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Tony Marlon

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Vida é algo para engrandecer a mim. E quem está à minha volta

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Imagem: iStock

Tony Marlon

25/08/2021 06h00

Eu encontrei este bom resumo do que poderia ser essa nossa caminhada por aqui na boca do professor Mario Sergio Cortella em 2013, no filme "Eu Maior". De lá para cá, vira e mexe na desesperança, eu não me perco disso. E revisito.

Especialmente aos domingos, na véspera das manchetes que nos apontam um mundo justamente ao contrário disso, nosso país ainda pior: Individualista, auto centrado. Violento de todas as maneiras com todas as existências que não sejam iguais a minha, a sua. Um grupo de uns querendo que sejamos um mundo de iguais, a conta não fecha. Deve existir algum jeito de sermos melhores que hoje. E há.

Lançado no fim dos anos 1990 pelo David Cooperrider e a Diana Whitney, o livro "Investigação Apreciativa: uma abordagem positiva para gestão de mudanças" revela ao mundo um processo que busca os elementos, as práticas e os personagens que dão vida e movimento positivo a comunidades inteiras quando elas estiveram em seu melhor momento. O Brasil, por exemplo, é uma comunidade. A sua família, também. A rua que você mora, igual.

O princípio por trás dessa abordagem, usada para transformar espaços e relações, é que, em algum momento, nós já estivemos em um lugar melhor que agora, que é o instante do problema a ser resolvido. E que se queremos voltar para casa, uma das primeiras perguntas a se fazer é como éramos e de que maneira agíamos quando tudo era melhor para todo mundo.

Em uma entrevista de 2003, o então Ministro da Cultura, Gilberto Gil — e, sim, nós já tivemos alguém com a imensidão do Gil como ministro de Estado — disse isso ao ser perguntado sobre para onde deveríamos mirar nosso projeto de país e de futuro:

"O papel do Brasil é dizer: eu estou na moda e comigo está na moda o mundo inteiro. Comigo está na moda toda a humanidade. Nós não viemos ao mundo para ser potência hegemônica de nada. Nós somos potência solidária, com o potencial de todas as nações".

Menos de 20 anos depois e estamos mais perto do que nos envergonha e assombra do que daquilo que Gil profetizou quase como um destino. Longe de sermos a nação da fraternidade, uma espécie de Terra Prometida que não se deixaria seduzir pelas falsas conciliações, caminhamos a passos largos rumo ao que existe de mais desesperançoso.

E o pior, isso parece fazer sentido para muitos ainda. Mas um dia já fomos melhores que hoje, a gente falou sobre isso mais aí em cima. E se estivemos lá uma vez, nem que seja na porta dessa nossa melhor versão, individual e coletiva, a gente consegue voltar. É feito andar de bicicleta, nunca mais esquece o essencial a se fazer. E vai lá e faz.

A vida é algo para engrandecer a mim e a quem está à minha volta, que resumo, professor. Uma das nossas pistas está aqui, eu imagino, e foi dito 8 anos atrás. Não é só uma frase, é uma visão de mundo. Caminhe ao lado de quem enxerga o futuro com todas as existências lá dentro. Qualquer contrário disso é um problema.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL