PUBLICIDADE
Topo

Mães se juntam para amparar órfãos da pandemia em Jundiaí-SP

Grupo trabalha em parceria com conselho tutelar e outras instituições da cidade - Divulgação
Grupo trabalha em parceria com conselho tutelar e outras instituições da cidade Imagem: Divulgação

Rayane Moura

Colaboração para o Ecoa, em São Paulo

20/04/2021 06h00

Entre as histórias tristes da pandemia da covid-19 estão a de crianças e adolescentes que perderam seus pais ou tutores para a doença. Há inúmeros casos de crianças que ficaram desamparadas e, com o intuito de amparar e minimizar tantas perdas, um grupo de mães da cidade de Jundiaí, interior de São Paulo, se uniu e criou o "Mães que acolhem".

"O projeto nasceu da ideia de três mães, que montaram um grupo de WhatsApp quando souberam, em 26 de março deste ano, da história de um adolescente e uma criança que perderam o pai, a mãe e a avó para a doença", conta a psicóloga Renata de Lucca Zezza, uma das fundadoras.

O "Mães que acolhem" tem como objetivo auxiliar crianças e jovens que perderam seus pais ou tutores, vítimas do coronavírus em Jundiaí, até que completem 21 anos. Essa ajuda vai desde auxílio financeiro para a família que assumir a criança ou adolescente, e todos os trâmites para a transferência de guarda, até assistência psicológica para que ele lide com a perda. Até o momento, o grupo já amparou 10 jovens.

Doações feitas para Mães que acolhem - Divulgação - Divulgação
O grupo criado por mães quer garantir assistência aos órfãos da pandemia até que tenham 21 anos
Imagem: Divulgação

Renata explica que o projeto fez parcerias com o conselho tutelar da cidade, com a instituição Casa de Nazaré, com o projeto Associação Sacolinha e com o grupo Anchieta, e, por meio dessas instituições é que chegam os casos de crianças e adolescentes que necessitam de amparo. "Nós também vamos atrás de casos que ficamos sabendo pela mídia e qualquer pessoa que souber de algum menor nessa situação pode nos procurar."

A psicóloga diz que uma assistente social voluntária faz, inicialmente, um estudo psicossocial para saber das necessidades da criança e da família que a acolheu. A partir daí o grupo define que tipo de ajuda vai fornecer e por quanto tempo.

"Uma coisa que a gente pensa, e que é verdade, é que quando existe um caos todo mundo vai lá para ajudar, mais e daqui a um tempo? Quem vai assistir? Quem vai apoiar esses jovens? O nosso objetivo é dar continuidade para que eles tenham segurança para seguir", diz Renata.

Hoje o "Mães que acolhem" tem mais de 300 pessoas envolvidas. "Criamos um cadastro de voluntários profissionais, cada interessado preenche com aquilo que pode fazer. Com isso, hoje temos psicólogos, fisioterapeutas, advogados, cabeleireiros, contador de história, assistente social, e assim vai", explica a psicóloga.

O trabalho voluntário é feito somente em Jundiaí por enquanto, pois as mães estão preparando uma estrutura para poderem receber essas crianças. "Quando estivermos mais estruturados, poderemos ter núcleos nas cidades vizinhas para amparar mais crianças."

Como ajudar

Atualmente as arrecadações em dinheiro estão sendo feitas para a família da Mayara, que faleceu de covid-19 e deixou 3 crianças. Os avós, que já tinham dois filhos, receberam esses netos e estão responsáveis pela criação. Para ajudar a pagar o aluguel de uma casa maior, foi criada uma vaquinha online.

O projeto mantém também uma arrecadação constante de cestas básicas e materiais que podem ser vendidos em um bazar online. As doações podem ser feitas num drive-thru, que funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h, na Rua Santa Maria, 412, em Jundiaí. Quem tiver interesse em doar qualquer quantia ou em ser um voluntário também pode entrar em contato com o projeto por meio das redes sociais do "Mães que Acolhem".