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Sem desperdício: aprenda como conservar os alimentos por mais tempo

Veja dicas práticas para não desperdiçar frutas, legumes e carnes, entre outros itens - iStock
Veja dicas práticas para não desperdiçar frutas, legumes e carnes, entre outros itens Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para UOL VivaBem

06/11/2018 04h00

É difícil fazer compras e conseguir consumir todos os alimentos sem desperdiçar nada. Afinal de contas, muitas vezes a quantidade do produto e o tempo de conservação não acabam ajudando e o resultado: alimentos indo para o lixo.

Para tentar minimizar esse problema, UOL VivaBem conversou com especialistas que ensinaram formas de preservar os alimentos por mais tempo. Veja as dicas para cada grupo de alimentos e evite desperdícios:

1. Frutas

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Imagem: Istock

O primeiro passo é separar aquelas que emitem uma substância chamada etileno. Esse é um gás responsável pelo amadurecimento da fruta.

No primeiro grupo entram frutas como: abacate, ameixa, banana, caqui, damasco, fruta-do-conde, kiwi, manga, maçã, mamão, maracujá, nectarina, pêra, pêssego, pinha e tomate. Elas devem ser armazenadas em ambientes ventilados e frescos e podem ir à geladeira, desde que fechados em potes ou sacos do tipo ziplock.

Tanto o calor como o oxigênio aumentam a taxa de respiração das frutas, fazendo com que elas amadureçam e entrem na senescência (morte do tecido, ou seja, deterioração) mais rapidamente.

Já o grupo que solta pouco etileno é composto por abacaxi, caju limão, carambola, cereja, coco, figo, goiaba, laranja, lichia, limão, melancia, morango, nêspera, romã, tangerina, uva --os melões orange (da família dos inodoros) também entram nessa lista. Essas frutas também devem ir à geladeira, mas sempre na parte mais baixa e em sacos plásticos higienizados. Se a ideia for congelar essas frutas, tire a casca, corte em pedaços menores, divida em porções e coloque em sacos plásticos e leve ao congelador.

Para quem costuma consumir apenas uma parte do alimento, a dica também é armazená-lo dentro de um plástico ziplock a vácuo ou também envolver a fruta com plástico filme, assim haverá menos contato com o ar, conservando-a por mais tempo.

2. Verduras e legumes

Getty Images
Imagem: Getty Images

A maneira mais simples e adequada para conservar legumes e verduras é a utilização do branqueamento. Veja o passo a passo:

  1. Limpe os alimentos removendo as partes danificadas, as cascas e as sementes, lave e corte em pedaços.
  2. Coloque por alguns minutos em água fervente.
  3. Depois, retire com o auxílio de uma escumadeira e coloque-os em um recipiente com água e gelo (já gelada) pra resfria-los imediatamente e cessar o cozimento.
  4. Seque os alimentos, ponha em embalagens limpas e secas, retire o ar e armazene-os em freezer ou geladeira.

O tempo em que você deve deixar cada alimento branqueando é:

  • Berinjela, repolho, pimentão, chicória, espinafre, chuchu - 2 minutos
  • Beterraba - 3 a 5 minutos
  • Brócolis, milho verde sem espiga e mandioca - 3 a 4 minutos
  • Cenoura - 2 a 5 minutos
  • Couve-flor, vagem, abóbora - 3 minutos
  • Batata e ervilha - 2 a 4 minutos
  • Milho verde com espiga - 8 minutos
  • Nabo - 5 minutos
  • Couve, repolho - 1 minuto

Este processo garante a qualidade desses alimentos por mais tempo, pois inativa algumas enzimas que participam dos processos de maturação e degeneração de hortaliças e frutas, além de reduzir a carga microbiana, além de permitir que as verduras e legumes sejam congelados.

Por outro lado, não é indicado congelar verduras consumidas cruas, como alface, rúcula e agrião. Aquelas que são ingeridas cozidas, como espinafre e couve-de-bruxelas, podem ser congeladas sem problema.

No freezer, legumes e verduras branqueados podem durar de 6 a 8 meses. Na geladeira, podem durar de 7 a 10 dias, dependendo do alimento.

3. Laticínios

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Imagem: Getty Images

Para os leites de caixinha (industrializados), a forma de conservação deve seguir as instruções da embalagem, ou seja, prazo de validade de cinco dias quando armazenados em uma temperatura de até 7 ºC.

Um erro muito comum é deixar o leite e os derivados na porta da geladeira, o que não é a melhor prática, pois é o local que está sempre com uma variação de temperatura e pode acelerar o processo de deterioração do alimento. O correto, portanto, é armazenar nas prateleiras de dentro, de preferência nas prateleiras de cima. De acordo com Ilan Kibrit, gerente de refrigeradores da divisão de Digital Appliance da Samsung Brasil, nas geladeira convencionais o ar frio é liberado pela parte de cima, portanto as prateleiras nessa região são mais geladas que as outras.

Quanto aos queijos, o maior problema é o desenvolvimento de mofo. Esses alimentos devem permanecer no mesmo local que o leite e sempre dentro de um pote. Depois de abertos, deve-se procurar minimizar o tempo de exposição ao ambiente, assim como a manipulação excessiva. Por exemplo, ao abrir um requeijão, deve-se sempre usar uma faca limpa para retirar o produto do pote e não deixar sobre a mesa por várias horas. A mesma recomendação é válida para as peças de queijos.

