/SESC Pantanal
Onça foi sedada para receber colar com GPS; aparelho se solta após término da bateria programada para daqui um ano
Imagem: Divulgação/SESC Pantanal

"O estudo da onça-pintada em uma área natural é importante para entender a dinâmica de toda a cadeia alimentar. A presença do felino indica se uma área é saudável e está equilibrada para se desenvolver e perpetuar", afirma Christiane Caetano, superintendente do Sesc Pantanal.

"Com o colar, será avaliado o movimento dos indivíduos de maneira mais detalhada, como são as tomadas de decisões no uso do espaço, a permanência nos locais e o motivo das mudanças feitas com mais frequência, por exemplo", acrescenta o pesquisador do Museu Nacional e coordenador do Grupo de Estudo em Vida Silvestre (GEVS), Luiz Flamarion. A onça, segundo os pesquisadores, é "laçada" pelos pés e anestesiada para evitar lesões durante a captura.

Além das coleiras, os pesquisadores vão instalar 60 câmeras iguais às que registraram Niti, totalizando 100 câmeras na região.
A área da reserva é de 108 mil hectares. Em termos técnicos, o local é uma RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). Ou seja, é uma área privada transformada oficialmente em uma unidade de conversão da União. O terreno permanece sob domínio privado, mas é um compromisso perpétuo para impedir o desmatamento. A previsão é que cinco onças-pintadas recebam os colares a partir de maio.

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