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Anemia não é tudo igual. Conheça os tipos, as causas e os sintomas

Alimentação e genética influenciam quadros de anemia - Getty Images
Alimentação e genética influenciam quadros de anemia Imagem: Getty Images

Renata Turbiani

Colaboração para o UOL VivaBem

14/12/2018 04h00

Quando se fala em anemia você logo pensa em deficiência de ferro? Pois saiba que essa doença é muito mais ampla e diversificada do que parece. Mesmo quando há falta de nutrientes - o que acontece em 90% dos casos -, não é apenas esse mineral o culpado. As carências de vitamina B12 ou ácido fólico (vitamina B9 ou folato) também podem ser a causa.

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E não só isso. Existem ainda as anemias hereditárias, as autoimunes e as provocadas por defeito na medula óssea e por patologias crônicas. Considerada um problema de saúde pública tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, a doença se dá pela redução na quantidade de hemoglobina no sangue, proteína localizada no interior das hemácias (glóbulos vermelhos) e responsável pelo transporte de oxigênio para os órgãos e tecidos do corpo. Pode ou não haver também queda na porcentagem de hemácias.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 30% da população do planeta (cerca de 2,2 bilhões de pessoas) sofrem de algum tipo de anemia.

Os valores utilizados para diagnosticar a doença normalmente variam de acordo com a padronização do laboratório onde é realizado o hemograma, exame que é o principal instrumento para detectar a patologia. Mas, no geral, o indivíduo é considerado anêmico quando apresenta índice abaixo de 12 gramas por decilitro de sangue (g/dL) para mulheres e 13 g/dL para homens. 

"A anemia nunca deve ser negligenciada pelo médico e pelo paciente, mesmo a mais leve e assintomática", afirma Américo Cuvello, clínico geral do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. "O correto é investigá-la a fundo, pois pode ser um sinal de uma patologia mais grave." Conheça a seguir os principais tipos da doença.

Anemia nutricional

É o tipo mais comum, sendo que a principal é a anemia ferropriva, por falta de ferro. Ela ocorre como resultado de alimentação inadequada, má absorção do nutriente ou perda crônica de sangue em decorrência de hemorragias por via gastrointestinal ou menstruação abundante. "Quem sofre mais com esse problema são mulheres em idade fértil, gestantes ou lactantes, crianças, adolescentes, quem passou por cirurgia bariátrica e vegetarianos muito restritivos", comenta Cuvello.

Alguns dos sintomas são palidez, cansaço, sonolência, tontura, falta de ar, taquicardia e palpitações. Nas crianças, a doença ainda pode afetar o desenvolvimento, a aprendizagem e aumentar a predisposição a infecções, pelo fato de o sistema imunológico ficar debilitado.

Fundamental para o bom funcionamento do organismo, o ferro tem como função transportar oxigênio para as células e é necessário para o crescimento e o funcionamento celular e a síntese de alguns hormônios e tecidos conectivos. Ele é encontrado em carnes (principalmente a vermelha), gema de ovo, beterraba, leguminosas, folhas verde-escuras e frutas secas. 

A recomendação de ingestão varia de acordo com a idade, indo de 0,27 mg/dia (crianças e 0 a 6 meses) até 18 mg/dia (mulheres de 19 a 50 anos). Nas gestantes e lactantes as quantidades aumentam. Para as primeiras, o ideal são 27 mg/dia; para quem está amamentando, 10 mg/dia (de 14 a 18 anos) ou 9 mg/dia (19 anos ou mais). 

Apesar de muita gente não saber, a anemia nutricional também pode se estabelecer pela falta de vitamina B12 (responsável pela síntese da hemoglobina) e de ácido fólico (que ajuda na produção e na manutenção de células novas e na síntese do DNA). Esse tipo é conhecido como megaloblástico e caracterizado por apresentar glóbulos vermelhos grandes e imaturos.

As duas situações são decorrentes de nutrição deficiente, incapacidade de absorção de nutrientes no trato digestivo e uso de alguns medicamentos, como alguns para tratamento do câncer. Sara Olalla Saad, professora da disciplina de Hematologia do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), relata que essa versão da doença tem maior prevalência em portadores de gastrite crônica ou úlcera, pessoas com mais idade e pacientes submetidos a cirurgia bariátrica.

Seus sintomas são os mesmos da anemia ferropriva, porém, quando se trata da carência de vitamina B12, acrescenta-se pele amarelada, irritabilidade e comprometimento dos nervos, o que causa formigamento nas pernas e nas mãos, câimbras, queimação nos membros, dificuldade de marcha e fraqueza muscular. "Em casos mais graves é comum haver alterações neurológicas, que nos idosos podem levar a doença a ser confundida com demência", complementa Sara.

A quantidade necessária de vitamina B12 é de 2 mcg/dia e para supri-la é preciso incluir na dieta produtos de origem animal (leite, queijo, carne e ovos), cereais matinais e leite de soja. O folato, por sua vez, é encontrado em uma diversidade maior de alimentos: hortaliças, aves, frutas cítricas, grãos, oleoginosas, vísceras animais e frutos do mar, entre outros. A dose máxima recomendada para adultos é de 400 mcg. Na gravidez as quantidades das duas substâncias precisam ser dobradas para suprir a demanda do organismo.

