Obama saúda desempenho das três grandes, mas se enrola na GM

Barack Obama saudou o bom momento da indústria automotiva americana, em estado de euforia após quase quatro anos de depressão (cujo auge foi sentido no biênio 2008/09), e afirmou que General Motors, Ford e Chrysler servem de exemplo para toda a economia do país.
O presidente dos Estados Unidos, que disputa a reeleição em novembro, aproveitou seu último discurso sobre a situação do país (saiba mais aqui), feito ante o Congresso na noite de terça-feira (24), para fazer um afago no setor automotivo. Combalida durante o período de crise a ponto de fechar quase 200 mil vagas de emprego e de ver GM e Chrysler semi-estatizadas, a indústria de carros retomou o crescimento e faz planos ambiciosos para o futuro, como ficou provado durante a última edição do Salão de Detroit, encerrada no domingo (22).
"Nós apostamos nos trabalhadores americanos, apostamos na inovação dos americanos e hoje a indústria automotiva americana ressurgiu", afirmou Obama, arrancando aplausos de congressistas e convidados presentes à sede do Capitólio em Washington.
Obama citou os principais feitos de cada uma das três gigantes, mas aproveitou para capitalizar sobre o retorno da GM à liderança mundial de vendas -- as principais marcas do grupo (Chevrolet, Buick, Cadillac e GMC) entregaram 9,03 milhões de veículos em 2011, deixando para trás a europeia Volkswagen (8,66 milhões de unidades) e a japonesa e antiga líder Toyota (7,9 milhões).
"A GM voltou ao topo como a fabricante número 1 do mundo. A Chrysler está crescendo mais rápido do que outra grande marca nos Estados Unidos. E a Ford está investindo bilhões de dólares em fábricas e novas unidades nos país. Juntas, criaram cerca de 160 mil novos empregos nos últimos dois anos", apontou o presidente americano.
PERTO DEMAIS
A apologia, por assim dizer, da General Motors pelo presidente Obama não foi bem recebida por todos, porém. De acordo com a agência "Bloomberg", os congressistas republicanos acharam os elogios feitos pelo chefe da nação intimistas demais.
"Essa relação fora do comum cruzou a linha que separa o setor público do privado, conforme o presidente Obama propagandeia que a sobrevivência da General Motors é um dos grandes feitos de sua administração", declara o relatório da ala republicana do Comitê de Supervisão e Reforma Governamental.
O relatório republicano vai além e aponta que os atuais interesses do mandatário da Casa Branca se opõem a função que o governo deveria ter de vistoriar a situação das fabricantes: "No ambiente político, este relacionamento levanta sérias suspeitas sobre o quanto a atual administração está, ou não, interessada no sucesso da GM para servir como regulador".
No auge da crise em 2008/09, Apenas a Ford passou pelo período de nuvens negras sem recorrer à ajuda pública. O governo americano tornou-se o principal controlador das outras duas grandes fabricantes do país: primeiro, emprestou US$ 53 bilhões (cerca de R$ 90 bilhões à época) para a GM, além de perdoar quase US$ 90 bilhões (cerca de R$ 150 bilhões) em dívidas trabalhistas; depois, liberou verbas para que a Chrysler se reestruturasse, condicionadas à aliança com a Fiat e a metas regulares, que vêm sendo cumpridas a rigor.
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