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Cruze: por que carro que saiu de linha nos EUA continua vivo por aqui

Chevrolet Cruze RS e Midnight - Divulgação
Chevrolet Cruze RS e Midnight Imagem: Divulgação

José Antonio Leme

Do UOL, em São Paulo

27/01/2022 04h00

A Chevrolet apresentou ontem, 26, duas novas versões da família Cruze: o Sport6 RS e o Midnight. Com mudanças puramente cosméticas e bem leves, essa gama ganhou uma pequena sobrevida no mercado - a que muito se pergunta a que custo.

Antes vendido como um carro global da marca, já que era produzido na Argentina, México, EUA e China, o modelo hoje resiste bravamente a seu fim sendo produzido apenas no nosso país vizinho para alimentar a região.

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Mas o que suporta a manutenção da linha Cruze em fabricação por aqui, quando o modelo, com o fim das demais produções e da GM investindo em sedãs, não terá uma terceira geração? A resposta tem vários pontos, segundo especialistas consultados pelo UOL Carros..

Uma delas é justificar a manutenção da planta na Argentina. Atualmente, aquela fábrica é responsável unicamente pelo Cruze e, se o modelo for descontinuado, antes de executar um novo projeto e de investimentos por lá, ela não teria como se manter aberta.

Os especialistas levantam também a questão da paridade cambial, que é um acordo entre Brasil e Argentina que permite que um país exceda em até três vezes o valor total da sua importação.

"Hoje a GM tem ele como único produto na Argentina, mas envia todo o resto daqui do Brasil para lá - de Onix a Trailblazer. Se não tiver o Cruze, vai ter que escolher quais modelos exportar", afirma um deles, em condição de anonimato.

"O desempenho dos segmentos nos quais o Cruze trabalha só está diminuindo nos últimos anos. Os hatches caíram de 38% em 2020 para 29% em 2021, e estão em 24% até a data de hoje no mês de janeiro. Os sedãs já foram 16% em 2020, caíram a 14% em 2021 e tem 11% em janeiro, sendo que metade disso é feito por Toyota Corolla", diz Cassio Pagliarini, da Bright Consulting.

Enquanto nos EUA o carro não era tão vantajoso, já que por lá os modelos que aqui chamamos de médios (Cruze, Jetta, Civic, Corolla, por ex) são vistos como compactos, ou seja, modelos de menor valor agregado e menos rentáveis por unidade. Já no Brasil e região, têm uma rentabilidade maior por unidade.

Até que a marca anuncie um novo produto para produzir na Argentina, o que estima-se que deva acontecer em 2023, quando um provável novo SUV médio será anunciado, o Cruze tem vida garantida.

E, com isso, justifica essas pequenas mudanças cosméticas e novas versões com baixo investimento, de forma a dar uma levantada nos produtos que não terão modificações mais profundas até o fim da sua vida.

Chevrolet Cruze RS  - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

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