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Tony Marlon

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

4 livros para esperançar os dias nessa reta final de 2021

Capa do livro "Sementes de Joana" - Divulgação
Capa do livro "Sementes de Joana" Imagem: Divulgação

16/11/2021 13h56

O que eu gosto mesmo é do comecinho de "O Livro dos Títulos", do Pedro Cardoso. Lançado em 2017, o romance de estreia do dramaturgo e ator que o Brasil ama como Agostinho Carrara, em A Grande Família, tem uma abertura inesquecível. Ao menos para mim.

"Eu nunca gostei de ler, mas sempre gostei de livros. Quando era jovem, e cria que toda a gente prestava atenção em mim o tempo todo, eu carregava sempre um livro comigo e fingia ler. Eu acreditava que sendo um grande leitor, ninguém jamais sentiria pena de mim por eu estar constantemente sozinho. O livro me protegia da piedade dos outros."

É bem verdade que Pedro meu deu de presente um jeito de começar conversas para o resto da vida, e nunca conseguirei agradecer por isso. E apesar de não necessariamente ter fingido ler como o personagem de seu romance, eu de verdade mergulho em qualquer história que passe pela frente, peguei emprestado este primeiro parágrafo por que me economiza muitos minutos em explicações: livros existem para o que precisar.

Na semana que passou, num grupo com amigos, a gente pensando como encontrar alguma energia para os 45 dias que nos faltam para alcançar 2022 que, esperamos, seja mais generoso com todo mundo... nos momentos mais confusos aqui fora, é para dentro de um livro que ainda existe para onde correr, não é. Daí todo mundo meio que concordou.

Fui dormir pensando que, acho, nunca tivemos tantos bons livros sendo lançados merecendo nosso tempo e atenção. Busquei quatro, só os mais recentes, para contar aqui.

"O Céu é no 6º Andar"

Nascido João Flávio Cordeiro, é por Miró que o mundo o conhece. Um dos grandes poetas do nosso tempo, apesar de se entender mais como cronista, o filho mais ilustre da Muribeca botou no mundo o "O Céu é no 6º Andar". Seu livro mais recente é uma reunião de poemas inéditos que brotaram nos últimos meses, que não foram fáceis para ele. O álcool e a covid-19 atravessaram seu caminho, mas Miró tem lutado e vencido. Um dia por vez, um desafio por vez. O título, ele explicou, é uma referência ao andar em que morou por seis meses em 2018, no Hotel Central, no Recife. Foi justamente em seus corredores que, na sexta-feira passada, nos deu mais este presente.

"Sementes de Joana"

Feito Miró, Mestra Joana Cavalcante tem uma importância que não cabe em palavras para o país. É que boa parte dele nem sabe disso ainda. Há mais de uma década à frente da Nação Encanto do Pina, na comunidade do Bode, no Recife, Joana é a primeira mulher consagrada Mestra em uma Nação de Maracatu de Baque Virado do Brasil. Escutá-la, e melhor, vê lá agindo é um presente para a esperança. É que até a sua chegada, eram somente homens que lideravam tudo. Joana trouxe a mulher para o centro da conversa e da arte, inspirou outros maracatus a fazerem o mesmo ao redor do país. Lindamente escrito pela Mariana Queiroz e ilustrado por André Shibuya, "Sementes de Joana: a primeira mestra de Maracatu" é mais que um livro, é um documento histórico.

"Futebol e Assombração"

Em mais alguns dias, a escritora de "Futebol e Assombração" ocupará o espaço de Opinião de Ecoa para pensar e provocar a literatura nossa de cada dia. É um presente daqueles escutar e ler Juliana Correia. Contadora de histórias e escritora, ela fez essa obra bonita com o Alexandre Silva ilustrando. O jogo, palavra e imagem, será um presente daqueles para filhos, filhas, sobrinhos e afilhadas. A criançada em geral neste dezembro que se aproxima, com festas e expectativas. O livro conta a aventura de um grupo de amigos no alto de um morro que joga a bola dentro de uma casa e precisa da ajuda de Tininha para resgatá-la. Daí tudo acontece.

"Beata: A Menina das Águas"

A Elaine Marcelina botou em palavras, e a Ani Ganzala contou em ilustrações que dá vontade de colocar num quadro da sala de casa, a história de outra existência importante demais para mais e mais pessoas não saberem sobre. O Brasil não sabe nada sobre os Brasis. Conhecida como Mãe Beata de Iemanjá, Beatriz Moreira Costa deixou o mundo menos rico em 2017, quando fez sua passagem. Seu legado transcende a vida. Ao longo dos seus 86 anos lutou incansavelmente pelos direitos humanos, e essa expressão nem existia ainda na boca de todos e todas nós.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL