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Fazer novas amizades na quarentena poderia ser mais fácil

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

11/07/2020 04h00

Estava pensando em escrever novamente sobre amizades. Hoje mesmo, numa aula, este foi o assunto. E talvez falar sobre como fazemos novos amigos nesta quarentena seja interessante. Vou citar três processos muito diferentes que me fizeram refletir.

O primeiro veio de um debate muito interessante que mediei recentemente. Conhecia a maioria das pessoas presentes, e uma das pessoas que não me conhecia me trouxe após o debate algumas reflexões adicionais ao que tinha sido discutido, e o contato permaneceu; volta e meia conversamos sobre assuntos aleatórios e ninguém se cansa.

O segundo veio de um típico jogo da faculdade de conhecer pessoas. Fiz o que pessoas normais fazem, conversar com a pessoa e adicioná-la na rede social. O que recebi foi um show de frieza e desinteresse em conversar. Não gosto de pessoas que somem de repente e depois aparecem com desculpas, geralmente citando problemas psicológicos para justificar uma conduta antissocial. É uma muleta ridícula e que não justifica nenhum tipo de desrespeito!

O terceiro veio desse mesmo artifício. Só que o resultado foi positivo e trouxe mais uma pessoa amiga para compartilhar bons pensamentos. Mostrou-se uma pessoa curiosa e interessada no que a pessoa do outro lado da tela tem a dizer, e foi uma troca de ideias muito interessante.

O que podemos extrair dessas experiências? Há pessoas e pessoas, é claro. Algumas com mais disposição a socializar e outras mais contidas. Mas o que realmente vai dizer se o processo de conhecer pessoas vai virar uma amizade ou não vai dar em nada é o interesse que ambas as partes trarão na construção deste vínculo. De nada adianta eu estar interessada em ter amizade com uma pessoa se ela não se esforça minimamente para tal. E vice-versa.

Numa época em que é fácil parar de falar com uma pessoa, nossos esforços para que amizades verdadeiras sejam construídas acabam se fazendo ainda maiores. E sem falar na dificuldade imposta pelo isolamento social, que nos tira a aproximação pessoal. As redes sociais são boas para fazer amizades, se bem usadas, e se ambas as partes forem verdadeiras no seu interesse em utilizar essa ferramenta como aproximadora de pessoas.