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Saiba como preservar o veículo e economizar combustível ao subir ladeiras

Rodar com frequência em vias muito inclinadas exige mais dos componentes mecânicos do automóvel - Eduardo Anizelli/Folhapress
Rodar com frequência em vias muito inclinadas exige mais dos componentes mecânicos do automóvel
Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Daniel Leite

Colaboração para UOL Carros, em Juiz de Fora (MG)

30/06/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Mantenha as rotações do motor na faixa adequada
  • Na descida, use o freio-motor para poupar os freios
  • Utilize o freio de estacionamento ao arrancar em subidas

Em ladeiras íngremes, o consumo de combustível fica maior e itens como motor, pneus e outros componentes do veículo são mais exigidos. Por conta disso, quem costuma dirigir com frequência em vias do tipo deve adotar cuidados para evitar desgaste prematuro de peças e até acidentes. Confira dicas selecionadas por UOL Carros.

Manter as rotações do motor entre 3.000 e 4.000 rpm, utilizando a marcha adequada, é uma das regras básicas para minimizar o gasto de combustível em qualquer situação. O lembrete é de Alessandro Rubio, supervisor de pesquisa e conteúdo do Cesvi Brasil.

De acordo com especialista, tanto em veículos manuais quanto em modelos automáticos a orientação é utilizar o acelerador para manter as rotações dentro da faixa citada, em velocidade constante. "No caso dos automáticos, se não for respeitada essa dica, o motor vai perder potência e reduzir a marcha. Aí você vai acelerar, ele vai subir a rotação e trocar de marcha de novo. Dependendo da ladeira, o carro não terá força para subir e vai reduzir de novo, ficar nesse troca-troca de marcha".

Em alguns modelos automáticos, a recomendação é usar o câmbio no modo manual, mantendo o carro em segunda marcha, se possível.

O instrumentador cirúrgico Pablo Fernando Ferreira dirige um Chevrolet Agile 1.4 e sente falta de maior potência para superar sem tanto sofrimento os morros em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Ele procura subir sempre em velocidade constante para não exigir muito do motor e sem trocar toda hora a marcha. Na medida do possível, busca vias alternativas. "Principalmente pelo meu carro ser pesado, com motorização abaixo do que ele necessita", explica.

De acordo com a Prefeitura de Juiz de Fora, apenas 1/3 da cidade conta com área plana, aproximadamente.

A região do município conhecida como Cidade Alta é onde motoboy Leandro Rodrigues entrega refeições, rodando quatro horas e meia diariamente em uma moto de 150 cm³. Ele calcula que sete de cada dez ruas onde vai são morros. Sem forçar o motor, gasta de três a três litros e meio de gasolina para percorrer cerca 90 km por dia. "Ando tranquilo, sem acelerar muito. Eu busco não abusar porque o combustível está caro".

Vias muito acentuadas merecem uma atenção à parte do poder público, tanto que, por segurança, lei municipal diz que a inclinação das ladeiras para loteamentos legalizados não pode superar 25% por causa da passagem de ônibus e outros veículos pesados.

Para efeito de comparação, a avenida Brigadeiro Luis Antônio, em São Paulo, parte final da Corrida de São Silvestre, tem cerca de 7% de inclinação máxima.

Embreagem pode durar 30% menos

Considerando que a idade média dos automóveis no país é de 9,7 anos, a maior dos últimos 18 anos, ficar de olho no desgaste dos componentes e fazer revisão é indispensável. Freio, embreagem e pneus são os que mais sofrem, especialmente se você rodar bastante em vias íngremes.

Em subidas fortes, se estiver dirigindo um carro com transmissão manual, o indicado é priorizar o uso do freio de mão para arrancar em vez do controle de embreagem. Se preferir, em alguns momentos, utilizar o pedal, a recomendação é não ficar segurando o carro na embreagem para evitar o desgaste do sistema, diz Alessandro Rubio. "Desgasta de uma tal forma que a embreagem vai durar um terço, às vezes um quarto da quilometragem para a qual foi projetada".

Tanto em veículos manuais quanto em automáticos, descidas muito acentuadas pedem o uso do freio motor. Se apostar só no sistema de freios, a chance de superaquecer é grande, reduzindo a eficiência. Sem mencionar a redução na vida útil de discos e pastilhas.

Quanto aos pneus, o desgaste é mais acentuado ao rodar bastante em ladeiras. "É a hora em que o pneu precisa de mais contato e desgasta mais borracha. Na subida e na descida, você usa essa frenagem e aceleração com mais frequência e aí o desgaste do pneu vai ser prematuro". Novamente, o freio-motor e uma condução constante e suave são aliados para preservar os pneus.

"Parecem paredões para você escalar". A afirmação é de Cristiane Pereira, coordenadora de comunicação residente em Belo Horizonte (MG), cidade na qual ela tenta ao máximo fugir das ladeiras.

Não há um levantamento oficial que diga quanto do território é plano e quanto é morro na capital mineira. O que a prefeitura já mapeou foi a inclinação de quase cinco mil quilômetros de vias, e a média foi de 12,5% -- no entanto, há casos de ladeiras mais de 50%.

Na hora de arrancar com o carro motor 1.6, a coordenadora de comunicação e marketing só usa freio de mão. Mesmo dirigindo um carro 1.6, desliga o ar-condicionado várias vezes para vencer as subidas. "Ninguém merece essas ruas íngremes", ela completa.

Morros podem fazer você antecipar revisão

Condições severas de direção são, inclusive, citadas nos manuais dos veículos. Eles alertam que a revisão seja feita com maior frequência nessas situações -- como, por exemplo, em congestionamentos e em relevos muito acidentados, a exemplo das temidas ladeiras.

Por isso, dependendo das características de cada cidade, problemas mecânicos podem aparecer em menor espaço de tempo. "Você vai ter um desgaste maior mesmo. É muito claro que, em determinadas situações, o carro de Brasília vai durar mais do que o carro de Belo Horizonte, e Belo Horizonte é uma cidade bem característica de morros. Já Brasília, não, é muito mais plana", ressalta Rubio.

Athos Carvalho, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da PUC Minas, destaca que carros de entrada, com motores menos potentes e sem tantos itens de segurança e assistência, estão mais sujeitos ao desgaste prematuro e a situações perigosas -- caso não sejam utilizados corretamente.

Em um dia chuvoso, a aderência dos pneus é menor e compromete a segurança, já que os veículos mais simples não possuem o assistente de partida em rampa para permitir ao motorista tirar o pé do freio e acelerar sem o carro se deslocar para trás, explica o professor. "O motorista precisa ter uma destreza maior para jogar a quantidade de torque nas rodas e tirar o veículo da inércia em segurança".

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no 5° parágrafo desta matéria, Pablo Fernando Ferreira é instrumentador cirúrgico, e não instrumentista. A informação foi corrigida no dia 1º/7/2019.

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