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Kelly Fernandes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mobilidade ativa: como transformar rotina de transporte em exercício físico

Rahel Patrasso/Xinhua
Imagem: Rahel Patrasso/Xinhua
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Kelly Fernandes

Arquiteta e urbanista pela FAU-Mackenzie e especialista em Economia Urbana e Gestão Pública pela PUC/SP. Profissionalmente atua como pesquisadora em mobilidade urbana e é envolvida com a defesa dos direitos de quem anda a pé, pedala e usa transporte público.

Colunista do UOL

20/08/2021 04h00

Incluir exercícios físicos na rotina pode ser algo desafiador diante da quantidade de tempo utilizada para dar conta de atividades como trabalhar, estudar, cozinhar, limpar etc. Porém, pequenas mudanças no dia a dia podem fazer bastante diferença, por exemplo, optar pela mobilidade ativa quando nos deslocamos para realizar algumas das atividades diárias, tornando alinhada para a realização de atividade física incidental, termo utilizado para nomear exercícios físicos realizados durante atividades corriqueiras e que no final beneficiam a saúde.

Mobilidade ativa é todo o deslocamento realizado apenas com o emprego da energia gerada pelo nosso corpo, como: andar a pé, pedalar, patinar etc.

Muita gente no Brasil já escolhe meios de transporte ativos para realizar deslocamentos diários, mas para algumas pessoas adotá-la como meio de transporte pode ser um desafio por conta das distâncias a percorrer, do tempo despendido ou das dificuldades no âmbito da segurança pública e de políticas de acessibilidade, sobretudo para pessoas com mobilidade reduzida ou com deficiência.

Porém, hoje quero apontar a forma de incluí-la na rotina diária como meio para colocar o corpo em movimento, considerando diferentes contextos.

Para quem mora longe do lugar de destino, uma opção é andar até um ponto de ônibus um pouco mais afastado da sua casa e mais próximo ao ponto de partida da linha, o que pode garantir um lugar para sentar no ônibus. Por vezes, caminhar um pouco mais pode também significar uma integração a menos no transporte coletivo, resultando em economia de tempo ou de dinheiro.

Outra opção é tirar o pó da bicicleta que está parada na garagem e pedalar até o terminal ou estação mais próxima, opção mais viável quando há bicicletários nos equipamentos de transporte.

A presença de lugares seguros para guardá-la com horários de abertura e fechamento compatíveis aos de operação do ônibus, metrô ou trem pode ser um fator de estímulo ao uso da bicicleta em complementaridade com o transporte público coletivo, isto é: intermodalidade.

Inclusive, dividir o deslocamento em etapas é uma boa estratégia. A mobilidade ativa pode ser utilizada tanto no primeiro trecho (conhecido no inglês como First Mile ou como "Primeira Perna" no português) antes do uso de um transporte coletivo, quanto depois, no último trecho (conhecido como Last Mile, ou "Última perna") utilizando o sistema de bicicletas compartilhadas ou simplesmente caminhando.

Se você é o tipo de pessoa que não abre mão de utilizar carro ou moto para fazer todo e qualquer deslocamento, uma alternativa pode ser estacionar o seu veículo um pouco mais distantes do seu local de destino.

Assim você pode incluir pelo menos alguns trechos de caminhada na sua rotina, além de economizar gastando menos gasolina por não precisar ficar dando voltas no quarteirão procurando uma vaga de estacionamento ou custeando estacionamentos com preços mais altos do que outros um pouco mais afastados dos locais com concentração de comércio, serviços e escritórios.

Algumas pessoas podem ter mais resistência em adotar a mobilidade ativa no horário noturno por conta de barreiras adicionais como a ausência de iluminação pública e outros fatores que geram sentimentos de insegurança. Mas talvez uma companhia possa tornar esse trajeto menos estressante e mais prazeroso, como uma carona a pé compartilhada com uma pessoa que faça um caminho similar.

Se ainda assim incluir trechos utilizando o transporte ativo parecer algo inviável, é possível optar por deixar a moto ou o carro em casa na hora de fazer deslocamentos mais curtos, como para fazer compras, levar as crianças até a escola e ir à academia etc.

Contudo, se a pandemia tirou muitos destes deslocamentos da sua rotina, mais uma opção pode ser substituir os pedidos feitos por sistemas de delivery por compras em restaurantes próximos de casa onde seja possível retirá-los pessoalmente.

Por fim, os finais de semana ou dias de folga também podem ser ótimos momentos para incluir a mobilidade ativa na rotina. Com menos cobranças em relação ao tempo necessário para chegar até a casa de pessoas amigas e familiares, igreja, terreiro, campo de futebol ou outro lugar de interesse, fica mais fácil aproveitar para percorrer as ruas em outro ritmo e conhecer mais a cidade ou encontrar pessoas conhecidas e ter boas conversas no caminho, coisas que um deslocamento em um carro ou moto jamais irá te oferecer.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL