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Marina Rodrigues

Reflexões desconexas em tempos de incerteza

Mari Rodrigues

Estudante de Letras, Marina Rodrigues participa da Frente de Diversidade Sexual e de Gênero da USP. É apaixonada por comida do norte e por reciprocidade nas relações. Ainda está decidindo o que vai fazer com sua vida.

11/04/2020 04h00

Esta semana estive sem nenhuma ideia do que escrever. Com o noticiário ainda dominado por notícias sobre a pandemia e o isolamento, fica difícil pensar em alguma coisa que interaja com o mote de ECOA, que é falar de mudança e de coisas boas. Mas vamos tentar. Talvez se desconectando um pouco do noticiário e pensando nas pequenas coisas que aconteceram saia um texto digno.

Esta semana comprei uma cafeteira nova, daquelas de cápsulas super chiques (e super ambientalmente irresponsáveis, infelizmente). Já tinha sentido o gosto do café quando fui à redação e provei uma xícara pequena. Ainda me dá vergonha que daquela primeira vez não vi que o café era pago e saí sem pagar (risos). Da outra vez acertei esse pequeno débito. O sabor encorpado do café que veio me fez acordar nesses dias de pouca vontade e de pouca esperança.

Trabalhar em casa, de pijama, parece legal, mas vejo que prefiro estar num ambiente de escritório, falando com pessoas. Tive a oportunidade de ajudar a fazer um pequeno trabalho externo, para auxiliar pessoas que estão nessas estradas Brasil afora em situação bastante precária. E pelas respostas que tenho recebido, parece que o trabalho valeu a pena.

Pensar no que fazer após todo esse pesadelo acabar também ajuda. Pode durar semanas, ou mesmo meses, não sabemos. Planejar-se para voltar à normalidade gradativamente deve ser bom para conter a euforia que vai tomar tanto a mim como a toda essa multidão que está hoje recolhida. Já sei que não será de forma imediata, como querem alguns, inclusive os que negam a gravidade da situação. Mas será, e isso deve nos alentar.

Falei com os amigos dos coletivos que faço parte, menos do que queria, mas falei. Sei lá, é tanta apreensão e não sei como acalentar todo mundo, mas vamos nos ajudando. Volta e meia e vem um papo alheio à situação e vamos desenvolvendo. E volto à cafeteira. Foi um bom momento de descobrir novos sabores e não se restringir.

Não se restringir quando tudo passar. Talvez esta seja uma forma de viver melhor a vida, depois de percebermos o quanto ela é curta e fugaz. É claro que sem excessos, mas sermos felizes é o que nos fará combater o ódio e a amargura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.