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Nissan Kicks promete chegar com preço menor que o do EcoSport

Nissan Kicks de produção deverá ser revelado até o final deste ano e chega em 2016 - Murilo Góes/UOL
Nissan Kicks de produção deverá ser revelado até o final deste ano e chega em 2016 Imagem: Murilo Góes/UOL

André Deliberato

Do UOL, em Le Mans (França)

17/06/2015 18h22

A Nissan diz ser a responsável pelo surgimento dos crossovers pelo mundo. "Crossover" é termo utilizado na indústria do automóvel para identificar um carro que mescle características de dois segmentos diferentes -- por exemplo, um modelo que tenha estilo e funcionalidade de utilitário e desenho de hatch.

O Qashqai, um dos carros que a marca deve vender no Brasil até 2016, foi o "primeiro crossover da história", diz a empresa. Desde a primeira geração, une desenho e espaço de SUV à proposta urbana e dirigibilidade de sedã/station.

A bola da vez está no segmento dos compactos, e a marca tem sua aposta colocada à mesa desde o último Salão de São Paulo, em outubro passado: o Kicks. O modelo de produção deve surgir até o final deste ano e se tornar real em 2016. Sua produção deve acontecer no Brasil e no México.

Já há uma certeza: o preço da versão de entrada será menor que o do Ford EcoSport inicial. "A Nissan tem como costume oferecer produtos mais baratos e tão bem equipados quanto os principais modelos de cada categoria", afirmou um dos executivos da fabricante. Espere por uma etiqueta inicial de cerca de R$ 60 mil.

Ficou para trás

Os mais fanáticos, portanto, agora devem se perguntar: se a Nissan foi mesmo a empresa que criou os crossovers, como ela pode ficar de fora de um mercado como o brasileiro, que sofre queda no geral, mas está totalmente aquecido no segmento de suvinhos? Em outras palavras: por que o Kicks ainda não foi lançado?

"Estamos fora porque ainda precisamos nos estabelecer no país antes de mostrar nossa força. Se já estivéssemos com os 5% do mercado local que planejamos ter, seria mais fácil". Estas foram as palavras de Roel de Vries, vice-presidente mundial de marketing da Nissan, durante papo com UOL Carros em Le Mans.

"Sabemos da relevância do Brasil no segmento de crossovers, atualmente o mais importante para a Nissan. Mas não podemos chegar de uma vez, é preciso nos fortalecer -- lojas, setor de peças e atendimento -- antes de entrarmos com um carro de volume nessa categoria", avisa o executivo.

"É por isso que pretendemos chamar a atenção dos clientes com nossos carros maiores [Juke, Qashqai e X-Trail] para consolidar a imagem da marca. Aí sim, depois, entramos no segmento onde hoje o EcoSport é líder", completou.

Carlos Ghosn, chefão da Renault-Nissan, apresenta novo Qashqai na Europa - Divulgação - Divulgação
Novo Qashqai será feito no Reino Unido, talvez no México, e chega ao Brasil até 2016
Imagem: Divulgação

Kicks mais barato que Eco

Ao ser informado por UOL Carros de que o EcoSport não é mais o líder do segmento, nem em vendas acumuladas -- o Honda HR-V deve ultrapassá-lo ainda este mês --, de Vries se mostrou surpreso, mas confiante. "O Kicks é um conceito que vocês devem levar muito a sério, pois é um protótipo com intenções reais. O retorno que tivemos depois de apresentá-lo em São Paulo foi muito bom. As coisas ainda podem mudar, mas ele deve ser este carro de volume que precisamos."

Nissan Juke em Genebra - Newspress - Newspress
Juke vai ter vida curta no Brasil, pois não terá nova geração; Kicks será seu sucessor
Imagem: Newspress

Juke tampão

O Juke deve mesmo ser um modelo-tampão: chega para "esquentar a cadeira" da Nissan entre SUVs compactos, mas com prazo certo para ser substituído pelo Kicks. Além disso, o modelo não deve mais ser feito no México, algo que havia sido cogitado há alguns anos pela imprensa especializada. Seu provável destino é aposentadoria: a Nissan sequer cogita produzir uma nova geração do modelo.

Quem deve ser produzido no país latino, visando também o mercado dos EUA, são os novos Qashqai e X-Trail. Dessa forma, os dois -- que serão importados junto com o Juke do Reino Unido para o Brasil -- também podem passar a vir do México num futuro breve, deixando os preços mais competitivos.