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Catalisador não é o único: 10 itens do seu carro que valem mais do que ouro

Bicos injetores estão entre as peças que utilizam metais preciosos em um veículo além do catalisador, que virou alvo de furtos - Shutterstock
Bicos injetores estão entre as peças que utilizam metais preciosos em um veículo além do catalisador, que virou alvo de furtos Imagem: Shutterstock

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

27/07/2021 04h00

Responsável por neutralizar gases poluentes gerados pela combustão no motor de veículos, o catalisador virou alvo de furtos por conter metais preciosos, alguns mais valiosos do que o ouro. Contudo, saiba que a peça não é a única em um automóvel a trazer metais raros, caros e cobiçados.

Materiais como platina, paládio, ródio e irídio, presentes em catalisadores, podem ser encontrados em sensores e outros componentes do sistema de combustível. São utilizados por conta de características físico-químicas como resistência à corrosão e temperaturas extremas, bem como elevada condutividade de energia elétrica.

O engenheiro Carlos Sakuramoto, diretor de engenharia da AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva), destaca que boa parte dessa matéria-prima valiosa está nos sistemas de combustível e exaustão.

"A maioria dos sensores utilizados no sistema de combustível utiliza algum tipo de metal precioso", salienta Sakuramoto.

Dentre eles, o engenheiro destaca os sensores de posição do corpo de borboleta e do pedal do acelerador. Ele também informa que componentes como bomba de combustível, bicos injetores e até as velas de ignição contêm metais preciosos - neste caso, irídio.

O sensor de oxigênio, mais conhecido como sonda lambda, é outra peça automotiva que utiliza algum tipo de metal nobre. Feito para garantir o funcionamento ideal da injeção eletrônica de combustível, esse sensor traz conectores de platina, metal mais caro do que o ouro. O mesmo vale para os sensores de temperatura do gás de escape.

ECU, o 'cérebro' do motor de carros modernos, usa irídio, material também presente em velas de ignição - Reprodução - Reprodução
ECU, o 'cérebro' do motor de carros modernos, usa irídio, material também presente em velas de ignição
Imagem: Reprodução

Talvez você não saiba, mas microchips e equipamentos eletrônicos em geral também utilizam metais preciosos - em especial, o irídio. E isso se aplica à indústria automotiva, que inclusive tem tido a produção afetada pela escassez de semicondutores.

Em relação aos carros, a quantidade de chips utilizada é cada vez maior. Um dos mais importantes, aponta Sakuramoto, é a ECU, a central de controle do motor.

"Essa é uma peça que utiliza metais preciosos. Quanto mais eficiência você busca em determinado sistema do carro, mais material do tipo vai necessitar".

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O caro material também está presente em relés e interruptores em geral, como do aparelho de ar-condicionado.
Carlos Sakuramoto destaca que a maior quantidade desses materiais está concentrada no catalisador e por isso o item tem sido furtado dos respectivos carros. No restante do veículo, o volume utilizado é pequeno e está disperso em diferentes partes, sem contar que os metais preciosos não são usados na forma pura e sim compondo liga com outros metais.

Ainda assim, destaca o engenheiro, a extração de produtos mais valiosos que o ouro é relativamente fácil, desde que se tenha os equipamentos adequados e o conhecimento para tal.

"Todo o processo de retirada envolve reações químicas e, portanto, deve ser realizado em laboratório".