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Jipes elétricos usados na Lua custaram R$ 140 mi e hoje são "lixo espacial"

Jipe usado em 1971 na Missão Apollo 15 é um dos três exemplares que até hoje repousam no satélite terrestre - AFP
Jipe usado em 1971 na Missão Apollo 15 é um dos três exemplares que até hoje repousam no satélite terrestre
Imagem: AFP

Do UOL*

Em São Paulo (SP)

13/07/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Veículos foram usados em missões da Nasa de 1971 a 1972
  • As três unidades foram deixadas há mais de 40 anos no satélite terrestre
  • "Rovers" têm baterias não recarregáveis e pneus de zinco
  • Especialistas querem "proteger" esses e outros itens deixados na Lua

Às vésperas do aniversário de 50 anos da primeira missão tripulada do homem à Lua, que será comemorado no próximo dia 20, três jipes elétricos repousam há décadas sobre a superfície do satélite natural.

Os veículos da Nasa, a agência espacial norte-americana, foram utilizados nos voos Apollo 15, em julho de 1971, Apollo 16, em abril de 1972, e Apollo 17, que encerrou em dezembro de 1972 a série de 12 visitas de astronautas ao solo lunar.

Segundo a Nasa, ao todo foram construídos quatro jipes, por meio de contrato com a Boeing e a Delco, com custo estimado de US$ 38 milhões, bastante alto para a época - no câmbio atual, esse valor corresponde a R$ 142,5 milhões, aproximadamente. O quarto "rover" foi utilizado para fornecer peças sobressalentes necessárias à manutenção do trio.

Jipes lunares da Nasa foram construídos pela Boeing e trazem pneus com trama de zinco e 1 motor em cada roda - AP/Arquivo da Nasa
Jipes lunares da Nasa foram construídos pela Boeing e trazem pneus com trama de zinco e 1 motor em cada roda
Imagem: AP/Arquivo da Nasa

Os jipes foram desenvolvidos para rodar no vácuo espacial e para lidar com a baixa gravidade da Lua, estendendo o alcance das atividades científicas na superfície do satélite - especialmente no que se refere à coleta de amostras por astronautas para posterior análise, no retorno à Terra.

De acordo com a Nasa, cada jipe ou "rover" lunar pesa 210 kg e tem capacidade para transportar 490 kg de carga. Eles são bem compactos: contam com dois assentos dobráveis e seu chassi de alumínio, também dobrável, mede apenas 3,1 metros de comprimento. Os pneus, com 23 centímetros de diâmetro, trazem pneus com trama revestida de zinco.

O interessante é que cada par de rodas podia ser movido em sentidos opostos, para melhor manobrabilidade, quando os veículos estavam ativos. Por outro lado, a tração era integral - um motor elétrico com apenas 0,25 cv de potência e capaz de girar a 10.000 rpm foi instalado em cada roda.

A autonomia, entretanto, era bem reduzida: cada jipe trazia duas baterias de 36 volts e capacidade de modestos 121 amperes/hora, não recarregáveis. A velocidade também era bastante limitada.

Para se ter uma ideia, o jipe com maior quilometragem registrada foi o utilizado na derradeira missão Apollo 17: ele precisou de quatro horas e 26 minutos para rodar 35,9 km. O "rover" foi conduzido pelos astronautas Gene Cernan e Harrison Schmitt.

Nasa desenvolveu uma versão moderna do jipe; EUA pretendem voltar a pisar na Lua em 2024 - Nasa/AP
Nasa desenvolveu uma versão moderna do jipe; EUA pretendem voltar a pisar na Lua em 2024
Imagem: Nasa/AP

"Patrimônio lunar da humanidade"

Os três rovers, seis bandeiras americanas, dezenas de sondas, ferramentas, câmeras e resíduos são alguns objetos das centenas de unidades que estão espalhadas pela Lua. Vários especialistas querem inscrevê-los em um "patrimônio lunar da Humanidade".

Os itens não estão restritos às missões Apollo: os primeiros datam de 13 de setembro de 1959, quando a sonda soviética Lua 2 caiu no Mar da Chuva.

Segundo a organização For All Moonkind, pelo menos 167 toneladas de material permanecem no satélite terrestre.

Esses itens não têm nenhuma proteção jurídica, explica Michelle Hanlon, professora de Direito na Universidade do Mississippi que cofundou a For All Moonkind em 2017, após uma brincadeira do chefe da Agência Espacial Europeia, Jan Wörner, que disse querer voltar à Lua para roubar uma bandeira americana.

"As marcas dos passos, as marcas de pneus e os lugares onde se encontram objetos muito importantes de um ponto de vista arqueológico não têm nenhuma proteção", disse Hanlon.

A professora teme que os lugares visitados pelas missões Apolo chamem a atenção de turistas espaciais algum dia. E a projeção de poeira lunar, cortante como vidro, pode danificar os materiais.

Senadores do Congresso americano apresentaram um texto para criar áreas de patrimônio cultural protegidas e zonas proibidas na Lua.

O Tratado sobre o Espaço (1967) é muito claro: a Lua "não pode ser alvo de uma apropriação nacional por reivindicação de soberania, uso, ou ocupação".

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*Com informações da AFP

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