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Citroën C4 Cactus: testamos o SUV que envelhece bem, mas nunca 'decolou'

José Antonio Leme

do UOL, em São Paulo (SP)

14/04/2021 04h00

Cerca de três anos após ser lançado no mercado, o C4 Cactus ainda não tem nenhuma mudança em relação ao modelo produzido em Porto Real (RJ) em 2018. O SUV compacto foi considerado pela marca francesa o produto mais importante da história da Citroën no País.

Se em três anos ele não teve mudança, não dá para dizer que isso é exatamente negativo. O modelo é bem equipado, bonito, mas tem algumas falhas que, digamos, são consideradas graves aos olhos do público que quer um SUV compacto. Especialmente na hora de buscar a essência da compra de SUV.

Atualmente, o modelo custa R$ 124.990 na versão de topo, Shine THP Pack automática e com motor 1.6 turbo e flexível, como a avaliada, mas a tabela começa em R$ 96.490 na versão Live 1.6 automática.

Será que o SUV da marca francesa ainda consegue enfrentar rivais que receberam atualizações e estão cada vez mais equipados? É o que vamos mostrar na avaliação de UOL Carros.

Murilo Góes/UOL

Citroën C4 Cactus

Carros
3,4 /5
USUÁRIOS
4,6 /5
ENTENDA AS NOTAS DA REDAÇÃO

Pontos Positivos

  • Equipamentos
  • Motor e câmbio

Pontos Negativos

  • Direção
  • Suspensão

Veredito

O C4 Cactus é bom carro na categoria e que vem completo desde sua chegada em 2018, com itens ou componentes que alguns rivais líderes de mercado só passaram a oferecer depois, como o motor turbo. Outros ainda não são oferecidos em alguns, como a frenagem autônoma. O visual que pouco reforça seu status de SUV e demora na chegada em relação à Europa atrapalharam o que poderia ser a virada da Citroën no País

Citroën C4 Cactus - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Design e espaço interno

O C4 Cactus tem um design inovador, uma marca dos modelos da Citroën. Três anos após o lançamento no Brasil, não dá para dizer que o visual esteja defasado. As linhas são modernas e a estética do "quadrado arredondado" ainda faz algum sucesso.

A dianteira tem mais personalidade com o duplo chevron, símbolo da marca, fazendo parte da grande e se juntando aos LEDs da luz de rodagem diurna na parte superior. O restante do conjunto óptico fica separado, na parte inferior, no para-choque. O estilo é o mesmo que ficou consagrado com a Fiat Toro.

Na traseira, as linhas são mais simples e menos inovadoras. Têm presença, não conversam tanto com a dianteira futurista, mas complementa bem o carro como um todo, já que até as lanternas tem formato retangular com os cantos arredondados.

Com um entre-eixos de 2,60 metros, o C4 Cactus está na média da categoria. Na "ficha", é maior que Nivus e Tracker, por exemplo. O espaço interno é bom para quem vai na frente. Atrás, acomoda bem dois adultos, mas quem vai no meio não tem muito conforto. O banco traseiro é levemente inclinado, uma forma de ampliar o espaço para as pernas e os joelhos.

Ele tem bons porta-objetos espalhados pela cabine e console central, o que facilita a vida a bordo de quem vai na frente. Além da entrada USB na central, oferece uma 12V para carregar outros dispositivos. O pequeno porta-objeto entre os bancos dianteiros não abre totalmente a tampa a 90º, além de não oferecer espaço suficiente para guardar muita coisa.

Citroën C4 Cactus - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Consumo e desempenho

Uma das joias do C4 Cactus Shine está sob o capô. A versão de topo usa hoje o motor mais potente da categoria entre os SUVs compactos. O 1.6 turbo desenvolve até 173 cv e 24,5 quando alimentado com etanol. Com gasolina, o torque é o mesmo e a potência para 166 cv.

Esse motor não é novo, veio do desenvolvimento da PSA com a BMW e, além dos carros da Peugeot-Citroën, era usado em versões de entrada dos modelos alemães e na família Mini. Com a tecnologia flexível, chegou apenas nos modelos do grupo francês.

Ele vem associado a um câmbio automático de seis marchas com opção de trocas na alavanca e os modos Sport e Eco - o primeiro estica as marchas, para dar mais rendimento antes de cada troca, enquanto o segundo antecipa as trocas focado em economia de combustível.

No uso, esse motor transforma o C4 Cactus em um carro muito divertido de guiar. Dá uma pegada mais esportiva ao modelo e nunca falta fôlego, especialmente em retomadas e ultrapassagens. Essas tarefas, que em alguns rivais é bem sofrível de fazer, no caso do Cactus, o motorista faz com "os pés nas costas".

