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Estudo fase 2 demonstra eficácia de vacina chinesa desenvolvida no Butantan

Vacina testada em São Paulo e desenvolvida em parceria com a China - Reprodução
Vacina testada em São Paulo e desenvolvida em parceria com a China Imagem: Reprodução

De VivaBem, em São Paulo

11/08/2020 13h47

A vacina chinesa batizada de Coronavac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, se mostrou eficaz e segura. A constatação é de estudo em fase pré-print (sem revisão por pares) publicado no repositório Medrxiv pela farmacêutica Sinovac Life Science. O estudo analisou o comportamento de 600 voluntários vacinados na China durante a fase 2 dos testes clínicos.

Cada voluntário recebeu 2 doses, sendo metade a vacina propriamente dita e a outra metade placebo. De acordo com o que foi identificado nos estudos, não existe nenhuma preocupação com relação à segurança da vacina utilizada nos voluntários. Dentre as principais reações está leve dor no local da aplicação.

A vacina desenvolvida pela Sinovac é uma das mais promissoras do mundo porque utiliza tecnologia já conhecida e amplamente aplicada em outras vacinas. O Instituto Butantan avalia que sua incorporação ao sistema de saúde deva ocorrer mais facilmente.

Em publicação no Twitter, Natalia Pasternak, microbiologista, afirma que não ficou muito entusiasmada com os dados apresentados: "É uma vacina de vírus inativado, o que chamamos de vacina de primeira geração. Das antigas, por assim dizer. Vantagem: sabemos fazer há 60 anos. Desvantagem: precisa cultivar o vírus e depois inativar, isso requer laboratório de segurança máxima", explica. "Outra desvantagem, não costuma dar boa resposta de células T, o que para esse vírus sabemos ser importante."

E a cientista ressaltou: "Não sabemos nada até elas todas passarem pela fase 3. Por enquanto temos apenas marcadores de imunidade. Mas eu continuo incomodada em sabermos tão pouco da Sinovac. E quando publicam, os resultados ainda são bem parciais. As outras vacinas estão mais transparentes e publicando resultados melhores", afirma.

Outras fases

O laboratório asiático já realizou testes em cerca de mil voluntários na China, nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra o coronavírus.

A farmacêutica forneceu ao Butantan as doses da vacina para a realização de testes clínicos de fase 3 em voluntários no Brasil, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança.

Caso a vacina seja aprovada, será realizada a transferência de tecnologia para produção em escala e fornecimento gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Os passos seguintes serão o registro do imunizante pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e distribuição em todo o Brasil.

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