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Fadiga do zoom: intoxicação por excesso de videoconferência

Sandra Caselato

Sandra Caselato, formada em artes plásticas e psicologia, é uma exploradora dos processos psicológicos e das relações humanas. Está sempre em busca de experiências que contribuam com a transformação pessoal e de outras pessoas. Especialista em Comunicação Não-Violenta, atua com desenvolvimento humano há mais de 20 anos.

26/05/2020 04h00

Grande parte da minha vida nos últimos dois meses se resume a telas de computador, celular ou televisão, dentro do apartamento de 60 metros quadrados onde vivo.

Tenho passado muito tempo principalmente no Zoom, plataforma de videoconferência, oferecendo e participando de cursos e encontros online, reuniões de trabalho, conversas com amigos e familiares.

Imagino que muitos de vocês que leem este texto têm vivenciado algo semelhante, desde o início da quarentena devido a COVID-19.

Sou grata pelas tecnologias de bate-papo por vídeo que me permitem continuar a trabalhar e me conectar com pessoas que são importantes para mim. Mas a videoconferência tem também um lado sombrio.

Percebi isso logo no início, depois que meu uso do Zoom e do celular mais do que triplicou. Me sentia exausta, desconectada e quase como um zumbi depois de um longo dia de videochamadas.

Eu já sabia que passar muito tempo em frente à tela não me faz bem. Mas agora estava muito pior, algo mais estava acontecendo.

Semana passada tive uma espécie de esgotamento mental junto com uma intoxicação alimentar. Interpreto que meu corpo estava dizendo que não está dando conta da sobrecarga que está recebendo - tanto alimentar quanto de informação e esforço mental.

Fazendo uma rápida pesquisa, não fiquei surpresa ao saber de um fenômeno que os psicólogos têm chamado de "Fadiga do Zoom". O tema tem sido assunto recorrente em diversas mídias: UOL, Super Interessante, Veja, National Geographic, para citar algumas.

Quando nos comunicamos, dependemos muito de sinais não verbais, como expressões faciais, gestos e outras formas de linguagem corporal. Em uma ligação por vídeo, esses sinais geralmente são distorcidos, ficam escondidos ou menos claros do que seriam pessoalmente. Nossos cérebros precisam trabalhar mais para decodificá-los e isso nos esgota.

Os encontros online com várias pessoas representam um desafio ainda maior, pois nossos cérebros são forçados a tentar interpretar esses sinais de mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Fazendo uma analogia, é como se a videoconferência comparada à interação presencial física, seria o mesmo que alimentos processados comparados a alimentos reais. É uma substituição de baixa qualidade.

Então, com isso em mente, o que podemos fazer para reduzir a fadiga do Zoom e outras plataformas de videoconferência?

Seguem algumas estratégias:

  • Verifique se a iluminação é boa e se as pessoas podem ver claramente seu rosto.

  • Escolha a opção de ver uma pessoa de cada vez na tela, a não ser que seja essencial ver as reações não-verbais de todas as pessoas na reunião.

  • Evite fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ao entrar em uma videoconferência, feche todas as abas de seu dispositivo e deixe longe o celular. Tente se concentrar apenas na reunião.

  • Avalie se uma ligação é mesmo necessária ou se um documento compartilhado também pode funcionar.

  • Desative o vídeo ou simplesmente opte por fazer uma ligação telefônica normal quando o vídeo não for necessário. (Venho fazendo isso bastante, especialmente com pessoas que já conheço).

  • Experimente caminhar pela casa enquanto conversa.

  • Se você precisar ficar na frente do computador em uma videoconferência, tente ficar de lado sem olhar diretamente para a tela. (Você pode explicar às pessoas que está fazendo isso para ter mais autocuidado e que está presente e atento à reunião apesar de não olhar para a tela).

  • Reserve um tempo no início das reuniões para se conectar com as pessoas num nível mais pessoal, antes de mergulhar no trabalho. Isso ajuda a nos sentirmos mais conectados e menos cansados.

  • Programe pausas e períodos de transição entre as reuniões, onde você pode mexer o corpo, caminhar pela casa, etc.

  • Quando não for realmente necessário, procure fazer outras atividades que não envolvem telas (de celular, TV, computador).

Espero que isso ajude! Se você tiver outras ideias, por favor nos conte aqui abaixo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.