Topo

Como emagreci

Histórias inspiradoras de quem mudou a silhueta


Como emagreci

Após perder 70 kg, Eduardo encontrou prazer na corrida e completou os 42 km

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Amanda Preto

Colaboração para o UOL VivaBem

02/05/2019 04h00

Eduardo Trombini, 36 anos, não se preocupava muito com a alimentação. Em 2015, com quase 132 kg, o consultor de TI descobriu que seria pai e decidiu mudar de vida para ser um bom exemplo à sua filha. Após fazer bariátrica para vencer a obesidade, mudou a dieta e começou a correr. A seguir, ele conta sua história de superação:

"Eu tive problemas com a balança por muitos anos. Comia mal e até tentei emagrecer diversas vezes, mas sempre que ia a um nutricionista recebia dietas genéricas e as seguia por pouco tempo. Nunca me perguntavam do que eu gostava, tampouco tinham explicações que me motivassem a mudar meus hábitos alimentares. Faltava também apoio externo, porque sempre que tentava fazer dieta, já era julgado. Ficava frustrado e desistia.

Em 2015 eu estava com quase 132 kg, ou seja, obeso. Mas queria assumir que me sentia bem dessa forma, e tentava mostrar que estava tudo certo comigo para os outros.

Só que não achava nada bom ser obeso, acredite. Eu não conseguia comprar uma roupa, amarrar um sapato, não podia realizar meus sonhos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Mas a grande motivação para mudar não foi essa frustração. Em 2015, descobri que seria pai, o que me deixou em choque, porque precisava ser uma referência para minha filha, a Isabella (hoje com 4 anos). Decidi que faria a cirurgia bariátrica para deixar de ser obeso.

Já tinha noção de como funcionava o processo e conversei com um cirurgião para esclarecer algumas dúvidas e saber se eu me enquadrava nos requisitos da operação. Aparentemente, não tinha nenhum problema de saúde ou qualquer impeditivo para fazer a cirurgia.

O médico disse que poderia ser uma boa por causa de minha idade. A recuperação seria mais rápida e com menos chances de complicações. Decidi, aos 33 anos, me dar essa chance de recomeçar a vida para aproveitar todos os momentos com a minha filha.

Tomei outra decisão importante: quando saísse do centro cirúrgico, estava disposto a viver uma nova vida com minhas próprias escolhas, não importa o que as pessoas pensassem. Eu sempre estava atento ao julgamento alheio, evitava fazer muitas coisas com medo do que diriam ao meu respeito e isso atrapalhava demais a minha vida.

Após a cirurgia, ao me flagrar cometendo os mesmos erros de antes, como dormir até tarde, comecei a pensar o que poderia fazer de diferente para mudar meus hábitos

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Então, passei a fazer pequenas caminhadas na esteira do prédio. Estabeleci como meta andar 3 km por dia. Aos poucos, resolvi tentar dar um trote bem lento na esteira. Afinal, não era fácil correr pois ainda estava obeso. Mas a diferença é que não ligava mais se tinha alguém olhando. Às vezes, algumas pessoas conversavam comigo, e eu explicava que estava em processo de emagrecimento e que havia feito cirurgia bariátrica. Muitos apoiavam, mas sempre tem alguém que vai opinar em tom de julgamento. Segui sem ligar para isso.

Mesmo com as caminhadas diárias, sabia que precisava de outras formas de me 'endorfinar'. Todo mundo que é saudável faz um tipo de esporte, seja tênis, seja jiu-jítsu, seja judô, seja corrida.

Tive algumas experiências, como seis meses de crossfit e musculação com personal, mas não me adaptei. Até acordava cedo, ia comprometido aos treinos mesmo que estivesse frio ou chovendo. Mas ainda não tinha encontrado algo que realmente me desse prazer --e acredito que isso seja o grande fator de motivação para alguém sair do sedentarismo.

Seguindo a sugestão de um amigo, fui participar uma prova de 5 km da prefeitura de Curitiba, pois estava acostumado com as corridinhas que fazia no crossfit. Completei o percurso em 42 minutos, o que pode parecer muito tempo para quem corre.

Para mim foi algo de outro planeta, eu chorei quando peguei a medalha dos meus primeiros 5 km

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Senti um baita orgulho do meu feito. Quando você vive algo assim, parece que tudo muda. Naquele momento eu queria agradecer a todos os profissionais envolvidos na minha transformação.

A partir daí, fiz mais algumas provas de 5 km até ganhar uma inscrição para correr 10 km. Percorri a distância em 1h10min. Passado 1 mês, me joguei em outro desafio ainda maior: fiz uma meia maratona, prova com 21 km, em 2h20min. Detalhe, sem seguir nenhum treinamento específico, sem orientação --o que hoje sei não ser o ideal. Eu tinha muito receio de entrar em uma assessoria esportiva, porque não sabia como funcionava, sentia vergonha.

Mas, depois da meia maratona, calculei que um ano e meio seria o prazo ideal para estrear nos 42 km (distância da maratona). Dessa forma, teria metas para me manter mais ativo e atingir meu objetivo principal.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal
Foi aí que entrei em uma assessoria e tudo melhorou, porque treinava menos, mas com direcionamento. Em 2017, lá estava eu na Maratona de Berlim, uma das maiores e mais concorridas do mundo todo. Dois anos antes eu estava obeso e jamais acreditaria se alguém me dissesse que seria capaz. Mas a situação era diferente. Já tinha eliminado 70 kg, mudado a alimentação e muitos hábitos ruins. Eu estava pronto.

Fiz a prova em 4h26min e não parei durante o trajeto. Seis meses depois parti para a segunda maratona, a de Santiago. Baixei meu tempo em meia hora, com 3h58min no relógio. Terminei superbem e já me enxergava como atleta.

As pessoas passaram a me ver como exemplo e eu estava me sentindo forte. Inclusive, até quem tirava sarro de mim porque levava chá zero no churrasco começou a se interessar pela minha mudança

É isso, né? No primeiro momento, as pessoas tiram sarro e depois perguntam o que você fez para conseguir. Hoje, consigo ter uma vida saudável de forma plena, porque sei o que é bom para mim. Quando descobri os males do açúcar, por exemplo, parei de consumi-lo e o mesmo foi passado para minha filha. Não foi nenhum sacrifício --ela adora coisas saudáveis, cozinhamos juntos.

Algo que me ajuda muito a manter o foco é me permitir algumas vezes uma folga no treino e na dieta. Isso não faz mal a ninguém, basta saber que é exceção, não a regra. Para alguém como eu, que passou quase 30 anos sedentário e obeso, é muito fácil retroceder. Por isso, sei que preciso ter disciplina o suficiente para cometer alguns deslizes e voltar normalmente à rotina sagrada depois."

SIGA O UOL VIVABEM NAS REDES SOCIAIS
Facebook - Instagram - YouTube