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6 fatores comuns no dia a dia que podem desencadear crises de asma

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Imagem: hsyncoban/Istock

Giulia Granchi

Do UOL VivaBem, em São Paulo

21/09/2018 04h00

A asma é um problema sem cura que pode dificultar a respiração e gerar chiado no peito. Veja gatilhos da doença e como tratar

Quem convive com a asma sabe que o problema pode trazer incômodos que atrapalham a rotina. Crônica, a doença não tem cura e é caracterizada pela inflamação das vias aéreas, o que as deixa estreitas e inchadas, podendo gerar tosse, cansaço, chiado e aperto no peito, além de dificultar a respiração.

      As crises têm gatilhos que mudam de pessoa para pessoa e vão desde variações climáticas até alterações de humor. Quem já convive com a asma há algum tempo provavelmente tem ideia dos fatores que pioram a doença, mas alguns fatores podem atrapalhar regularmente --e causar impacto na sua saúde -- sem que você perceba. 

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      1. Mudança brusca de temperatura

      A variação radical do clima é um dos fatores desencadeantes mais comuns para quem tem a doença, já que a hipersensibilidade das vias áreas dos pacientes reage aos estímulos da temperatura. A falta de umidade, que causa o ressecamento das vias, também pode prejudicar a respiração.

      Além disso, os vírus comuns em épocas mais frias podem piorar o quadro. Enquanto um resfriado tende a passar em cinco dias para uma pessoa comum, para o paciente com asma a infecção pode ser mais complicada e trazer à tona diversos sintomas da asma de uma só vez.

      2. Exercícios físicos

      Durante a atividade física o sistema respiratório é bastante exigido e pode sofrer com isso. Não é à toa que muitas pessoas descobrem a doença na infância, período em que brincadeiras com corrida são comuns. Se ao subir um lance de escada ou jogar uma partida de queimada na escola a criança começa a tossir e fica muito cansada, é um sinal alarmante que pode ajudar diagnóstico do problema.

      Se você treina em ambiente externo e o clima é um fator desencadeante de crises, nos dias frios, vá bem agasalhado ou faça exercícios em um lugar fechado para se preservar. 

      Apesar de ser um gatilho, ao contrário do que muitos podem imaginar, os médicos sempre recomendam que os pacientes façam atividade física. Além dos diversos benefícios para a saúde do corpo e da mente, os exercícios melhoram a condição pulmonar.

      3. Ambiente e objetos com muito pó

      Se o paciente foi diagnosticado com asma alérgica, evitar o acúmulo do pó faz diferença para minimizar sintomas e episódios de crise --mas não será significativa caso o uso de remédios preventivos não seja feito.

      A recomendação médica é a higienização dos ambientes diariamente, assim como vestir capas impermeáveis em colchões --que devem ser colocados no sol uma vez por semana -- e travesseiros antes da roupa de cama; o acessório impede o contato com as bactérias que podem gerar a inflamação das vias aéreas. 

      De acordo com especialistas, algumas medidas preventivas dentro do quarto de pacientes com esse quadro devem ser tomadas:

      • O ar condicionado, umidificador e vaporizador não devem ficar ligados durante a noite inteira, pois favorecem a proliferação de fungos e ácaros;
      • Substitua o cobertor de lã por edredom e evite objetos acumuladores de pó como quadros, livros, bichinhos de pelúcia. Esses devem ficar dentro de armários;
      •  Em vez de espanar móveis ou usar vassoura para limpar os ambientes --o que faz o pó subir -- passe rodo com pano úmido. Em relação a aspiradores, prefira os com filtro HEPA (melhores para remover os alérgenos). Os comuns tendem a espalhar pó;
      • Carpete e tapetes devem ser evitados, dando preferência a pisos frios;
      • As cortinas devem ser lavadas a cada 15 dias;
      • A presença de animais no quarto também deve ser evitada, já que os pelos costumam piorar a alergia.

      4. Produtos de limpeza muito fortes

      Água sanitária, alvejante e amônia pode irritar as vias nasais. Apesar de os pacientes geralmente saberem a quais componentes são sensíveis, é aconselhável permanecer atento aos sinais, especialmente se decidir pela troca de algum produto.

      5. Estresse e emoções intensas

      As alterações no quadro asmático por emoções são geralmente mais comuns em adultos. Situações de muita ansiedade ou estresse podem servir como gatilho.

      É possível que uma pessoa que teve crises de asma na infância e depois ficou um longo período sem sofrer com a doença volte a encontrar problemas em épocas de tensão, como a organização de um casamento. Alterações emocionais que acontecem no período de gravidez e pré-menstrual também podem ser culpados por desconfortos inesperados.

      6. Hábitos alimentares, TPM e outros fatores

      Inflamações nasais ou pulmonares, que causam crises asmáticas, podem ser geradas por alimentos ou medicamentos aos quais o paciente tenha alergia, embora esses sejam casos mais raros.

      Além disso, o hábito de fumar é enfaticamente desaconselhado pelos médicos pneumologistas, já que além de estar associado a inúmeros problemas de saúde, como maior risco de alguns tipos de câncer, influencia diretamente no sistema respiratório.

      O que é a asma?

      A asma se caracteriza pela inflamação crônica das vias áreas, que nessa condição ficam estreitas, inchadas e produzem mais muco do que o normal, dificultando a respiração. Seus episódios são caracterizados por crises de tosse, chiado e aperto no peito e cansaço. Esses sintomas podem surgir juntos ou separadamente.

      Como é feito o diagnóstico?

      Na infância, o primeiro diagnóstico costuma ser clínico, dado a partir de uma investigação dos sintomas como chiado no peito, tosse e dificuldade em praticar exercícios. Isso por que os exames laboratoriais, como a espirometria (na qual o paciente sopra ar em um objeto), só podem ser feitos em crianças acima de 6 anos.

      A trajetória do paciente, incluindo histórico familiar da doença e possíveis alergias também são levados em conta.

      TESTE ALÉRGICO NÃO É DIAGNÓSTICO

      Os pacientes podem ser submetidos a testes alérgicos por exame de sangue ou pelo contato de alérgenos na pele (geralmente gotas pingadas no braço). Apesar de eficazes, os testes não estabelecem um diagnóstico efetivo, já que a doença é multifatorial e pode ser piorada por diferentes gatilhos, dependendo da pessoa.

      Quais são os tratamentos?

      Como a doença não tem cura, controle da inflamação e medidas preventivas são a chave para evitar as crises. O tratamento dependerá da classificação da asma do paciente. Entre os principais medicamentos, estão:

      • Corticoides inalados São ingeridos por meio de spray, inaladores portáteis ou em forma de pó (por instrumento pessoal do paciente). São medicamentos considerados seguros por agir diretamente nos pulmões, em vez de passarem pela corrente sanguínea.
      • Broncodilatadores de longa ação Podem ser utilizados ao mesmo tempo que os corticoides, para melhorar a respiração por meio da abertura das vias respiratórias, e não devem ser usados durante crises.
      • Teofilina Em forma de comprimido, o remédio funciona principalmente como broncodilatador, mas, por também ter efeito anti-inflamatório, é associado aos corticoides.

      Se a asma é alérgica, os médicos poderão recomendar ainda a imunoterapia, que inclui vacinas injetáveis ou sublingual (gotinhas abaixo da língua). O tratamento é de longa duração e tem preço elevado para a população geral, mas oferece perspectiva de muitos anos sem crises.

      Fontes: Rosane  Bleivas  Bergwerk, médica pneumologista infantil pela Santa Casa de São Paulo e alergista e imunologista pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); e Ana Clara Toschi, médica pneumologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

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