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Rodrigo Hübner Mendes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A genialidade de um saco de dormir que salva milhões de recém-nascidos

Mãe de bebê prematuro usa incubadora Embrace para aquecer recém-nascido no Nepal - Divulgação
Mãe de bebê prematuro usa incubadora Embrace para aquecer recém-nascido no Nepal Imagem: Divulgação

Rodrigo Hübner Mendes

16/07/2021 06h00

Outro dia recebi um convite para participar de uma conversa com Jane Chen, uma dessas jovens empreendedoras cuja trajetória joga a favor dos nossos melhores anseios quanto ao futuro que podemos construir.

Após passar por várias organizações sem fins lucrativos no campo da saúde, como a Chi Heng Foundation, na China, e a iniciativa da Clinton Foundation, voltada ao tratamento do HIV na Tanzânia, Jane decidiu dedicar todos seus esforços para solucionar um problema com proporções desconhecidas pelo senso comum. Entre os 20 milhões de bebês que nascem prematuramente ao redor do mundo todo ano, 4 milhões morrem devido à precariedade com que são atendidos nos primeiros meses de vida. Dos que sobrevivem, a maioria cresce com severos problemas de saúde. Um dos grandes desafios dessas crianças é conseguir regular sua temperatura corporal pois não dispõem de gordura suficiente para se manter aquecidas.

A missão de todo bebê no início da sua vida é crescer. Se estiver lutando contra a hipotermia, seus órgãos não conseguem se desenvolver, acarretando em diversas patologias, como diabetes e doenças cardíacas. Isso poderia ser resolvido por meio de incubadoras: equipamentos aparentemente simples que, em geral, não estão disponíveis a populações de áreas rurais de países em desenvolvimento, pois demandam energia elétrica para funcionar e custam até 20 mil dólares. Soluções caseiras criadas pelos pais, como garrafas de água quente amarradas ao redor do corpo, são ineficientes e perigosas.

Determinados a criar uma solução local que fosse portátil, de baixo custo, fácil esterilização e não exigisse eletricidade, Jane e seu time criaram uma espécie de saco de dormir tamanho bebê com uma bolsa interna preenchida por um tipo de cera que derrete a 37 graus (temperatura do corpo humano). Essa cera pode ser derretida com água quente e mantém a temperatura constante por até 6 horas, bastando ser reaquecida para continuar emitindo calor. O produto foi lançado ao custo de 24 dólares (menos de 0,2% do preço de uma incubadora).

À frente da Embrace, startup responsável pela produção e distribuição de sua fascinante solução, Jane está interferindo no futuro de milhares de comunidades e, segundo ela, "salvando vidas por meio do simples calor de um abraço".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL