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Eriksen sofre mal súbito em campo; demora no socorro pode levar à morte

Friedemann Vogel / POOL / AFP / CP
Imagem: Friedemann Vogel / POOL / AFP / CP

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

12/06/2021 14h34

O jogo entre Finlândia e Dinamarca que aconteceu neste sábado pela Eurocopa precisou ser paralisado após o dinamarquês Eriksen sofrer uma convulsão seguida de parada cardíaca.

Após receber uma bola de cobrança de lateral, o atleta caiu sozinho, já desacordado. Passaram-se alguns minutos até que jogador pudesse receber a assistência médica com o aparelho desfibrilador.

"O protocolo ideal inclui ter uma equipe na beira do campo, treinada e com um desfibrilador automático entre seu equipamento. Essa equipe deve avançar no campo independentemente de alguém chamá-la em uma situação como a que ocorreu hoje. Isso garante que o desfibrilador, a peça mais importante, chegue a ele em menos de dois minutos, tempo estimado que temos para salvar a vida", explica Luis Fernando Correia, clínico geral e intensivista que foi coordenador médico da Copa do Mundo da FIFA de 2014.

Eriksen recebeu massagem cardíaca até a chegada de um desfibrilador e foi transferido para um hospital na sequência. "O ideal seria que ele não precisasse ter recebido a compressão cardíaca. O certo é que a equipe seja a primeira a chegar no atleta e já cole as fitas adesivas no peito do atleta", completa.

O que é o mal súbito

O mal súbito é caracterizado pela perda repentina de consciência. Ele pode ser causado por diversas condições, que vão desde desidratação, grande estresse ou queda de pressão arterial (que levam a um desmaio) até doenças mais graves como AVC (acidente vascular cerebral), infarto e outros problemas cardiovasculares que podem provocar uma parada cardíaca.

Segundo uma pesquisa do Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo), em 90% dos casos, a arritmia cardíaca (alteração do ritmo dos batimentos do coração) é a responsável pela morte por mal súbito. Diversos estudos mostram que as crises epiléticas estão diretamente associadas ao aumento da frequência cardíaca (taquicardia).

A cada ano, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), ocorrem 17 milhões de óbitos por causas cardiovasculares em todo o mundo, e cerca de 4 milhões deles foram por morte súbita.

Como socorrer alguém que teve mal súbito

A principal recomendação é agir rapidamente quando alguém perde a consciência. Conforme o manual TECA L (Treinamento de Emergência Cardiovascular para Leigos) da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), o procedimento de socorro deve seguir estes passos:

  1. Chame pela vítima e toque nela. Caso a pessoa responda, faça movimentos, esteja respirando e/ou com batimentos cardíacos, provavelmente o mal súbito não foi provocado por uma parada do coração. Espere alguns segundo para ver se ela recupera os sentidos, atenda suas necessidades (água, comida) e leve-a a um pronto-socorro para identificar o que houve.
  2. Se a vítima não responder e nem se movimentar, pode ser uma parada cardíaca. Peça para alguém chamar imediatamente uma ambulância (ligar 192) e depois buscar o desfibrilador (caso exista no local). Deite o paciente com as costas no chão e inicie a massagem cardíaca.
  3. Quando o desfibrilador chegar, use o equipamento conforme instruções no aparelho até a chegada da equipe médica, que a partir de então ficará responsável pelo socorro.

Esses três passos podem e devem ser feitos por leigos quando não existe um profissional capacitado para socorrer a vítima, e são de extrema importância, pois podem salvar a vida da pessoa, segundo o manual da SBC.

Quem pode ter o problema?

Por ter inúmeros fatores, o mal súbito afeta pessoas de qualquer idade, sexo e estilo de vida, segundo a Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmia Cardíaca). Apesar de ser um problema inesperado, ele não é inevitável, especialmente quando provocado por doenças cardiovasculares.

No entanto, homens na faixa dos 60-70 anos estão sob maior risco. Nessa fase da vida, 60% dos casos estão relacionados à doença arterial coronariana (obstrução das artérias do coração). Apesar disso, é importante saber que, na população em geral, a morte súbita pode ser o "primeiro (e último) sintoma" de um problema cardíaco.

Nesses casos, segundo Roberto Bizaco*, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo, a melhor forma de prevenir o mal súbito é realizar um check-up cardiológico de uma a duas vezes por ano, para que o médico possa identificar se o paciente tem alguma doenças ou alteração cardíaca e orientar aos cuidados que a pessoa deve ter.

*Fonte consultada em reportagem publicada em 10/12/2018.

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