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A robótica a serviço da prevenção

Rodrigo Hübner Mendes

Rodrigo Hübner Mendes tem dedicado sua vida para garantir que toda pessoa com deficiência tenha acesso à educação de qualidade na escola comum. É mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP), membro do Young Global Leaders (Fórum Econômico Mundial) e Empreendedor Social Ashoka. Atualmente, dirige o Instituto Rodrigo Mendes, organização sem fins lucrativos que desenvolve programas de pesquisa e formação continuada sobre educação inclusiva em diversos países.

12/06/2020 12h36

Em conversa recente com minha amiga Linamara Battistella, pudemos tocar em vários pontos importantes, não apenas ligados à atual crise, mas também sobre os próximos passos, depois de passada a tempestade. Ex-Secretária dos Direitos da Pessoa com Deficiência e idealizadora da Rede Lucy Montoro, um complexo dedicado ao atendimento e reabilitação de pessoas com deficiência, Linamara é uma brilhante médica sempre antenada com o que há de novo em seu campo de atuação.

Há dois pontos que me chamaram mais a atenção. O primeiro tem a ver com a prevenção, os cuidados diários com o bom estado físico e psicológico. É claro que todos devem ter isso em mente, mas Linamara observa algo que merece destaque: é comum (e explicável) as pessoas com deficiência terem foco em seu tratamento específico e esquecerem das questões mais globais. Conta de uma senhora que conheceu anos atrás, cuidadosíssima com sua fisioterapia, mas que acabou passando mais de uma década sem fazer um papanicolau. Cabe lembrar que, até para enfrentar o coronavírus, é preciso sempre estar atento às questões mais gerais da nossa saúde: respiração, metabolismo, cognição, estado psicológico. Estar bem, de forma global, é também fator de imunidade.

Ao falarmos dessa atitude de atenção à rotina de cuidados, chegamos ao segundo ponto que quero destacar aqui: o uso da tecnologia, especialmente nas rotinas de fisioterapia, como fator de sucesso em procedimentos continuados em pacientes com deficiência. Hoje, há um recurso que é cada vez mais usado, que é o exercício robótico. Mas, quando se trata de robótica, a primeira coisa que vem à mente é o custo. Um equipamento de alta tecnologia, importado, caro, à primeira vista não pode ser oferecido de forma ampla a toda população.

Mas é aí que Linamara, com toda a experiência que tem, pondera: é preciso que se pense de forma global - custo de manutenção de equipamentos ultrapassados, número de profissionais envolvidos em cada procedimento, tempo necessário para superar cada fase do tratamento - para que se avalie o real investimento necessário em soluções de maior aporte tecnológico. Há tratamentos que, com o uso de robôs, apresentam em um mês resultados que demandariam um ano inteiro de procedimentos na piscina, por exemplo. Um profissional de atendimento não consegue fazer turnos de mais de três horas de atendimento na água e, em certos casos, são necessários dois profissionais para atender a um só paciente. Com o uso de robôs, podemos aumentar significativamente a quantidade de tratamentos num mesmo dia.

E aí vem o ponto principal: ao se pensar na expansão do uso de recursos mais avançados, é preciso ter uma visão mais ampla da questão do investimento. Linamara nos lembra: como tudo o que vem da tecnologia, a tendência é um grande barateamento quando os custos intelectuais - patentes etc. - já tiverem sido amortizados, as técnicas de fabricação custarem menos e os volumes de produção crescerem.

A projeção do futuro aponta para um uso cada vez mais amplo da robótica em procedimentos de preservação da saúde, e num prazo que não será tão longo quanto a princípio imaginávamos. Segundo Linamara, "pode ser ainda para esta geração".

Rodrigo Hübner Mendes