Jorge Moraes

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Como decisão do governo de retomar imposto afetará planos da GWM no Brasil

A nova carga tributária para os híbridos e elétricos, que elevará os preços dos carros a partir do próximo mês, mexeu nos planos da GWM no Brasil. A fábrica manteve o discurso de lançar seu primeiro modelo produzido no país entre junho e julho, mas teve que refazer as contas e mudar de estratégia.

Diretor de assuntos governamentais da GWM e presidente da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos), Ricardo Bastos falou com UOL Carros sobre o desânimo que imposto para a cadeia de eletrificados estrangeiros causou no setor.

"Tínhamos um plano de largada e esse foi alterado. Precisamos agora produzir um carro que tenha foco no volume e na aceitação popular", afirmou.

Pelo nosso entendimento, a mudança nos planos afeta a produção nacional de uma picape e um utilitário sobre chassis. Com isso, o primeiro produto a ser feito no Brasil deve ser o SUV Haval H6, montado com baixo índice de nacionalização.

A Volvo comunicou ontem que aplicará entre 5% e 10% de reajuste nos preços a partir do próximo mês. Indagado sobre qual será a reação da GWM, Bastos afirmou que isso ainda não foi decidido. Precisam entender a conta, as cotas e como ficará tudo isso até os 20% totais de julho. Os 15% restantes ficaram para depois - até a metade de 2026.

Lembre-se de como fica: no caso dos carros híbridos, a alíquota do imposto começa com 12% em janeiro de 2024; 25% em julho de 2024; 30% em julho de 2025; e alcança os 35% apenas em julho de 2026.

Para híbridos plug-in, serão 12% em janeiro de 2024, 20% em julho de 2024, 28% em julho de 2025 e 35% em julho de 2026. Para os elétricos, a sequência é 10% (janeiro de 2024), 18% (julho de 2024), 25% (julho de 2025) e 35% (julho de 2026).

A divisão da nova carga tributária, que mais uma vez penaliza o consumidor, mas na ótica do governo federal protege e incentiva evolução tecnológica da indústria nacional, vai abrir espaço para que os fabricantes locais também reajustem os seus preços.

O mercado, no momento, vive gerando bônus e descontos de todos os ajustes de tabela que foram promovidos durante a pandemia. A política da escassez, insumos e o frete internacional, assim como a falta de componentes, justificava o fato. O dólar baixou, o frete lá de fora também, os insumos voltaram para a normalidade, mas os aumentos, que eram sucessivos, pararam porque o comprador entende que essa conta não poderia subir mais.

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"Sobre a decisão de repassar, ainda estamos fazendo algumas análises e o que pode acontecer. Primeiro se vamos passar tudo ou parcialmente. A outra questão é que estamos com várias ações promocionais, então vamos eventualmente tirar algumas de cena e fazer equilíbrio das contas partir de janeiro", afirmou Bastos.

"Importante destacar que subir de uma vez o preço dos produtos é tirá-los da prateleira, mas fracionar o ajuste e absorver alguma coisa será a estratégia utilizada. Enquanto associação, pedimos para que a equação dos impostos fosse mais suave, em mais parcelas, mas isso não funcionou", argumentou o executivo.

Todos subirão os preços

O aumento nos preços dos elétricos e híbridos a partir de janeiro não vai congelar os preços dos carros produzidos no Brasil. Em contrapartida, tornará a competição mais equilibrada diante do que entregam os modelos chineses importados.

É prática da indústria na virada de ano, no janeiro das oportunidades, vender o que sobra do estoque do ano anterior com bons descontos e aplicar percentuais novos na correção das tabelas para os veículos que estão em trânsito, fora do pátio das lojas.

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