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Fungo negro é grave em quem tem covid e baixa imunidade, diz infectologista

Do UOL, em São Paulo

02/06/2021 12h55Atualizada em 03/06/2021 13h17

O infectologista Marco Aurélio Safadi afirmou hoje que a mucormicose, infecção causada pelo chamado fungo negro, atinge pacientes em tratamento da covid-19 porque o uso de medicamentos para a doença abala a imunidade. A declaração foi dada ao UOL News.

"Em função de algumas características das pessoas que desenvolvem a covid-19, o que acontece é que o fungo se torna relevante, protagonista da infecção principalmente porque a gente usa medicamentos que abalam a nossa imunidade, que são os corticoesteróides."

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Ainda segundo Safadi, muitos casos registrados na Índia, e um caso brasileiro, ocorreram em pacientes com covid e que tinham diabetes que usaram doses altas de corticoesteróides. "Eles [medicamentos] nos ajudam em alguma fase da doença, mas deprimem a nossa imunidade e, ao deprimir nossa imunidade, esse fungo que vivia em harmonia com o nosso organismo passa a representar risco e causar doença".

O infectologista ressaltou que a mucormicose tem cura, mas que sua letalidade gira em torno de 50%. "Há tratamento e, quando iniciado em fase precoce da doença, a letalidade diminui muito. O prognóstico melhora muito".

É uma doença rara e muito restrita a esses casos que têm agravantes. As manifestações são diversas: na pele, nos seios da face, cerebrais, pulmonares."
Marco Aurélio Safadi, infectologista

Segundo informações da BBC Brasil, o país registrou neste ano até agora 29 casos de mucormicose ante 36 do ano passado. O Ministério da Saúde informou, no entanto, que "não é possível relacionar, até o momento, os casos de mucormicose registrados no Brasil com a covid-19 e as variantes do vírus".