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Ambiente favorece a privacidade e a tranquilidade na hora do parto; entenda

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Imagem: iStock

Janaína Silva

Colaboração para VivaBem

04/05/2022 04h00

Quem já é mãe sabe que a hora da chegada do bebê é sempre especial e muitas mulheres —e homens trans com útero— que se preparam para esse momento têm diversas dúvidas e angústias, principalmente relacionadas ao parto, tais como medo da dor e, também, de situações abusivas, a temida violência obstétrica.

Segundo Ádyla Keila Lopes Silva Oliveira, obstetra, diretora técnica da MCO-UFBA (Maternidade Climério de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia), ligada à rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), o crescente aumento de cesarianas no Brasil e em todo o mundo torna necessária a criação de medidas que estimulem as futuras mães a voltarem a desejar o método normal, via canal vaginal, e, assim, o número de unidades especializadas em assistência humanizada tem crescido bastante.

"O parto humanizado não está relacionado a um tipo específico, mas, sim, a uma série de práticas acolhedoras e respeitosas que considera os desejos da mãe e o funcionamento do seu corpo fundamentado em evidências científicas", esclarece. Esse parto pode tanto ocorrer na residência da gestante, em casas de parto ou mesmo em um hospital tradicional.

Sentir-se acolhida é vital nesse contexto. "O parto constitui um evento natural e os resultados são melhores na evolução do processo e no nascimento quando a mãe é amparada de forma adequada tanto pela equipe médica quanto pelos familiares, nos quais ela confia", afirma Ricardo Porto Tedesco, ginecologista e professor titular de obstetrícia da FMJ (Faculdade de Medicina de Jundiaí).

A mulher —e os homens trans com útero— e o bebê são os protagonistas e sabe-se que é um momento em que se fica mais sensível, sendo o conforto e a segurança primordiais.

E entre as condições ideais estão a privacidade, ausência de barulhos, luminosidade reduzida, possibilidade de ter músicas que a paciente deseja, aromas, um acompanhante de livre escolha, além de uma equipe multidisciplinar capacitada.

Os cuidados com a ambientação e bem-estar descaracterizam a atmosfera fria hospitalar, sem abrir mão das condições técnicas que oferecem a segurança necessária, em especial diante de complicações que possam ocorrer.

Quartos PPP

suíte pro-matre - Divulgação - Divulgação
Nova suíte da Pro Matre, em SP, tem cama hospitalar tamanho super king, chuveiro integrado a banheira com cromoterapia e hidromassagem, além de iluminação controlada por voz
Imagem: Divulgação

A diretora técnica da MCO-UFBA explica que, hoje, existe a intenção de não usar mais as salas de parto e pré-parto coletivos que existiam antigamente e nas quais a paciente ficava até a hora do nascimento, quando, então, era levada a uma sala cirúrgica.

Hoje, essa estrutura é substituída por quartos PPP em que a paciente passa o seu trabalho de parto, parto e pós-parto em um mesmo local.

"O quarto PPP garante a presença do acompanhante de livre escolha e o trabalho de parição transcorre de uma forma mais tranquila, permite que a mulher fique mais ativa, caminhe, utilize a bola, o cavalinho, a banqueta, entre outros equipamentos, sentindo-se mais livre e mais à vontade", relata Oliveira.

Ela pode ficar em posições que prefere, com privacidade total, além de se alimentar. "Tudo isso permite que a mulher seja bem cuidada e sem interferências desnecessárias na fisiologia", pontua Roxana Knobel, obstetra, professora no curso de medicina e na residência médica de ginecologia e obstetrícia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Arquitetura planejada

Para retirar a tensão que, muitas vezes, acompanha o ambiente hospitalar, de forma a não ativar a secreção de hormônios, como a adrenalina na parturiente, contraproducente, principalmente, no início do processo de parto, Mônica Maria Siaulys, diretora médica do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, explica que a decoração intimista que remete a sensação de estar em casa, com conforto, confiança e segurança, é fundamental.

