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Anielle Franco

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Março por Marielle e Anderson

Divulgação
Imagem: Divulgação
Anielle Franco

Anielle é cria da favela da Maré, no Rio de Janeiro. É bacharel em Jornalismo e Inglês pela Universidade Central de Carolina do Norte e bacharel-licenciada em Inglês/Literaturas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. É mestra em Jornalismo e Inglês pela Universidade de Florida A&M, e atualmente é mestranda em uma universidade federal no Rio de Janeiro (Cefet) cursando relações étnico-raciais com o foco na identidade das mulheres negras através da memória e legado de Marielle Franco, sua irmã e inspiração diária. Publicou seu primeiro livro, "Cartas para Marielle", e tem participação importante em diversas publicações, incluindo a autobiografia de Angela Davis. Trabalha como professora, palestrante, escritora e é a atual diretora do Instituto Marielle Franco, curadora do Projeto Papo Franco e também do curso Marielles.

01/03/2021 04h00

Estamos no primeiro dia deste mês onde revivemos com profundidade uma das datas mais tristes para minha família, e também, para a democracia deste país. Março, que para mim sempre foi marcado pela luta das mulheres em todo o mundo, a resistência e o reconhecimento de que nossos corpos são nossos e que nossa vida vale, desde o dia 14 de março de 2018 ganhou conotações também de luta por justiça. Marielle e Anderson foram retirados de nós brutalmente naquela noite trágica, e até hoje lutamos para que a justiça nos dê respostas sobre quem mandou matar e por quê.

Não há um dia sequer nestes mais de 1000 sem a Mari que eu não pense em onde ela estaria hoje, o que teria conquistado em sua vida política, o quanto ela estaria do meu lado no nascimento de minha filha mais nova, Eloah, como estaria dando mais orgulho para os meus pais e Luyara e seguiria com aquele sorriso largo e jeito de marrenta enfrentando todas as adversidades por todes nós. Ela era uma força da natureza, e continua sendo gigante. Desde aquele fatídico dia em 2018, nós, a família dela e de Anderson, ressignificamos nossos objetivos e prioridades de vida, a cada discurso, entrevista, ida aos órgãos públicos, a cada ato, homenagem e foto antiga, a cada semente plantada e inspirada pela trajetória dela sentíamos a presença e a necessidade de levar esse legado para frente.

E é isto que este março representa para nós: legado, memória, justiça e sementes. Neste mês teremos mais oportunidades de lutar e pedir justiça para Marielle e Anderson, de multiplicar e espalhar o legado, de defender sua memória e de regar milhares de sementes que multiplicam sua luta por todo o mundo. Teremos mais uma oportunidade de nos organizarmos em torno do símbolo que minha irmã se tornou: esperança e luta.

Diante da pandemia que tirou milhares de vidas nesse país, da desigualdade que cresce e nos assola, do projeto genocida em curso pelo governo federal, é disso que precisamos para tentar seguir, precisamos da esperança e luta que Mari tanto pregava. E é por isso que nosso Instituto, fundado pela família em 2018 e que desde o ano passado vem produzindo ações no Brasil em defesa da população negra, LGBTQIA+ e favelada, pretende fazer neste março de 2021.

Sabendo das limitações de circulação por conta da covid-19, iremos produzir uma agenda de ações colaborativa #MarçoPorMarielleEAnderson. Serão ações nas redes, lives, vídeos, as pessoas poderão colorir sua rua ou colocar a placa da Mari na sua janela, divulgaremos as homenagens e qualquer um pode cadastrar sua ação no site: institutomariellefranco.org/3-anos. Além disso, continuaremos pressionando as autoridades públicas sobre as investigações, pediremos justiça por ela e por Anderson, e também seguiremos avançando no enfrentamento a violência política no país, para que ninguém mais tenha que passar o que minha família vem vivendo desde 2018.

Vamos juntes transformar esse mês em um março por Marielle e Anderson!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL