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Estresse e chocolate são gatilhos de enxaqueca; saiba como prevenir a dor

Ana Matsusaki/VivaBem
Imagem: Ana Matsusaki/VivaBem

Thamires Andrade

Do VivaBem, em São Paulo

28/03/2018 04h00

A enxaqueca é uma doença causada por uma série de alterações bioquímicas cerebrais e não deve ser confundida com uma dor de cabeça comum --que pode ser sintoma de gripe, resfriado, alergias etc.

A condição afeta um em cada dez pessoas em todo o mundo, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), e é um problema hereditário. "A dor de cabeça é o principal sintoma da enxaqueca, mas existem vários outros, como náuseas, vômitos, tonturas e intolerância à luz, ao barulho e a cheiros", explica a neurologista Thaís Villa, diretora do Headache Center Brasil e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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O que pode "disparar" a enxaqueca?

As alterações bioquímicas acabam deixando o cérebro mais sensível a algumas situações que, quando acontecem, desencadeiam crises de enxaqueca. São os famosos gatilhos. Veja, abaixo, alguns deles:

Estresse;
• Alterações hormonais;
• Jejum prolongado;
• Bebidas alcoólicas, como vinho;
• Alterações na rotina de sono;
• Mudanças climáticas;
• Luzes fortes;
Café;
• Chocolate;
• Sorvete;

Marcelo Ciciarelli, neurologista e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, deixa claro que esses gatilhos variam de pessoa para pessoa. Por isso, os médicos não costumam entregar uma lista de proibições aos pacientes com enxaqueca. "O importante é cada um tentar identificar o seu gatilho e evitá-lo", diz.

A dica de José Geraldo Speciali, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCRP-SUP), para reconhecer esses gatilhos é que a pessoa anote os alimentos que consumiu no dia e as situações a que foi exposto, como estresse ou falta de sono. "Assim, o paciente evita tirar do cardápio uma série de alimentos que gosta, o que pode prejudicar muito sua qualidade de vida, não só pela enxaqueca, mas também pelo fato de viver com restrições ", diz.

E como apaziguar esses gatilhos?

É possível se afastar de alguns gatilhos com mudanças na rotina de sono e alimentar. Já os ambientais, como cheiros, luz e barulho são impossíveis de evitar a exposição. Por isso, os médicos batem na tecla da importância de tratar a doença, pois quando a enxaqueca está controlada os gatilhos têm um papel muito menor em desencadear as crises.

O certo não é prevenir a dor evitando o gatilho. Esse tipo de ação afasta o paciente do tratamento adequado. A pessoa precisa entender que tem uma doença cerebral e cuidar dela corretamente”, fala Ciciarelli.

Além de uma boa noite de sono, a prática regular de atividade física ajuda na prevenção de enxaquecas. “O exercício libera endorfinas que contribuem para diminuir o nível de tensão. Até mesmo uma sessão de psicoterapia é indicado para lidar melhor com o estresse”, explica Speciali.

Tratamentos disponíveis

Atualmente, os pacientes que sofrem com enxaqueca têm dois tratamentos disponíveis. Um para os momentos de crise e outro preventivo, para reduzir a intensidade e frequência das dores.

Nos momentos de crise, os médicos prescrevem analgésicos e, se o paciente tiver mais de duas enxaquecas por mês, é recomendado o tratamento preventivo. “Nesse caso, a pessoa toma um medicamento diariamente com o objetivo de reduzir ou impedir que as crises aconteçam. E há uma série de classes de medicamentos que podem ser usados. No entanto, não existe ainda uma droga produzida ou sintetizada exclusivamente para enxaqueca”, explica Ciciarelli.

Speciali, no entanto, destaca que os tratamentos disponíveis atualmente são eficazes e reduzem em 80% a ocorrência de crises.

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