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Como não deixar nenhum estudante para trás durante a educação emergencial?

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

01/07/2020 04h00

Esse é um questionamento que muito tenho escutado de professores de todo o país, angustiados com o momento atípico que estamos vivenciando devido a pandemia de Covid-19. Tendo em vista as diferenças ocasionadas de cada região, assim como a falta de conectividade e de infraestrutura, é necessário que seja discutido novas possibilidades e caminhos, já que esse momento evidencia as desigualdades sociais.

E como realizar em tempos de educação emergencial um aprendizado que seja significativo e capaz de não deixar o estudante para trás? Abaixo reunimos algumas sugestões que podem auxiliar nesse planejamento. Vamos lá!?

Menos é mais

Esse não é o momento para extrapolar, mas de ter tranquilidade e de passá-la aos estudantes. É preciso usar aquilo que os estudantes possuem acesso, como, por exemplo, os materiais didáticos, em que as orientações podem ser impressas e disponibilizadas na unidade escolar ou enviada por meio de aplicativos conhecidos pelos estudantes, como o WhatsApp, blogs da escola, entre outras possibilidades.

Esse é o momento de trazer reflexões sobre o que os alunos estão vivendo. Isso ajuda a trabalhar com habilidades socioemocionais ao mesmo tempo que traz um aprendizado rico em significados.

Envolva o território educativo

Outro passo importante é envolver o território educativo realizando parcerias. Dialogar com o líder comunitário ou uma ONG (que atenda a unidade escolar) para que as atividades possam chegar aos estudantes, ao mesmo tempo que as orientações sejam claras e objetivas principalmente para as crianças que estão na educação infantil. É importante também trazer informações sobre como manter uma rotina de estudos em casa, propondo fichas de observações em que os pais deverão preencher para ser usada pelo docente no retorno presencial, além de orientações em atividades que devem considerar experimentação sobre o corpo, ambiente, meio ambiente, entre outras possibilidades. Vale usar e explorar a criatividade.

Outra dica é estabelecer um meio de comunicação com os pais, que pode ser por grupos de WhatsApp ou pelo Telegram, que permite um número maior de participantes, além da possibilidade de fixar mensagens.

Engajar os estudantes

Sabemos que muitos dos nossos estudantes estão se sentindo desestimulados por todas as dificuldades enfrentadas. Esse é o momento para engajá-los e mostrar que, mesmo com tantos desafios, eles podem continuar aprendendo.

Vale ofertar aulas em suportes que a maioria tenha acesso e estimulá-los a procurar os amigos, encorajando-os a seguir em frente. Toda a ajuda é bem-vinda! Devido ao tempo de distanciamento social, promover reflexões e criar caminhos para que possam trocar entre os colegas. Trazer estudos de casos e tranquilizá-los sobre os conteúdos e também expor possíveis angústias em que o professor esteja passando, esse é o momento para aumentarmos o vínculo entre estudantes e docentes para mostrar que eles não estão sozinhos.

São ações simples, mas essenciais para garantir que os estudantes não fiquem para trás e ainda possam contribuir para que a escola entre em contato com a família e compreenda melhor as dificuldades do momento, garantindo um acolhimento da mesma e pensando em estratégias para recuperação do período e combate à evasão escolar, no retorno presencial.

Um abraço e até a próxima semana.

Debora Garofalo