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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Perder medo de lidar com dinheiro melhora saúde mental; veja como conseguir

Getty Images/iStockphoto/Rawpixel
Imagem: Getty Images/iStockphoto/Rawpixel

Marcia Di Domenico

Colaboração para o VivaBem

24/02/2021 04h00

Resumo da notícia

  • A fobia financeira é considerada um transtorno psicológico
  • A pessoa desenvolve sintomas semelhantes aos de um quadro de ansiedade em situações que envolvem decisões relacionadas a dinheiro
  • Vencer a relação disfuncional com o dinheiro e alcançar bem-estar passa pela desconstrução de antigos comportamento e adoção de novos hábitos

Dinheiro pode não trazer felicidade, mas a falta dele representa, sim, um obstáculo para ser feliz. Essa é a percepção de 58% dos entrevistados no estudo "O bolso do brasileiro", realizado em outubro de 2020 em parceria entre o Instituto Locomotiva e a Xpeed, braço de educação financeira da XP Investimentos. Foram ouvidos 1.501 brasileiros com mais 18 anos. Entre a população acima de 60 anos, o índice dos que veem as dificuldades financeiras como empecilho para o bem-estar salta para 70%.

O impacto dos problemas financeiros sobre a saúde mental é um tema pouco explorado no Brasil, ainda que mais de 66% das famílias tenham fechado o ano passado com dívidas, pelos dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Na pesquisa da XP, 46% das pessoas relataram sentir culpa e ansiedade em relação à sua situação financeira atual, 31% disseram ficar irritadas e 21% perdem o sono por causa das contas no vermelho. Sabe-se, ainda, que a preocupação constante com endividamento está fortemente ligada a rompimento de vínculos sociais e familiares, abuso de substâncias, depressão e suicídio.

Crise econômica à parte, muito da dificuldade que temos para lidar com dinheiro tem origem no bloqueio que se criou para falar sobre o assunto com naturalidade. "Dinheiro é um grande tabu na nossa cultura; não somos estimulados desde cedo a conversar sobre o tema. Pelo contrário, aprendemos a associá-lo a algo sujo, desonesto, desagregador", comenta a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do Ambulatório de Oniomania do IPq (Instituto de Psiquiatria) da USP. Experiências negativas relacionadas a dinheiro ao longo da vida (como escassez constante ou brigas na família por causa de bens) também contam para que esse seja um tema tão evitado.

Filomensky integra um grupo de pesquisadores do Hospital das Clínicas da USP que vem estudando a fobia financeira, como é chamada essa espécie de bloqueio que faz a pessoa evitar encarar as próprias finanças. "Comprar sem olhar o preço, evitar checar o extrato do banco e a fatura do cartão de crédito, não querer saber se gasta mais do que ganha são comportamentos típicos de quem sofre com a patologia", explica a psicóloga.

A fobia financeira é considerada um transtorno psicológico. Nele, a pessoa desenvolve sintomas semelhantes aos de um quadro de ansiedade em situações que envolvem decisões relacionadas a dinheiro: aumento da frequência cardíaca, tontura, náusea, suor excessivo, entre outros.

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Imagem: Getty Images

Ainda no estudo da XP, mais de 20% dos entrevistados relataram tensão muscular, tremedeira, transpiração e insônia ao ter que lidar com números. Outros 21% postergam a abertura de boletos e 39% adiam decisões financeiras por medo de encarar o orçamento.

Vencer a relação disfuncional com o dinheiro e alcançar bem-estar financeiro —que é a capacidade de pagar as contas, aproveitar a vida e ter perspectivas de um futuro tranquilo — passa necessariamente pela desconstrução de antigos padrões de comportamento e adoção de novos hábitos.

A seguir, veja seis dicas de como parar de ter medo do assunto:

1. Converse sobre dinheiro: Perder a vergonha ou o medo de falar sobre o assunto com amigos, parceiro e crianças é o primeiro passo para desconstruir crenças negativas em relação ao dinheiro e conseguir estabelecer um vínculo saudável com ele.

2. Aceite erros passados: Compras por impulso, investimentos ruins, gastos exagerados provavelmente contribuíram para uma situação financeira difícil, mas encará-los como aprendizado é mais útil para evitar que se repitam do que se culpar e achar que não nasceu para lidar com números.

3. Saiba como vem gastando: Você compra para aliviar algum tipo de emoção, como estresse, raiva ou tédio? Ou para se premiar por uma conquista? Não está errado usar o dinheiro para esses fins de vez em quando, mas é importante admitir quando há excesso e o que vem depois é sofrimento para si mesmo e quem está em volta. Controlar receitas e despesas também é indispensável para fazer as pazes com o dinheiro, não tem jeito.

4. Invista em autocuidado: Angústia, estresse, ansiedade e frustração são causas e consequências de uma vida com problemas financeiros. Buscar atividades que aumentem o bem-estar no dia a dia —atividade física, alimentar-se e dormir bem, meditar, aprender a respirar com consciência e se dedicar a hobbies e atividades prazerosas — ajuda a equilibrar as emoções e, com isso, parar de recorrer às compras como válvula de escape.

5. Entenda o que o dinheiro representa para você: Pode ser a oportunidade de proporcionar experiências para si e para os outros, o resultado do seu esforço no trabalho, o passaporte para seu desenvolvimento pessoal. Ter clareza sobre o papel do dinheiro na sua vida é chave para se responsabilizar por suas decisões financeiras e não se tornar vítima delas.

6. Busque educação financeira: Não significa que é preciso se tornar especialista ou aprender a fazer cálculos complexos da noite para o dia. Mas saber o básico (não gastar mais do que ganha, fugir de juros abusivos e usar cartão de crédito com inteligência, por exemplo) é uma responsabilidade necessária para obter bem-estar financeiro. Há vários sites e perfis nas redes sociais que podem ajudar nessa jornada.

Fontes: Tatiana Filomensky, coordenadora do Ambulatório de Oniomania do IPq (Instituto de Psiquiatria) da USP (Universidade de São Paulo); Celso Sant´Ana, psicólogo comportamental especialista em finanças com mestrado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais); Thiago Godoy, mestre em educação financeira pela FGV e chefe da área de educação financeira da XP Investimentos.

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