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Mortes de motociclistas também são problema nos EUA

Acidente com moto se tornou rotina na Marginal Pinheiros, em São Paulo (SP), mas o problema não é só nosso: nos EUA, morrem 4.500 motociclistas por ano - Diogo Moreira/Futura Press
Acidente com moto se tornou rotina na Marginal Pinheiros, em São Paulo (SP), mas o problema não é só nosso: nos EUA, morrem 4.500 motociclistas por ano Imagem: Diogo Moreira/Futura Press

Do UOL, em São Paulo (SP)

25/05/2012 17h07

Não é de hoje que o número de mortes de motociclistas no Brasil é assustador. Dados do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, mostram que essa taxa quase triplicou em nove anos -- a quantidade de óbitos em acidentes de moto subiu de 3.744 (2002) para 10.143 pessoas (2011). A tendência é piorar ainda mais, já que a chegada de novos motociclistas é incessante. E engana-se quem acha que o problema é só no Brasil.

Nos Estados Unidos, segundo recente relatório divulgado pela Associação do Governo de Segurança Rodoviária (GHSA, em inglês), o número de óbitos causados por causa de acidentes de moto em 2011 continuou tão trágico quanto em 2010: cerca de 4.500. Ou seja, todos os incentivos para aumentar a educação no trânsito e as medidas de segurança adotadas pelo governo americano, em 2010, foram em vão.

A pesquisa foi feita nos 50 Estados dos EUA e o resultado foi equilibrado: em 24 deles a taxa de mortalidade diminuiu; nos outros 26, aumentou. De acordo com James Hedlund, responsável pelo relatório da GHSA, os dados estão diretamente ligados à economia americana -- quanto maior a oferta de combustível, maior a quantidade de motociclistas e, consequentemente, o número de mortos.

Outro fator que assusta nos EUA é o fato de apenas 19 Estados exigirem a obrigatoriedade do capacete para pilotar motos -- nos outros, o equipamento é opcional. Para Troy Costales, presidente da GHSA, o resultado do relatório é decepcionante. "É triste não termos progresso na segurança dos motociclistas. Precisamos rever nossas leis, como a do uso do capacete. Se nada mudar, ficarei ainda mais preocupado com os próximos dados. A boa notícia é que normas de conduta e educação já existem e estão aí", afirma.

Cinco regras básicas para diminuir o índice foram apresentadas e sugeridas no novo relatório: o uso obrigatório do capacete, que provou ser 37% mais eficaz na prevenção de lesões fatais em acidentes; redução do consumo de álcool (em 2010, 29% das mortes registradas aconteceram por causa do excesso de álcool no sangue); diminuição do limite legal de velocidade (causador de 35% das mortes) e melhoramentos nos sistemas de treinamento e educação de motociclistas no trânsito, por meio de programas incentivadores.