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Venda de caminhão no Brasil deve manter ritmo em 2014

Alberto Alerigi Jr.

Em São Paulo (SP)

11/10/2013 08h13

As vendas de caminhões no Brasil em 2014 devem ter crescimento semelhante ao deste ano e o segmento de ônibus deve apresentar forte performance, com continuidade do movimento de renovação de frotas, uma safra agrícola recorde e aumento de investimentos esperados para o ano eleitoral, prevê o Banco Mercedes-Benz.

Segundo o diretor comercial da instituição, Angel Martinez, o banco deve elevar os financiamentos deste ano para 3,7 bilhões de reais, ante 3,5 bilhões em 2012. A expectativa para 2014 é uma cifra acima de 4 bilhões, bem próximo do pico de 4,1 bilhões atingido em 2011.

"No ano que vem ainda vemos investimentos acontecendo por causa dos grandes eventos dos próximos anos (Copa do Mundo e Olimpíadas), ano eleitoral que deve gerar mais investimentos e um cenário internacional constante de juros", disse Martinez em entrevista à Reuters.

A expectativa para os juros constantes no exterior decorre da indicação de Janet Yellen à presidência do Federal Reserve, considerada pelo mercado como mais favorável à manutenção de estímulos financeiros do banco central norte-americano.

As vendas de caminhões este ano acumulam alta de quase 14 por cento até setembro, sobre o mesmo período de 2012, e a expectativa da associação de montadoras, Anfavea, é de uma expansão em todo 2013 de cerca de 8 por cento.

Já os licenciamentos de ônibus subiram 10 por cento de janeiro a setembro e a previsão é de um desempenho forte no primeiro semestre de 2014, como costuma acontecer em anos eleitorais, afirmou.

Martinez evitou fazer projeções específicas para o mercado de caminhões no próximo ano, mas disse que a expectativa do banco é de um "crescimento do mercado semelhante" a 2013.

O banco encerrou setembro com uma carteira de crédito de 10 bilhões de reais, 7,5 por cento acima do registrado um ano antes e 3 por cento superior a agosto. A Mercedes-Benz disputa a liderança do mercado brasileiro de caminhões com o grupo MAN-Volkswagen.

Até setembro, a Mercedes-Benz acumulou vendas de 28 mil caminhões, alta de 8,6 por cento sobre o mesmo período de 2012.

Para Martinez, a alta da Selic decidida pelo Banco Central na véspera deve ter pouco impacto nas vendas do mercado no curto prazo, já que grande parte dos financiamentos tem ocorrido sob o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), cuja taxa de juros de 4 por cento é negativa em termos reais.

O executivo espera que as vendas de caminhões acelerem no final deste ano, diante de corrida de frotistas para aproveitar a taxa de 4 por cento do PSI. Apesar do governo ter afirmado que vai prorrogar o programa de dezembro próximo para o fim do ano que vem, há dúvidas no setor sobre os termos em que se dará essa extensão de prazo.

A taxa de juros do PSI entre setembro e dezembro de 2012 era de 2,5 por cento, mas foi elevada para 3 por cento no primeiro semestre deste ano, avançando a 4 por cento no segundo semestre.

"Devido à conjuntura de juros e ao contexto fiscal do governo, não podemos garantir que as condições serão as mesmas (...) O programa tem ajudado a fomentar a renovação do investimento em bens de capital nos últimos quatro anos de uma forma em que nenhum outro país conseguiu durante a crise financeira", disse Martinez.

Ele afirmou que a média de novos negócios por mês neste ano ficou um pouco abaixo de 300 milhões de reais, mas que em agosto a cifra foi de 422 milhões e, em setembro, de 357 milhões. A demanda dos primeiros dias de outubro tem apontado para mesmo ritmo do mês passado, afirmou Martinez.