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Como Maradona e o povo argentino me salvaram na travessia de bike pelo país

Passagem por Buenos Aires rendeu uma foto no bairro La Boca, onde Maradona é ainda mais venerado - Diego Salgado
Passagem por Buenos Aires rendeu uma foto no bairro La Boca, onde Maradona é ainda mais venerado Imagem: Diego Salgado
Diego Salgado

Repórter do UOL desde 2015, com passagens por Estadão e Portal 2014. Ciclista há 20 anos na cidade de São Paulo, já pedalou por 10 países e atravessou sozinho a América do Sul e a Europa. A Oceania é o próximo desafio.

30/11/2020 10h35

Todo o peso de atravessar sozinho um país em uma bicicleta simples de repente se transformou em leveza. Graças ao povo argentino. Graças, também, a Diego Armando Maradona. Em 2018, acertei sem tal pretensão, porque foi na última hora que decidi prender uma placa com meu nome no quadro da bike: DIEGO, em azul e branco, cores da Argentina, simples e relevante ao mesmo tempo.

Pois foi com ela a tiracolo que recebi todos os afagos possíveis na travessia da Rota 7 argentina, em pouco mais de 1.100 km, por cidadezinhas, vilarejos, cidades médias. Imagine a situação: uma bicicleta carregada de bagagem, com uma bandeira do Brasil à mostra e uma placa com sangue argentino com o nome da pessoa mais importante para o país.

Atravessei dezenas de portais sob olhares curiosos, em 19 dias. E recebi a ajuda que precisava para completar os 1.939 km, de Rio Grande a Valparaíso, do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Não é exagero dizer que foi isso que me levou à frente, porque no Uruguai, em um trajeto menor, sem tal receptividade, o cansaço e a possibilidade de desistência andaram por perto.

Bike - Acervo - Acervo
Encontros na Rota 7 argentina aconteceram todos os dias da travessia rumo ao Pacífico
Imagem: Acervo

Um lugar calmo para dormir em Rufino. Um banho quente em General Levalle. Uma noite de conversas em Diego de Alvear. Um jantar em Vedia. Uma Coca-Cola de presente em Justo Daract. Algumas roupas lavadas em Fraga. Mais abrigo em Balde. Zelo em Desaguadero. Ajuda necessária com a bike em La Dormida. Uma carona salvadora em Potrerillos. Um abrigo em Uspallata.

Sempre com menção à placa que ganhei ainda na infância e por anos ficou pendurada na porta do meu quarto. Um tesouro descoberto. A solidariedade, o acolhimento e a maneira de receber os viajantes. Tudo isso me fez esquecer os perigos da estrada.

E me faz lembrar com carinho do povo argentino e de Diego Armando Maradona.

Bike 2 - Diego Salgado - Diego Salgado
Minha bike carregada de bagagem, uma bandeira do Brasil e a placa azul e branca
Imagem: Diego Salgado