Para o tratamento das anemias carenciais, o primeiro passo é determinar e corrigir a causa. Feito isso, é fundamental seguir uma dieta rica no elemento faltante e, quase sempre, se faz necessária a suplementação temporária.

Anemia hereditária

Entre as anemias hereditárias, a falciforme e a talassemia são as principais. De acordo com Patricia Moura, hematologista e diretora técnica do Hemorio, na maioria dos casos elas são detectadas no nascimento ou ainda na primeira infância (até 6 anos). 

"A anemia falciforme caracteriza-se por apresentar glóbulos vermelhos com forma alterada, parecidos com uma foice - daí o nome. Já a talassemia é provocada por um gene que interfere na produção de hemoglobina, fazendo com que os glóbulos vermelhos fiquem menores e com menos hemoglobina que o normal", descreve a médica. Ambas são causadas por mutação genética e, para tê-las, é preciso que o gene anormal seja transmitido pelos pais. Se apenas um deles for portador, o filho terá o traço, mas não necessariamente desenvolverá a patologia.

Falando especificamente da anemia falciforme, ela pode se manifestar de diversas formas, sendo que a intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra. No geral, manifesta-se dor forte pelo corpo, provocada pelo bloqueio do fluxo sanguíneo e pela falta de oxigenação nos tecidos, icterícia (olhos amarelos), palidez, fadiga intensa, infecções, inchaço nos pés, feridas nas pernas, falta de ar e alterações neurológicas e no funcionamento dos rins.

Não existe cura para a enfermidade, mas há controle. Os pacientes que têm esse tipo de anemia precisam evitar exercícios pesados, ter uma alimentação rica em legumes, verduras, frutas e carne, ingerir bastante líquido, normalmente fazer uso de antibióticos e analgésicos e, se necessário, receber transfusão de sangue.

A talassemia, por sua vez, é dividida em minor, quando a pessoa tem apenas o traço talassêmico, intermediária e major. Alguns dos sintomas são palidez, irritabilidade, cansaço, barriga inchada devido ao aumento do baço e do fígado, ossos do rosto proeminentes, dentes mal alinhados e crescimento mais lento do que o normal. Assim como a anemia falciforme, a talassemia não tem cura, e o tratamento é feito com transfusões de sangue regulares.

Anemia autoimune e de doenças crônicas

Outro tipo de anemia é a hemolítica autoimune (AHAI). Como define a hematologista e diretora técnica do Hemorio, trata-se de uma doença de origem imunológica que o indivíduo adquire ou fabrica. Nesse caso, o organismo produz anticorpos que atacam os próprios glóbulos vermelhos.

"A causa exata ainda não é conhecida, mas sabe-se que a doença pode ser desencadeada por processos virais, patologias imunes e câncer", diz a médica. A AHAI ocorre em qualquer idade, sendo mais frequente no adulto jovem. Os sintomas são iguais aos da anemia nutricional, mas acrescidos de urina escura, dor muscular, febre, coriza e virose.

Para tratá-la é fundamental identificar a enfermidade base e fazer uso de medicamentos para regularizar o sistema imunológico, como corticoides e imunossupressores. Transfusão de sangue pode ser indicada.

Existe ainda a anemia de doenças crônicas, em especial infecções, câncer, doenças autoimunes e renais e diabetes grave. Ela se dá de duas formas: quando a inflamação causada pelo distúrbio retarda a produção de hemácias e diminui a sua sobrevivência e quando o ferro é metabolizado de forma anormal. Este é um tipo menos grave, com poucos sintomas, e sua cura passa pelo tratamento do distúrbio que a está provocando.

Anemia de medula óssea

A chamada anemia aplástica (ou aplastia medular) é uma enfermidade da medula óssea caracterizada pela redução da produção de glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas. Rara e grave, ela pode ser adquirida ao longo da vida por causa não conhecida ou provocada por radiação, quimioterapia, uso de determinados fármacos e exposição a substâncias químicas tóxicas, como inseticidas e agrotóxicos.

Além disso, pode acompanhar algumas doenças (hepatite, HIV, lúpus e insuficiência pancreática, por exemplo) ou ser hereditária. No entanto, a maioria dos estudos indica que a destruição das células estaminais que formam o sangue ocorre porque o sistema imunológico ataca as próprias células por erro. 

Esta anemia se divide em moderada, grave e muito grave, e os sintomas são cansaço, dificuldade de concentração, falta de apetite e de ar, perda de peso, palidez e ritmo cardíaco acelerado, febre e infecções bacterianas, pulmonares, urinárias e de pele e hematomas, sangramento anormal, inclusive dentário, fluxo menstrual intenso e manchas na pele.

O tratamento consiste em transfusões sanguíneas, utilização de remédios estimulantes da medula, antibióticos e imunosupressores e transplante de medula óssea.

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