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"Ler histórias de outras pessoas que emagreceram me inspirou a secar 48 kg"

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Elcio Padovez

Colaboração para o VivaBem

02/04/2020 04h00

Juliano Macedo, 33 anos, vem de uma família com histórico de problemas com a balança. Com 132 kg e a saúde prejudicada por causa da obesidade, o jornalista encontrou motivação para mudar hábitos após ler aqui no VivaBem histórias de pessoas que emagreceram. A seguir, ele conta como conseguiu perder 48 kg:

"Apesar de 90% da minha família ter sobrepeso, quando criança não enfrentei problemas com a balança e gostava muito de jogar futebol. Era o goleiro oficial das peladas com a turma. Comecei a engordar com 18 anos, ao entrar na faculdade. Consumia muitas frituras, lanches e refrigerantes. Além disso, nos finais de semana estava sempre no bar. Fiquei totalmente sedentário e, em quatro anos do curso de jornalismo, ganhei cerca de 80 kg.

Mesmo com 125 kg (e 1,80 m de altura) não me importei com a obesidade nem com os primeiros problemas que começaram a surgir, como dores nas costas e enxaquecas constantes. Adorava fast-food e usava o carro para fazer tudo. Não andava um quarteirão a pé. Com o nascimento da minha filha Lívia, em 2013, fiquei mais ansioso e preocupado em como sustentaria a família. Passei a trabalhar mais e descontar todo o estresse na comida, sempre de péssima qualidade.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Levei essa situação literalmente com a barriga até 2019, quando comecei a sentir um certo desconforto. Fui medir a pressão e estava 22 por 12. Eu me assustei e, no período de pouco mais de um mês, parei cinco vezes no pronto-socorro por conta da hipertensão arterial e do estresse. O médico alertou que estava no caminho de sofrer um infarto. Então, decidi que precisava mudar radicalmente de vida.

Resolvi fazer a bariátrica, mas minha mãe me desencorajou e passou a insistir que eu tentasse seguir uma dieta por conta própria, pois com determinação e a ajuda dela eu conseguiria emagrecer. Minha mãe não gostava da ideia da cirurgia pois meu pai passou pelo procedimento e depois de uns anos engordou tudo novamente. Diante desse impasse, meu estilo de vida continuou ruim e engordei mais 7 kg.

No limite do meu peso, com 132 kg, vi que, se não tomasse uma atitude logo, não veria minha filha crescer

Procurei ajuda psiquiátrica e passei a usar remédios para controlar as crises de ansiedades. Um mês depois, eu já me sentia melhor, mas tomei outro susto ao passar pelo cardiologista: todas minhas taxas estavam alteradas, o fígado e o coração estavam cheios de gordura. Era preciso emagrecer com urgência.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Comecei a fazer exercício físico e, mesmo com a vontade de desistir, segui em frente. Nessa época, descobri o VivaBem e passei a ler as histórias de pessoas que mudaram completamente o estilo de vida na seção Como Emagreci. Percebi que não estava sozinho na batalha e isso me inspirou. Como torço para o São Paulo, uma história que me marcou bastante foi a do Cláudio Lima Santos, que perdeu 79 kg para poder caber na camisa do nosso time. Eu também já não entrava mais direito nas camisas que tinha...

Busquei ajuda de um personal e comecei a malhar cinco vezes por semana, alternando funcional com HIIT (treino intervalado de alta intensidade). Minha alimentação mudou completamente. Passei a temperar a salada só com azeite, sem sal, e cortei o consumo de refrigerantes, pães, massas e outros carboidratos refinados. Meu cardápio tinha (e até hoje tem) muitas verduras, legumes e carnes. Nos lanches, comia frutas com aveia e castanhas.

Segui tudo que o nutricionista indicou à risca e até hoje controlo bem a alimentação. Só me permito um ou outro excesso aos finais de semana, quando tomo uma caipirinha ou, se levo minha filha ao shopping e ela quer um fast-food, nós comemos, sem culpa. Eu me lembro sempre das palavras da nutricionista: 'Se sua dieta for algo muito radical, você não vai durar muito tempo no processo de reeducação alimentar.'

Aos chegar aos 90 kg, em novembro de 2019, consegui fazer uma das coisas que mais amo, que é jogar futebol. Apesar dos convites anteriores dos amigos, que me viam mais magro, decidi voltar a ser goleiro amador no momento certo, quando senti que não teria tanto risco de prejudicar o joelho ou ter um infarto em campo.

Atualmente, peso 84 kg e, se conseguir chegar a 80 kg, ótimo. Estou com as taxas (triglicérides, colesterol e ácido úrico) controladas e tomo apenas um medicamento para reduzir a ansiedade. Sigo o acompanhamento com o psiquiatra e vou ao consultório de três em três meses. Sou feliz como estou hoje, não pretendo conquistar um corpo todo definido. Já é uma vitória estar mais saudável para viver muitos anos com minha família e conseguir brincar com minha filha no parque sem me cansar rapidamente.