A criação de estímulos físicos e psicológicos gera tranquilidade, que favorece a liberação de ocitocina, hormônio importante para o parto e a amamentação.

De acordo com Siaulys, a procura pela assistência humanizada fez com que a Pro Matre desenvolvesse uma nova sala de parto normal —que se soma às suítes já existentes dentro do centro de parto normal, em funcionamento desde 2018.

Suíte de parto humanizado no Pro-Matre 2 - Divulgação - Divulgação
Ainda na suíte da Pro Matre: aparelhos de apoio, bola suíça (pilates), barra para alongamento, banqueta de parto e assento ativo (cavalinho)
Imagem: Divulgação

"Seguindo o conceito de Health Care Design Thinking, o espaço alia luminosidade, sons, aromas, banhos terapêuticos e temperaturas ambientes controláveis e adaptáveis para que cada mulher encontre o que necessita em um espaço pensado para essa experiência", informa o hospital.

A suíte é equipada com cama hospitalar sob medida, no tamanho super king, para que a mãe tenha o acompanhante escolhido ao seu lado, espaço para a movimentação livre, disponibilidade de móveis para suporte postural, chuveiro e banheira integrados com cromoterapia e hidromassagem para banho de imersão com água aquecida e que potencializam o relaxamento.

Os recursos necessários para o trabalho de parto foram embutidos em estruturas ocultas para não remeter à estrutura hospitalar.

"As suítes do centro de parto normal da Pro Matre têm, no mesmo andar, uma sala cirúrgica e uma sala de reanimação neonatal exclusivas para eventuais intercorrências, o que garante maior agilidade ao médico e segurança à mãe e ao neonato", descreve a diretora médica da Pro Matre Paulista.

Na primeira hora após o parto —chamada de hora dourada—, é fundamental haver o vínculo da mãe com o recém-nascido por meio do contato pele a pele e na qual é incentivada a amamentação. "Esse vínculo ajuda a prevenir a depressão pós-parto", enfatiza Knobel.

Mortalidade materna

Claro que este é o mundo ideal, não a realidade de todas as parturientes do país, infelizmente. De acordo com o Relatório da Saúde Europeia divulgado recentemente, todos os países europeus conseguiram alcançar a meta de redução da mortalidade materna. A taxa média no continente é de 13 mortes a cada 100 mil nascimentos, número bem inferior aos 70 por 100 mil estipulados como um dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) pela Agenda 2030 da ONU (Organização das Nações Unidas).

No Brasil, a situação é diferente. Conforme dados registrados no Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna, em 2021, o país teve média de 107 mortes a cada 100 mil nascimentos.

As dificuldades encontradas por aqui passam por diversos fatores, mas principalmente pela falta de recursos e atenção. Rossana Pulcineli Vieira Francisco, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) comenta que, "se nós olharmos hoje as causas de morte materna, elas podem ser divididas entre evitáveis e não evitáveis e a gente vai ver que grande parte das mortes maternas no Brasil é considerada evitável. Por exemplo, as hemorragias, nós ainda temos muitos hospitais pequenos sem acesso a hemocomponentes, a sangue, e, caso aconteça uma hemorragia, vai ser muito difícil conseguir dar a atenção adequada para essas gestantes".

Fontes: Ádyla Keila Lopes Silva Oliveira, obstetra, diretora técnica da MCO-UFBA (Maternidade Climério de Oliveira, da Universidade Federal da Bahia), ligada à rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), realiza atividades de preceptoria no Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia da MCO-UFBA e atua, também, em pesquisa clínica com vacinas contra o HPV (Papilomavírus Humano) no CPEC (Centro de Pesquisa Clínica) da Associação Obras Sociais Irmã Dulce; Mônica Maria Siaulys, diretora médica do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista (SP); Ricardo Porto Tedesco, ginecologista, professor titular de obstetrícia da FMJ (Faculdade de Medicina de Jundiaí), membro da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e Roxana Knobel, obstetra, professora no curso de medicina e na residência médica de ginecologia e obstetrícia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

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