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Papo Preto #33: As origens da criminalização do funk

De Ecoa, em São Paulo

05/06/2021 06h00

O movimento funk é o maior movimento cultural do planeta, e só no Brasil ele representa 10% da população, ou 20 milhões de pessoas. O gênero musical é o segundo mais tocado em todas as plataformas, perdendo somente para o sertanejo. Mas apesar disso, é um movimento que sofre com a estigmatização, discriminação e criminalização.

Para entender o porquê disso e as origens desses problemas, Yago Rodrigues entrevista neste episódio o produtor cultural e articulador nacional do Movimento Funk Bruno Ramos, que fala sobre o papel do funk hoje para periferias e favelas. Ramos estuda o movimento e a sua estigmatização há dez anos para orientar os artistas do meio e dar respostas às indagações do movimento.

Ramos conta que virou Conselheiro Nacional da Juventude para levar até Brasília a cada dois meses as demandas do movimento funk. "Levei para um lugar cheio de códigos, classista, elitista, com linguagem distante da nossa e ali eu vi muita gente que falava em nome da juventude brasileira e poucas tinham conhecimento da minha" (a partir de 14:50 do arquivo acima).

"O funk é político, sim, mas nossa política não é partidária, mas de posicionamento. É uma resposta aos ataques que sofremos todos os dias, somos um reflexo da sociedade", explica Ramos a partir de 18:50 do arquivo acima.

O processo de criminalização do funk, segundo Ramos, começou na década de 1990. "Não é um problema que começa com o funk e nem vai acabar com ele. O que o movimento sofre é o mesmo que sofreu o samba, depois o hip hop, estamos sofrendo 100 anos de criminalização da música negra no Brasil" (a partir de 23:52 do arquivo acima).

O funk chamado "proibidão", segundo ele, é o que sofre mais críticas porque fala de armas, de criminalidade. "Mas esses meninos que cantam não estão enaltecendo o crime, estão falando da realidade do contexto que eles vivem. Se incomoda é justamente porque ninguém conhece a realidade dessas pessoas" (a partir de 42:50 do arquivo acima).

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL, coletivos e veículos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.

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