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Criança fica com couro cabeludo brilhante após infecção fúngica

Reprodução/NEJM
Imagem: Reprodução/NEJM

Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

30/11/2021 19h07

Um menino de 6 anos teve que ir ao hospital após o surgimento de feridas em seu couro cabeludo atreladas a recorrente queda de cabelo. Durante o exame físico foi constatado erupção cutânea (vermelhidão, caroços e inchaços), múltiplas placas escamosas no couro cabeludo, pescoço e face, bem como manchas de alopecia.

Além disso, áreas "brilhantes" foram observadas em sua cabeça durante um exame com lâmpada de Wood, aparelho que detecta através da luz UV a presença de lesões de pele. O menino foi diagnosticado com dermatofitose. Nesse caso, a doença foi causada por um fungo chamado Microsporum canis, normalmente adquirido através de animais domésticos, como cães e gatos.

Os pais da criança relataram que não tinham nenhum animal de estimação em casa, mas mencionaram que o filho pode ter sido exposto a animais enquanto esteve no campo meses antes.

O tratamento oral e tópico foi iniciado e, após 6 semanas de terapia, as lesões cutâneas foram curadas. O caso foi relatado na Escola de Medicina da Universidade de Zhejiang, Hangzhou, na China, e publicado no periódico The New England Journal of Medicine no último dia 25 de novembro.

O que é essa infecção?

A dermatofitose é uma infecção causada por fungos que se alimentam de queratina e, portanto, se localizam na pele, no pelo e nas unhas. Ela se manifesta com lesões circulares, coloração vermelhada (e várias outras cores), descamação da pele e queda de cabelo.

Em casos mais graves, o paciente começa a ter coceira e feridas, podendo se transformar em úlcera. Os seres humanos têm fungos que os acometem naturalmente, mas o relatado no caso do menino, Microsporum canis, é um fungo que ataca animais, por isso não é tão comum a infecção em humanos.

"Em casos mais raros nós podemos ter infecções por fungos de animais domésticos após beijar, abraçar ou rolar com eles, explica Adriano Almeida, médico tricologista e presidente da SBC (Sociedade Brasileira do Cabelo).

E, devido a aproximação das crianças com os animais, elas têm mais riscos de serem infectadas. De acordo com o especialista, em alguns países da América do Sul é mais comum encontrar fungos de animais acometendo pessoas.

"Estudos feitos na Venezuela, por exemplo, mostram que de 35% a 40% das crianças tinham infestação fúngica e, desses, a maior parte era de fungos em bichos", diz Almeida.

Como é feito o tratamento

Normalmente, o tratamento com uso tópico de antifúngicos e xampu resolve o problema entre 7 e 14 dias. Já em casos mais graves, em que remédios orais são necessários, o tempo varia entre 30 e 45 dias.

Almeida alerta, ainda, que aos primeiros sinais e sintomas, o paciente deve procurar ajuda médica. "O tratamento precoce é muito importante porque não gera sequelas. Se a doença evolui, o paciente pode ficar com um buraco sem cabelo, porque pode virar uma ferida que destrói o folículo capilar, e daí naquela região não nasce mais cabelo."

Dá para prevenir a infecção desse fungo?

O Microsporum canis é altamente transmissível, inclusive de pessoa para pessoa. Mas, sim, dá para evitar o contágio seguindo essas dicas:

  • Lave as mãos constantemente;
  • Não compartilhe pentes, escovas de cabelo ou toalhas de banho;
  • Não abrace ou fique muito próximo de quem está contaminado;
  • Mantenha a carteira de vacinação e a higiene do seu animal de estimação em dia.

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