Isso porque o torque máximo está disponível já a 1.400 rpm, um giro baixo, o que garante que não é preciso "esgoelar" o motor para atingir a faixa de melhor rendimento. O câmbio automático faz trocas suaves e sem trancos. Ele é um pouco lento quanto se usa o modo manual, mas a maioria dos usuários nunca aposta nessa função.

O conjunto traz ainda o Grip Control, um sistema preestabelecido que altera os parâmetros de entrega da força nas rodas e das trocas de marcha conforme o piso. Ele é acionado por meio de um seletor no console central.

São quatro modos: neve, areia, lama e padrão; esse último é destinado ao uso no asfalto. Além disso, é possível desligar o sistema para uso em velocidades de até 50 km/h - acima disso o sistema reativa sozinho para o modo padrão.

Os dados de consumo são adequados, mas nada surpreendentes. Com etanol, o C4 Cactus faz 7,2 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada. Já com gasolina, os números são de 8,9 km/l na cidade e 12,6 km/l na estrada.

Lembrando que esses são os dados divulgados pelo Inmetro, conforme exige a etiquetagem veicular. É possível, dependendo do estilo de condução de cada motorista, que o consumo seja maior ou menor.

A suspensão ainda é o ponto fraco do Citroën. Mesmo com diversos ajustes em relação ao carro europeu, ela tem pancadas secas e transfere muito o som para dentro da cabine, o que deixa no ar que falta isolamento acústico nessa área. Se o piso for bom, ele roda suave. Na rolagem da carroceria, o trabalho é exemplar e a carroceria não balança muito nas curvas.

A direção com auxílio elétrico ao invés de hidráulico é muito leve. O que na cidade é um tremendo alívio, especialmente na hora de realizar manobras, na estrada a velocidade de cruzeiro, deixa o carro muito "bobo" na mão do motorista, sem passar exatamente o que ocorre no contato com o solo.

Outra coisa que incomoda bastante é, especialmente em velocidades de estrada, entre 100 km/h e 120 km/h, como o volante "briga" com o condutor, gerando uma força para o lado contrário da curva, como se resistindo aos comandos.

Citroën C4 Cactus Shine 1.6 THP Pack - DIVULGAÇÃO - DIVULGAÇÃO
Imagem: DIVULGAÇÃO

Equipamentos

A versão de topo Shine Pack, desde à chegada ao país, é uma das mais completas da categoria. O modelo oferece frenagem autônoma de emergência com alerta de colisão dianteira, alerta de saída de faixa de rodagem e assistente de partida em rampa (hill holder).

Traz ainda retrovisor interno eletrocrômico e externos com ajustes elétricos, sensor de pressão dos pneus e chave presencial com partida por botão. Outros equipamentos de série são o controle de velocidade de cruzeiro (piloto automático) com função de limitador de velocidade - muito útil na cidade, para evitar os radares com mais facilidade.

A central multimídia tem 7 polegadas, medida que hoje ficou um pouco abaixo da média de outras encontradas. Ela tem integração com Android Auto e Apple Carplay via cabo, além de Bluetooth e entrada USB. O ar-condicionado é digital e automático. O painel de instrumentos todo digital talvez seja o item mais datado do C4 Cactus, mas ao menos é bem completo.

O volante é multifuncional com comandos de áudio, computador de bordo e telefone, e é revestido de couro, tal qual os bancos. Ambos têm ajuste de altura e, no caso do volante, também de profundidade. Essa combinação facilita encontrar a melhor posição de pilotagem, não importa a estatura do motorista.

Citroën C4 Cactus Shine 1.6 THP Pack - DIVULGAÇÃO - DIVULGAÇÃO
Imagem: DIVULGAÇÃO

Manutenção e segurança

Como versão mais completa, ela é também assim em termos de segurança. São seis airbags (dois dianteiros, dois laterais para os bancos dianteiros e dois cortina, que pegam a cabeça dos ocupantes da frente e do banco traseiro), controles de tração e estabilidade.

Para fixação de dispositivos de retenção, como cadeirinhas ou assento de elevação, o C4 Cactus oferece os sistemas Isofix e o Top Tether. E, como pede a legislação, traz encostos de cabeça e cinto de três pontas para todos os ocupantes.

O valor das seis primeiras revisões, a cada 10 mil km, é fixo e pode ser encontrado no site da marca. O custo total nesse período é de R$ 4.165. Um valor um pouco salgado, particularmente se comparado a rivais que não cobram as três primeiras.

