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Por que não estamos pedindo pelo "lockdown" ainda!?

Paciente é intubado por médico na UTI da Santa Casa de Maceió - Sílvio Romero/Divulgação
Paciente é intubado por médico na UTI da Santa Casa de Maceió Imagem: Sílvio Romero/Divulgação
Júlia Rocha

Mineira de Belo Horizonte, Júlia Rocha nasceu em uma família de músicos e médicos e decidiu conciliar as duas paixões também em sua vida. Tornou-se médica com a mesma naturalidade com que se tornou cantora. Júlia se apresenta como "especialista em gente, médica de família e comunidade".

01/05/2020 15h14

Não há o que dizer. Esta coluna poderia acabar aqui. No Rio de Janeiro, na noite de ontem (30), mais de trezentas pessoas esperavam por um leito de UTI.

Esperar por um leito de UTI significa, em tradução livre, aguardar a morte chegar sem atendimento adequado. Sim, por que se a pessoa precisa estar em uma Unidade de Tratamento Intensivo é por que ela está tão gravemente doente que os cuidados prestados fora dali não são suficientes para fazê-la respirar e oxigenar seu corpo com eficiência. Não são suficientes para que seu rim exerça sua função adequadamente. Não são suficientes para preservar seu cérebro.

Quando a situação chega a tão brutal e apavorante estado, e isso se repete em outras cidades brasileiras, eu me pergunto: por que as lideranças políticas desses lugares ainda não tomaram medidas drásticas para, ao exemplo da China, esfriar novamente a caótica situação já estabelecida?

Na China, primeiro país a ser atingido pela doença, sem saber com detalhes o que devia fazer, sem saber como tratar, como agir em relação aos pacientes e a comunidade sadia, viram a princípio, uma subida rápida do número de casos.

Lá, só houve um controle e um respiro dos gestores públicos para ganharem tempo na tomada de decisões a partir do fechamento completo das regiões atingidas.

No mundo inteiro a história se repetiu. Países como a Itália, a Espanha e a Inglaterra nos deram outros exemplos do que poderia ser a nossa tragédia e mesmo tendo assistido à Ásia e a Europa inteiras tomando atitudes boas e ruins tomamos o caminho do abismo.

Já sabemos onde isso vai parar caso não aumentemos os índices de distanciamento social nas cidades com poucos e caso não decretemos fechamento completo das cidades onde o caos já se instalou. Não há o que fazer.

Enquanto equipes de saúde se desdobram e se expõem a um risco imenso dentro dos pronto atendimentos pelo país, as pessoas caminham naturalmente pelas ruas preparando para serem os próximos doentes graves a serem atendidos!

Se as pessoas não são capazes de entender isto sozinhas, as lideranças políticas locais precisam agir a tempo. Vidas serão poupadas, o sistema de saúde será poupado, um enorme sofrimento será evitado!

O momento é este. É preciso garantir a sobrevivência dos mais pobres. Entregar alimentos, gás, remédios, máscaras, produtos de higiene e limpeza. É preciso que haja meios de comunicação eficientes para que estas pessoas possam obter orientação médica de forma centralizada sem precisarem ir às UPAS de forma desnecessária.

Cada dia que passa, cada hora perdida significa mais mortes, mais dor, mais valas comuns, caixões empilhados e famílias chorando seus mortos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.