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Carlos Ghosn já deixou cadeia e não poderá falar com mulher sem autorização

Com semblante abatido, Carlos Ghosn deixa casa de detenção em Tóquio após pagar fiança de R$ 17,8 milhões - Behrouz Mehri/AFP
Com semblante abatido, Carlos Ghosn deixa casa de detenção em Tóquio após pagar fiança de R$ 17,8 milhões
Imagem: Behrouz Mehri/AFP

De Tóquio (Japão)

25/04/2019 10h06Atualizada em 25/04/2019 12h33

Resumo da notícia

  • Ex-executivo será solto com fiança de R$ 17,8 milhões
  • Condições para liberdade são severas
  • Razões de soltura ainda não foram esclarecidas
  • Promotoria vai recorrer da decisão de tribunal
  • Ghosn é acusado comprar iate de R$ 53 mi com dinheiro irregular

O tribunal de Tóquio autorizou nesta quinta-feira (25) a libertação sob fiança do ex-presidente da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, na cadeia desde o começo de abril, depois de ser preso novamente. Ele já deixou o centro de detenção na capital japonesa.

As condições impostas a Ghosn, de 65 anos, são severas. Por exemplo, só poderá ver sua esposa se o tribunal aprovar. A Procuradoria recorreu imediatamente, considerando "lamentável" que o tribunal tenha autorizado sua libertação "apesar do risco de destruição de provas", segundo um comunicado do procurador-adjunto. A apelação foi rejeitada.

O pagamento de uma fiança de 500 milhões de ienes (R$ 17,8 milhões) já foi feito. Carlos Ghosn já havia pago uma grande quantia -- 1 bilhão de ienes ou R$ 35,6 milhões -- para obter o direito de deixar o centro de detenção de Kosuge (norte de Tóquio) em 6 de março, após 108 dias de prisão.

Na ocasião, o ex-presidente da Renault-Nissan deixou a prisão disfarçado com um boné azul, um uniforme de operário, óculos e uma máscara protetora branca, com a intenção de passar despercebido, mas que o fez virar motivo de chacota. O advogado idealizador desta cena teve que se desculpar por esse "fracasso" que manchou a reputação de seu cliente. Desta vez, Ghosn deve sair em condições menos bizarras.

"Insuficiência renal"

As razões para a sua libertação não foram divulgadas.

Os advogados de Ghosn destacaram um problema médico. "Ele sofre de insuficiência renal crônica e detalhamos esta informação em nosso pedido", explicou seu principal advogado, Junichiro Hironaka, no início desta semana. Se ele sair da prisão, estará sujeito a condições estritas: "prisão domiciliar, proibição de deixar o Japão e outras condições para evitar a destruição de provas e a fuga", segundo o tribunal.

Ele também só poderá ver sua esposa "se o tribunal aprovar uma solicitação" a esse respeito, explicou Hironaka à imprensa. Carole Ghosn está na mira da acusação por seu suposto papel em um dos elementos do caso e por ter contatado os protagonistas do caso.

Durante a sua libertação anterior, Carlos Ghosn foi autorizado a ver sua família em um apartamento alugado em Tóquio, do qual não poderia se ausentar por mais de três dias. Ele vai voltar para a mesma casa, segundo seu advogado.

Críticas à justiça

Ghosn é alvo de quatro denúncias por malversação financeira, incluindo sonegação de impostos. A última denúncia, realizada na segunda-feira, o executivo foi acusado de abuso de confiança com agravante relacionado ao desvio de fundos da Nissan. Ghosn, 65 anos, que tem cidadania francesa, libanesa e brasileira, é suspeito de transferir dinheiro da Nissan para um distribuidor de veículos da marca em Omã.

De acordo com fontes próximas ao caso, o dinheiro foi transferido por meio de uma empresa no Líbano para o Shogun Investments LLC, um fundo nos Estados Unidos controlado por Anthony, filho de Ghosn. Parte do dinheiro também teria sido utilizado na compra do "Schachou" (patrão em japonês), um iate luxuoso avaliado em 12 milhões de euros (R$ 53,1 milhões).

O executivo, que já foi o todo-poderoso presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi Motors, foi denunciado duas vezes por não declarar todos os rendimentos entre 2010 e 2018 nos documentos que a Nissan entregou às autoridades financeiras japonesas. Também foi denunciado por abuso de confiança, entre outras coisas, pela tentativa de fazer a Nissan compensar as perdas em seus investimentos pessoais durante a crise financeira de 2008.

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