Citroën C4 Cactus Shine 1.6 THP Pack - DIVULGAÇÃO - DIVULGAÇÃO
Imagem: DIVULGAÇÃO

Mercado

O futuro do C4 Cactus é um tanto nebuloso. O modelo chegou tarde ao Brasil, uma vez que foi lançado na Europa em 2015. Ou seja, levou três longos anos, enquanto rivais que hoje vendem no topo da tabela já estavam por aí, como Jeep Renegade e Nissan Kicks.

Hoje, ele já saiu de linha na Europa, o que significa que qualquer mudança será, exclusivamente, para o modelo fabricado em Porto Real (RJ) - e justificar esse investimento é difícil, ainda mais agora dentro do grupo Stellantis.

Pensando apenas no produto, o que mais sacrifica o C4 Cactus dentro do mercado de SUVs é seu porte. No semáforo, ele fica na mesma altura de alguns hatches. Isso significa que duas das coisas mais apreciadas por quem busca um SUV compacto ele não oferece: posição de guiar elevada e porte superior aos demais veículos nas ruas.

A versão de topo do C4 Cactus de longe é a melhor delas, especialmente pelo conjunto mecânico. As demais sofrem bastante em termos de desempenho com o raquítico motor 1.6 flexível de até 118 cv. Sempre com câmbio automático, abandonou qualquer pretensão de reduzir o preço oferecendo uma versão manual, pouco procurada em todos os rivais.

Hoje a categoria é uma briga de foices com tantos concorrentes que flutuam dentro da mesma faixa de preço e tamanho, mas cada um com uma proposta, inovação ou chamariz para o consumidor. O C4 Cactus terá muito trabalho daqui em diante, especialmente em 2021, sendo único veículo de passeio à venda pela Citroën no Brasil.

Mecânica
  • Motorização

  • 1.6, 4 cil., 16V, turbo, flexível

  • Combustível

  • Etanol / Gasolina

  • Potência (cv)

  • 173 / 166 @ 6.000 rpm

  • Torque (kgf.m)

  • 24,5 @ 1.400 rpm

  • Aceleração de 0 a 100 (segundos) (km/h)

  • 7,3 / 7,5

  • Velocidade máxima (km/h)

  • 212

  • Consumo cidade (km/l)

  • 7,2 / 10,4

  • Consumo estrada (km/l)

  • 8,9 / 12,6

  • Câmbio

  • Automático, 6 marchas

  • Tração

  • Dianteira

  • Direção

  • Elétrica

  • Suspensão Dianteira

  • Independente, McPherson

  • Suspensão Traseira

  • Eixo de torção

  • Freios Dianteiros

  • Discos ventilados

  • Freios Traseiros

  • Discos sólidos

Pneus e Rodas
  • Pneus

  • 205/55 R17

  • Rodas

  • 17 polegadas

Dimensões
  • Altura (mm)

  • 1563

  • Comprimento (mm)

  • 4170

  • Entre-eixos (mm)

  • 2600

  • Largura (mm)

  • 1714

  • Ocupantes

  • 5

  • Peso (kg)

  • 1214

  • Porta-malas (L)

  • 320

  • Tanque (L)

  • 55

Preço das Revisões, Seguro e Garantia
  • 10.000 km

  • R$ 595

  • 20.000 km

  • R$ 980

  • 30.000 km

  • R$ 595

  • 40.000 km

  • R$ 1.400

  • 50.000 km

  • R$ 595

  • 60.000 km

  • R$ 980

  • Garantia

  • 3 anos

Equipamentos
  • Airbags Motorista

  • Airbags Passageiro

  • Airbags Laterais

  • Airbags do tipo Cortina

  • Controle de Estabilidade

  • Controle de Tração

  • Freios ABS

  • Distribuição Eletrônica de Frenagem

  • Ar-Condicionado

  • Travas Elétricas

  • Ar Quente

  • Piloto Automático

  • Volante com Regulagem de Altura

  • Vidros Elétricos Dianteiros

  • Vidros Elétricos Traseiros

  • Central Multimídia

  • Rádio FM/AM

  • Entrada USB

  • Banco de Couro

  • Banco do motorista com ajuste de altura

  • Desembaçador Traseiro

  • Computador de Bordo

  • Acendimento automático dos faróis

  • Faróis de neblina

  • Frenagem autônoma de emergência

  • Alerta de permanência em faixa

  • Sensor de pressão dos pneus

  • Alerta de colisão

  • Faróis com regulagem de altura