Outra dica importante é que os queijos não devem ser congelados, pois isso pode alterar o nível de proteína e modificar o sabor e as características deles.

4. Pães

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Os pães industrializados já possuem conservantes, mas, mesmo assim, é importante sempre deixá-los fechados dentro do saco plástico em que foram comprados para evitar que estejam em constante contato com o oxigênio, o que diminui a validade.

Já para conservar os pães industrializados por mais tempo, basta deixá-los em um saco ziplock dentro do freezer. O pão congelado pode durar de 1 a 2 meses, dependendo do clima do congelador e das condições de armazenamento. Quanto mais baixa a temperatura e a maior a proteção do alimento em relação ao ar frio, maior será as chances dele manter suas características íntegras. Uma ótima dica é congelar o alimento de forma individual e na hora do consumo, colocá-lo direto na torradeira, por exemplo.

Já os pães caseiros têm um tempo de validade muito menor e pode desenvolver bolores rapidamente. Para evitar esse problema, a adição de uma colher de vinagre na massa pode reduzir o pH do produto, e assim, minimizar o aparecimento de bolores precocemente.

Outra dica importante é não embalar o pão ainda quente, isso porque, nessa situação, ele libera água na forma de vapor, que se condensa na embalagem plástica e volta para o alimento, o que favorece o aparecimento de mofo. Depois de resfriado, pode guardar dentro de um plástico bem fechado.

Vale lembrar que pães elaborados com farinhas integrais, além de mais saudáveis, duram mais tempo, já que as fibras presentes nessas farinhas absorvem a água adicionada na receita, de forma que o líquido não fique tão disponível para o crescimento dos bolores.

5. Grãos, cereais e farináceos

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Seja linhaça, aveia, arroz, milho, farinhas etc., o ideal sempre é armazená-los em local fresco e seco e dentro de potes fechados. Para conservação por períodos maiores, existe uma técnica que consiste em colocar os grãos ou os cereais em garrafas PET higienizadas e secas (o importante é não ter nenhum resíduo de água) e vedar a tampinha com fita adesiva. Este ambiente torna-se um ótimo conservador, pois retira quase todo o oxigênio, prevenindo assim o processo respiratório do alimento e a consequente deterioração do mesmo.

Também é importante utilizar todos os cereais, grãos e farináceos do recipiente antes de colocar novos, caso contrários, os que estão no fundo do recipiente nunca serão utilizados, o que aumenta o risco de apodrecerem e contaminar os demais.

6. Carnes brancas e vermelhas

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Sejam aves, peixes ou bovinos, o congelamento sempre será a melhor opção para evitar a multiplicação de microrganismos naturalmente presentes nas carnes e aumentar o tempo de conservação. Só é preciso ficar atento quanto à quantidade de gordura do alimento, aquelas com maior teor de gordura apresentam menor tempo de vida útil, porque mesmo congelada, a gordura sofre oxidação, alterando o sabor da carne. 

E tem mais: ao comprar o alimento, retire-o da bandeja de isopor e coloque-o em um saco plástico específico ou em um ziplock. Mas não se deve lavar a carne, pois isso aumenta a quantidade de água e o número de microrganismos, favorecendo a deterioração. Após descongelar, não é recomendado voltar para o freezer. Então, se a intenção é congelar e ir retirando aos poucos, você deve separar a carne em diversos sacos plásticos.

7. Embutidos

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Os embutidos incluem itens como a linguiça, salsicha, paio, salame etc. Como já sabemos, a maioria desses alimentos devem permanecer dentro da geladeira, mas para conservar por mais tempo, é indicado levá-los ao freezer enrolados em um papel filme e assim manter a umidade típica. Somente o salame que não é recomendado o congelamento, já que ele pode perder a consistência e sabor. No congelador, esses produtos podem permanecer por até dois meses (o tempo de validade pode ser diferente dependendo do fabricante), desde que armazenados corretamente.

Fontes: Ana Cristina Cabral, professora de nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo; Andrea Carla da Silva Barretto, engenheira de alimentos do Departamento de Engenharia e Tecnologia de Alimentos Universidade Estadual Paulista (Unesp), Katia Rezzadori, engenharia de alimentos pela Universidade de passo Fundo (UPF) e professora do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos (ICTA), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Bruna Tischer, especialista em ciência dos alimentos com ênfase em frutas e hortaliças pela Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul e professora da UFRGS; Cynthia Jurkiewicz Kunigk, professora de engenharia de alimentos do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo; Florencia Cladera Olivera, especialista em engenharia de alimentos e professora do Instituto de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Marcia Rapacci, professora de engenharia de alimentos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR); Roberta Cruz Silveira Thys, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos - Regional Rio Grande do Sul; Fábio Griciúnas, biomédico especializado em fisiologia humana e instrutor em alimentação fisiológica pela Universidade de Cuio, em Menzoza (Argentina); Felipe Gregório, nutricionista da Pulse Medicina Esportiva, em São Paulo.

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