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Doença de Crohn: "Ia ao banheiro 15 vezes ao dia e cheguei a pesar 33 kg"

Carlos Eduardo chegou a ser internado 18 vezes - Divulgação
Carlos Eduardo chegou a ser internado 18 vezes Imagem: Divulgação

Priscila Carvalho

Do VivaBem, em São Paulo

25/07/2018 08h08

Diarreia, dores abdominais e vômito. Carlos Eduardo Alonso, 30, sofreu por quase dois anos com esses desconfortos até descobrir que estava com uma doença rara e autoimune: a doença de Crohn.

O problema se manifesta de forma rápida e, muitas vezes, é confundido com virose --por causa da semelhança dos sintomas. Foi o que aconteceu com Carlos, que perdeu quase 40 kg em pouco mais de três meses. “Cheguei a pesar 33 kg e antes tinha 70 kg. Era horrível, uma situação agoniante”, diz.

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Como além da forte diarreia o paulista sentia dores na cabeça e tonturas, os médicos começaram a tratar o problema como algo neurológico. Porém, os psiquiatras não encontraram nada de errado em seu cérebro. Depois de um desmaio no shopping, ele foi submetido a uma tomografia que identificou uma perfuração intestinal. Foi internado e ficou três dias em coma.

Carlos passou por uma cirurgia emergencial. Antes da intervenção cirúrgica, os médicos foram enfáticos dizendo que ele só tinha aquela manhã de vida. Embora os profissionais estivessem pessimistas com seu estado de saúde, o procedimento teve bom resultado. Porém, Carlos continuou sem saber o que causava sua inflamação abdominal e precisou passar a usar uma bolsa de colostomia, na qual a pessoa libera as fezes quando o intestino grosso não funciona.

Depois de quase um ano com o dispositivo, ele encontrou as respostas no Projeto de Pesquisa de Doenças de Crohn do Hospital Albert Einsten, em São Paulo. Após exames minuciosos os médicos não tinham dúvida que ele estava com Chron.

Nesse meio tempo, a rotina de internações provocou a perda do emprego e a vontade de cometer suicídio se intensificou. “Tinha dia que eu ia no banheiro 15 vezes. Cheguei a usar fralda e pensei em me matar pela situação que estava vivendo”, conta. Para tentar lidar com o problema, ele procurou ajuda na terapia e teve total apoio da família. No entanto, seu intestino ainda estava debilitado e a doença continuava de forma agressiva.

A esperança para melhorar os efeitos do Crohn só veio após ser submetido à cirurgia de reconstrução do intestino. Depois do procedimento, os sintomas estabilizaram e, hoje, ele faz acompanhamento com médicos e nutricionistas.

Divulgação
Imagem: Divulgação

O que é a Doença de Crohn?

É uma doença inflamatória gastrointestinal que acomete desde a boca até o ânus. Ela afeta predominantemente o intestino delgado e intestino grosso. 

O que provoca?

Suas causas ainda são desconhecidas, mas os especialistas suspeitam que o sistema imune "ataca" as células intestinais e provoca a inflamação. Geralmente, pacientes apresentam predisposição genética e sofrem pelos efeitos ambientais como aumento do consumo de alimentos industrializadas ou quimicamente modificados. Ainda é considerada sem cura, mas o acompanhamento médico permite a melhora da qualidade de vida do paciente.

Sintomas

Os sinais mais comuns são dores abdominais, diarreia, diminuição do apetite e perda de sangue nas fezes.

O que a pessoa pode comer?

Na fase aguda da doença, o paciente deve evitar comidas fermentadas e com excesso de fibras, que soltam ainda mais o intestino. Vale ressaltar que a restrição de diversos alimentos pode levar a um grau de desnutrição. Por isso, é importante um acompanhamento de um nutricionista ou nutrólogo durante o tratamento. 

O ideal é uma supervisão intensa para evitar que o paciente tenha complicações. Se a doença não for tratada corretamente, pode haver deficiência de ferro, falta de vitamina B12 e até osteoporose. Quando os sintomas da doença “estacionam”, o paciente pode voltar a comer quase tudo, mas sem exageros e sob supervisão médica.

Pode evoluir para câncer?

Sim. Existe um aumento do risco de câncer em quem tem Chron. Se a doença permanece no intestino grosso, o ideal é fazer exames periódicos durante um período oito a dez anos.

Fontes: Matheus Azevedo, gastroenterologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; Flavio Steinwurz, gastroenterologista do hospital Albert Einstein. 

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