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Estudo diz que comer arroz evita obesidade; grão não é vilão da dieta?

Estudo mostrou que as pessoas são mais magras quando têm um consumo médio de 150 g de arroz por dia - iStock
Estudo mostrou que as pessoas são mais magras quando têm um consumo médio de 150 g de arroz por dia Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do UOL VivaBem, em São Paulo

08/05/2019 16h11

Resumo da notícia

  • Uma pesquisa apontou que o nível de obesidade é menor em países que comem 150 g de arroz ao dia, comparado a lugares com consumo médio de 15 g
  • Os detalhes do estudo ainda não foram revelados, mas uma possível explicação para isso é que o arroz quase sempre é acompanhado de comida de verdade
  • Já pizza, hambúrguer, cachorro-quente, biscoitos e pastel nunca estão em uma refeição com arroz

Fonte de carboidratos, o arroz é um alimento que muita gente costumar cortar do cardápio (ou diminuir o consumo), quando quer emagrecer. Mas uma nova pesquisa sugere que o alimento não é tão vilão assim da dieta e pode estar no prato de quem deseja perder ou manter o peso.

O estudo, feito em 136 países e apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO) deste ano, mostra que os níveis de obesidade são substancialmente menores em lugares em que as pessoas consomem "grandes" quantidades de arroz (média de 150 g ao dia), enquanto populações com menor ingestão do cereal (cerca de 14 g diariamente) apresentam taxa mais alta de excesso de gordura corporal.

A pesquisa ainda não foi publicada em nenhum periódico científico e foi realizada pela Doshisha Women's College of Liberal Arts, em Kyoto, no Japão. Os cientistas explicaram ainda que a ligação entre o alto consumo de arroz e o menor risco de obesidade persistiu mesmo depois de levar em conta outros fatores de risco socioeconômicos e de estilo de vida, educação, tabagismo, produto interno bruto per capita e gastos com saúde.

Podemos comer arroz sem medo de engordar?

Calma. Nada de lotar seu prato de arroz na próxima refeição antes de refletir sobre alguns pontos que podem ter levado a esse resultado do estudo.

De acordo com Samantha Rhein, nutricionista clínica mestre pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), uma explicação possível para o consumo do alimento e o menor peso pode estar relacionada com as escolhas gerais do prato: o arroz frequentemente serve como um acompanhamento para outras comidas considerados mais saudáveis, como legumes, verduras, feijão, carne, ovo, peixe, frango. Já hambúrguer, pizza, cachorro-quente nunca são acompanhadas de arroz, certo?

Além disso, a quantidade apontada como grande pela pesquisa, 150 gramas, não é exacerbada para muitas pessoas, especialmente quem tem grande estrutura corporal e pratica atividades físicas. São cerca de cinco colheres de servir, que podem estar divididas em almoço e jantar. Algo totalmente cabível em uma dieta saudável, que deve ter de 40% a 60% das suas calorias comportas por carboidratos.

Motivos para desconfiar do estudo

Andressa Heimbecher, endocrinologista e colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo), aponta que a relação entre consumo de arroz e risco de obesidade pode não ser assim tão certeira, e que há muitos fatores não revelados no estudo que seriam importantes para validar a pesquisa.

A associação foi estudada em uma análise transversal --ou seja, o trabalho apenas mediu o consumo do arroz das pessoas e viu se elas eram obesas ou não. "Na pesquisa, não parece ter sido avaliada a taxa de atividade física da população, pessoas com doenças específicas e outros fatores que interferem no ganho de peso. Sabemos que os Estados Unidos, por exemplo, têm mais pessoas sedentárias do que o Japão, citado como referência do estudo. Também não há a informação do tipo de arroz consumido por todos, além de quais outros alimentos compõem suas dietas", comenta.

Os pesquisadores dizem que é possível que as fibras encontradas no arroz possam aumentar a sensação de plenitude e evitar excessos. Heimbecher acredita que, sim, uma pessoa que come mais arroz e menos guloseimas --como frituras e doces -- pode apresentar um peso menor. "Mas para que possamos confirmar a relação, seria necessário mais dados, incluindo a dieta dos participantes e suas rotinas de atividades físicas", conclui.

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