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Estudo acha elo entre cheiro e memória, e ajuda no diagnóstico de Alzheimer

Cientistas desvendam mistério de como cérebro relaciona cheiro com memórias - iStock
Cientistas desvendam mistério de como cérebro relaciona cheiro com memórias Imagem: iStock

Cheiros ativam sua memória? Estudo desvenda elo entre odor e memórias

Do VivaBem, em São Paulo

29/07/2018 12h59

Quem nunca sentiu o perfume de alguém querido e foi praticamente teletransportado para uma memória ao lado dessa pessoa? Neurobiólogos da Universidade de Toronto, no Canadá, identificaram o mecanismo que permite ao cérebro recriar essas experiências sensórias vívidas da memória, esclarecendo como é o processo de armazenamento e criação de memórias ricas em fatores sensoriais no cérebro.

O estudo focou no poder da relação entre o cheiro e as memórias, oferecendo uma nova perspectiva sobre como os sentidos são representados na memória e poderiam explicar por que a perda da capacidade de cheirar se tornou um sintoma inicial da doença de Alzheimer.

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“Nossas descobertas mostraram pela primeira vez como os cheiros que encontramos durante a vida são recriados na memória”, disse Afif Aqrabawi, principal autor da pesquisa, publicada na Nature. “Nós decodificamos como você consegue lembrar do cheiro da torta de maçã da sua avó ao entrar na cozinha dela”.

Há uma forte conexão entre a memória e o olfato devido à história evolutiva comum entre eles. Examinando essa ligação em camundongos, cientistas descobriram que informações sobre espaço e tempo se integram em uma região do cérebro importante para o olfato, no núcleo olfativo anterior (apelidado de AON).

“Quando todos esses elementos se combinam é forma uma memória chamada de ‘que-quando-onde’”, explicou Aqrabawi. É por isso que você pode ter a capacidade de lembrar o cheiro do perfume de um namorado (o que) e como foi o primeiro beijo de vocês (quando e onde).

E o que o Alzheimer tem a ver com isso?

No decorrer do exame da estrutura e da função do AON, os pesquisadores descobriram uma via neural anteriormente desconhecida entre ele e o hipocampo - algo crítico para a memória e representação contextual, e altamente implicada na doença de Alzheimer.

Com isso, os pesquisadores conseguiram imitar os problemas de memória de odor observados nos pacientes de Alzheimer nos camundongos, desconectando a comunicação entre o hipocampo e o AON. Assim, foi possível notar que os animais sem esse funcionamento não conseguiram completar a função da memória ‘que-quando-onde’, e ficam cheirando odores já conhecidos por longos períodos.

Já se sabia da ligação entre perda de memória olfativa como a doenças de Alzheimer, tanto que testes de cheiros são usados na esperança de um diagnóstico precoce, mas é preciso aprimorá-los.

Os pesquisadores dizem que, com uma melhor compreensão dos circuitos neurais subjacentes à memória de odores, testes que examinam direta e efetivamente o funcionamento adequado desses circuitos podem ser desenvolvidos.

"Esses testes podem ser mais sensíveis à detecção de problemas do que se os pacientes fossem solicitados a lembrar de um odor. A motivação para desenvolvê-los é alta devido à sua administração rápida, barata e fácil," explicou o autor.

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