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Marina Rodrigues

O que podemos aprender com relações passadas?

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

02/05/2020 04h00

Se me perguntarem como estou me sentindo hoje, certamente responderei "mais ou menos". Um turbilhão de sensações se instalou em mim desde o último texto. Compreensível. Abrir-se daquela maneira não é tarefa fácil, e ainda havia feridas por cicatrizar. Mas abrir-se também trouxe ensinamentos que não se queria ver por muito tempo. E vou compartilhar essas reflexões com vocês.

O primeiro é que temos que ter sinceridade sobre nossos sentimentos, pois assim não machucamos o outro e nem a nós mesmos. É difícil, eu sei. Às vezes não se tem clareza do que realmente se quer numa relação, e isso torna complexo jogar limpo. Creio que muitas desilusões acontecem porque um dos lados não soube expressar qual era o limite daquele contato.

O segundo é que as nossas expectativas às vezes são maiores do que a situação realmente pode trazer. Nos agradamos com tão pouco numa era de tanta insensibilidade que nos perdemos em nossas idealizações e esquecemos de viver os momentos com a parcimônia que a intensidade deles requer. Corremos o risco de nos tornarmos insensíveis com o tempo? Talvez.

O terceiro é que devemos ter bem claro conosco qual o tipo de amor que queremos em nossa vida. Já falei diversas vezes sobre carinho e sobre afetividade, mas acho que isso fica mais claro quando falamos de amor. Devemos ter em mente uma imagem madura e sóbria das características que mais olhamos quando se trata de um relacionamento. Lembro-me de um exercício que fiz na terapia em que eu precisava listar os cinco itens que mais pesavam para mim numa relação. Por que não fazemos este exercício?

Queria agradecer aos amigos que abriram algumas reflexões. Um amigo disse que eu deveria compartilhar o que aprendi daquelas relações; o resultado está aí. Outra amiga disse que faz bem "exorcizar" esses demônios para vivermos melhor conosco. Uma das pessoas citadas falou comigo, mas o contato não foi de qualidade; resumimo-nos a perguntar se estava tudo bem. Talvez esteja aí um aprendizado que eu precise interpretar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.