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Policial militar vira youtuber com aceleradas acima do limite de velocidade

Policial militar postou um vídeo ultrapassando em local proibido  - Reprodução/ Youtube
Policial militar postou um vídeo ultrapassando em local proibido Imagem: Reprodução/ Youtube

Paula Gama

Colaboração para o UOL

26/05/2022 04h00

Nos últimos anos alguns youtubers têm ganhado visibilidade e dinheiro publicando vídeos de aceleradas ilegais em seus canais, com postagens em que aparecem dirigindo acima do limite de velocidade em vias públicas, entre outras infrações cometidas. O que chamou atenção recentemente, porém, é que um policial militar também passou a criar conteúdo semelhante na plataforma.

O canal Piloto Soviético, do policial militar Cleiton Santos Gabriel, tem pouco mais de 3 mil inscritos e vídeos publicados desde 2019. A maioria deles divulga dicas de manutenção e informações sobre modelos de carros, mas outros retratam o influenciador cometendo infrações de trânsito em estradas com seu Fiat Punto, acelerando acima do limite de velocidade e fazendo ultrapassagens ilegais.

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UOL Carros pediu ao especialista em trânsito Marco Fabrício Vieira, advogado e conselheiro estadual do Cetran-SP, que avaliasse algumas publicações.

"Ele nitidamente ultrapassa o limite de velocidade da via, porém não é possível informar o enquadramento legal correto porque as imagens não demonstram o limite regulamentado pela via (sinalização). Assim, ele pode ter cometido um dos três enquadramentos do artigo 218 do CTB."

Na mesma publicação, o policial ultrapassa pela contramão outro veículo na faixa dupla contínua, uma infração gravíssima multiplicada por cinco, com valor de R$ 1.467.

Em outro vídeo, em que encontra um Chevrolet Onix preparado, Cleiton aparece dirigindo muito mais rápido que os demais veículos na via e ultrapassando pela direita, além de disputar velocidade com o outro condutor.

PM já circulou com PetrolHead

Luan e Cleiton circularam em um Sandero RS de 400 cavalos - Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
Luan e Cleiton circularam em um Sandero RS de 400 cavalos
Imagem: Reprodução/Youtube

Luan Galasso, proprietário do canal PetrolHead e denunciado várias vezes pelo UOL Carros por publicar infrações de trânsito, gravou um vídeo acelerando com o policial militar no carona.

Na postagem, Galasso faz piada com a situação. "Policial quis andar no Sandero RS turbão 400cv! Me multou?". Trata-se de um modelo que foi turbinado para render mais. Durante o vídeo, em clima de descontração, Gabriel assume ter levado duas multas por excesso de velocidade na rodovia Presidente Dutra, em São Paulo, depois de "esticar" seguindo um outro carro.

Em vários momentos, Galasso acelera enquanto o policial militar se diverte com as arrancadas e freadas bruscas. Em outro ponto do vídeo, eles reduzem e voltam a acelerar depois de passar por um radar. O influenciador também diz que não é possível saber exatamente qual é a velocidade do carro.

PM diz que não ultrapassa 120 km/h

UOL Carros conversou com Gabriel sobre o conteúdo de seu canal no YouTube. O oficial afirmou que o foco dos vídeos é mostrar que a Polícia Militar não é inimiga de ninguém e negou ultrapassar os limites de velocidade.

"Nos vídeos que faço, 99% passaram por edições e algumas imagens foram editadas para parecer que tinham velocidade e emoção. Meu intuito de forma alguma é induzir a galera a fazer coisas erradas, é quebrar o paradigma de que quem tem veículo preparado e equipado é inimigo da polícia".

Se na descrição de seu canal ele diz andar no limite do carro, em contato com a reportagem afirma nunca passar de 120 km/h com seu veículo. Após a conversa com o UOL Carros, os vídeos foram fechados no canal.

A reportagem procurou a Polícia Militar de São Paulo para comentar sobre as postagens feitas pelo oficial. Em nota, a corporação afirmou que, "ao analisar todo o conteúdo do vídeo, não vislumbrou o cometimento de transgressão disciplinar por parte do policial militar. O PM estava em seu momento de folga, não imbuído de sua função de fiscalizar o cometimento de infrações de trânsito que, supostamente, foram cometidas pelo motorista do veículo."

Também afirma não ser possível identificar o local por onde estão transitando, muito menos afirmar a respeito da velocidade permitida pela via.

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