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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Com câncer de mama, mastologista espera ajudar ainda mais suas pacientes

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

17/10/2021 04h00

Antes, com conhecimento, hoje, também com sua própria experiência. É assim que Fernanda Barbosa, 39, mastologista, considera que está ajudando suas pacientes a enfrentarem seus cânceres de mama.

Médica assistente do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e em consultório particular, com vasta experiência em tratar a doença, Fernanda recebeu o próprio diagnóstico após sentir um caroço estranho na mama.

"Tinha feito alguns exames meses antes e nenhum indicava qualquer alteração", lembra ela, que não tem nenhum antecedente familiar da doença e na época, julho de 2021, estava com 39 anos, um ano a menos do que o recomendado por diferentes sociedades e instituições médicas para começar o rastreamento.

A indicação muda, no entanto, se a mulher sente alguma mudança, como o caso de Fernanda, ou se tem histórico na família —converse com a sua ginecologista e conte se tem algum caso na família, ela vai indicar em que idade o rastreamento deve começar.

Fernanda  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fernanda na oitava sessão de quimioterapia
Imagem: Arquivo pessoal

A médica conta que receber a notícia foi um choque. "Pensei: 'por que eu?' Mastologista, especialista nessa doença... Foi difícil de aceitar no começo, como é para todas as pacientes. Passei por angústia, medo... Mas depois refleti que não sou diferente dessas tantas outras pacientes que atendo todo dia. Mudei para: 'Vou encarar e ajudar ainda mais mulheres'."

O câncer de Fernanda é do subtipo HER-2-positivo, que causa a superexpressão da proteína HER-2 no organismo. Ele se alastra rapidamente, mas tem a vantagem de ter um tratamento específico, a terapia-alvo.

"Utilizamos duas drogas, trastuzumabe e pertuzumabe, associadas a quimioterapia, para bloquear receptores e diminuir a proliferação do câncer", explica ela, que está respondendo bem aos procedimentos.

Além desse subtipo, a médica explica que há outros três:

  • Luminal A - tumores que apresentam receptores hormonais, de estrogênio e progesterona e tem crescimento mais lento das células;
  • Luminal B - também tem receptores hormonais positivos e o crescimento das células é um pouco mais rápido;
  • Triplo negativo - não possui expressão hormonal ou da proteína HER-2. É o tipo de tumor mais agressivo e cresce bem rápido.

Para o subtipo que ela enfrenta, a taxa de remissão vai depender de fatores como o tipo de tumor, quando é feito o diagnóstico e se já existe metástase. Mas para quadros descobertos em estágio inicial, como o de Fernanda, as taxas de sucesso são maiores que 90%.

Como o tumor dela era de dois centímetros, o tratamento começou em julho, com quimioterapia para reduzi-lo, e só depois será feita a retirada com cirurgia, que deve acontecer em dezembro. Nos dois primeiros meses de 2022, a médica passará por radioterapia e depois, espera estar livre do câncer.

Para evitar perder o cabelo, algo que seria difícil para ela, Fernanda usa uma touca de resfriamento durante a quimioterapia e também meia hora antes e meia hora depois da sessão, para diminuir as chances do tratamento chegar ao couro cabeludo.

O resultado depende do tipo de quimioterapia e também do quanto a paciente aguenta —a sensação, explica ela, é desagradável, mas algumas pessoas toleram bem. A maioria dos convênios médicos não cobre o uso da touca e, por isso, ela não é acessível para toda a população.

"É claro que a maior preocupação é a cura. Mas quando lidamos com câncer de mama, temos que pensar em autoestima. É algo que falo para minhas pacientes e agora, para mim mesma. Perder o cabelo, ganho ou perda de peso, efeitos estéticos e dermatológicos, a cirurgia que você faz, que pode indicar uma mutilação da mama... Tudo faz diferença", comenta.

A médica conta que sempre se colocava no lugar de suas pacientes, especialmente as jovens. Após passar pelo próprio diagnóstico, espera conseguir dar um atendimento ainda melhor e mais humanizado.

Desde que começou a compartilhar sua rotina de tratamento, ela diz ter recebido muito carinho e suporte de outras mulheres, sejam suas pacientes ou não.

"Gosto muito de lidar com pacientes mulheres e acho que a mastologia é uma especialidade muito gratificante. Tenho a oportunidade de lidar com a saúde global da mulher. É difícil, não vou mentir, lidamos também com cirurgias, preciso estudar muito, me especializar constantemente, mas me faz feliz", conta.