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Carros alagados: o que dá para salvar e quando o estrago dá perda total

Troca de peças e higienização podem salvar carro alagado, mas nem sempre é assim - Eduardo Anizelli/Folhapress
Troca de peças e higienização podem salvar carro alagado, mas nem sempre é assim
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/02/2020 04h00

A chuva que castigou São Paulo na última segunda-feira (10) causou problemas para milhares de motoristas que perderam seus carros na enchente. Depois do dilúvio, resta conferir os estragos e calcular o tamanho do prejuízo. Mas nem tudo está perdido: alguns casos ainda têm salvação, principalmente se a água não cobriu totalmente o seu carro.

"Parece óbvio, mas quanto mais equipado for o veículo, maior é a quantidade de itens que podem ser danificados. Nem sempre é possível salvar os módulos de injeção, câmbio, freios ABS, airbag, entre outros componentes", diz Edson Hashimoto, proprietário da Auto Company, localizada em São Paulo (SP).

Caso a água tenha ultrapassado a altura das rodas, o proprietário provavelmente terá problemas mais sérios.

"O principal risco é o calço hidráulico, que acontece quando a água entra nos cilindros e entorta as bielas, causando a quebra da parede do bloco do motor. Se não houve dano no motor, o passo seguinte é verificar se a parte elétrica está em ordem, incluindo relês, módulos e outros componentes. Muitas partes podem ser recuperadas ou substituídas, mas há grandes chances de aparecerem defeitos posteriormente".

Limpando cada canto

Feita a manutenção no motor, o proprietário também precisa procurar uma empresa especializada em serviços de lavagem e higienização.

"A limpeza se concentra em cinco partes do veículo: pintura, plásticos externos, vidros, chassi e cofre do motor. Porém, as partes que necessitam de lubrificação, como suspensão e peças móveis, precisam ser verificadas por um mecânico", afirma Paulo Nunes, dono da Auto Pro Estética, empresa especializada em estética automotiva.

A carroceria é a parte mais fácil de ser recuperada. As peças plásticas recebem um tratamento com um produto que recupera a cor original e impede que o material fique esbranquiçado ou manchado. Já a pintura é recuperada em um processo de duas etapas.

Interior deve ser higienizado e partes como o feltro debaixo dos carpetes precisam ser substituídas - Eduardo Anizelli/Folhapress
Interior deve ser higienizado e partes como o feltro debaixo dos carpetes precisam ser substituídas
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

"Na pintura basta realizar uma lavagem desengraxante com um xampu especial e uma técnica de descontaminação de pintura chamada clay bar, que é uma argila que retira detritos físicos", revela Nunes.

A parte interna, porém, merece atenção especial. Os painéis das portas precisam ser desmontados e higienizados, inclusive do lado de dentro. Já os filtros são retirados e substituídos antes da limpeza realizada com aspiração e vapor com utilização de um produto bactericida. A última etapa é utilizar um gerador de ozônio para matar as bactérias.

"Bancos e forração da cabine são as partes mais complicadas. Os bancos têm uma densidade de espuma muito alta, dificultando a penetração de líquidos, mas também dificultam a extração do líquido caso o estofamento fique ensopado por muito tempo. O feltro que fica por baixo do carpete precisa ser obrigatoriamente trocado. A forração de teto também não é recuperável porque ela usa um molde de madeira compensada ou de cortiça com um tecido colado no qual ele pode empenar e causar odores ruins", conclui.

E quando não tem jeito?

Apesar de a maioria das seguradoras oferecer proteção contra enchentes, nem todos os casos têm solução. Quando o preço do conserto passa de 75% do valor do carro, o caso é considerado como perda total. Nesta situação, os destinos mais prováveis para o veículo são o ferro-velho ou um leilão.

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