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Dor lombar: pacientes estão recebendo tratamento errado, diz estudo

Segundo dados do PNAD (Programa Nacional de Amostra por Domicílios), a dor lombar é a segunda condição de saúde mais comum no Brasil, ficando atrás apenas de hipertensão arterial - iStock
Segundo dados do PNAD (Programa Nacional de Amostra por Domicílios), a dor lombar é a segunda condição de saúde mais comum no Brasil, ficando atrás apenas de hipertensão arterial Imagem: iStock

Gabriela Ingrid

Do VivaBem

21/03/2018 13h23

Principal causa de incapacidade no mundo, a dor lombar está sendo tratada inadequadamente, de acordo com um estudo publicado nesta quarta-feira (21), no periódico The Lancet. Segundo os pesquisadores, na maioria dos casos, analgésicos, exames de imagem e cirurgias não são o ideal para aliviar o problema.

A dor lombar é um sintoma cada vez mais comum. O estudo mostrou que o número de anos que as pessoas convivem com deficiência gerada por lombalgia aumentou 54% entre 1990 e 2015, principalmente devido ao crescimento da população e ao envelhecimento. Para piorar o quadro, não é possível identificar um fator específico para o problema. Somente uma pequena proporção de pessoas (5%) tem uma causa patológica bem compreendida, como nos casos de fratura vertebral ou infecção.

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A pesquisa, que reuniu 33 autores internacionais, mostrou que esse grande contingente de pessoas com dor lombar ainda é tratado erroneamente, principalmente pelo medo ao redor dela. “As pessoas precisam entender que a lombalgia é um sintoma e não uma doença. É como a dor de cabeça”, diz Lucíola Costa, uma das autoras do estudo, professora do programa de mestrado e doutorado em Fisioterapia da UNICID, universidade que apoiou a pesquisa.

Segundo Costa, no Brasil, mais de 36% das pessoas com o problema migram para departamentos de emergência, preocupadas com o que a dor pode ser, e lá fazem exames de imagem, são aconselhadas a repousarem, a se afastarem do trabalho e a se manterem menos ativas --dados do estudo mostram que 90% dos reumatologistas brasileiros recomendam a essas pessoas o repouso. “Mas, de acordo com o que analisamos na pesquisa, os indivíduos que se afastam costumam ter prognósticos piores do que os que se mantêm ativos”, diz ela.

Países de média e baixa renda estão cada vez mais realizando trabalhos sedentários, nos quais a população permanece sentada a maior parte do tempo - iStock
Países de média e baixa renda estão cada vez mais realizando trabalhos sedentários, nos quais a população permanece sentada a maior parte do tempo
Imagem: iStock

Exames por imagem como raio x, tomografia, ressonância magnética não são necessários, assim como a cirurgia, tratamento com pouco evidência de que seja eficaz. “Apesar de haver um grande número de estudos que não recomendam o uso rotineiro de análises de imagem para pacientes com dor lombar, é difícil encontrar um paciente que nunca tenha realizado um desses exames. Isso é preocupante porque não há evidências de que exames por imagem da região lombar melhore os resultados do paciente, mas os pacientes encaminhados para exames de imagem são mais propensos a receberem cuidados desnecessários e cirurgia, revela Costa.

Segundo a pesquisadora, quem faz a cirurgia tem uma melhora em curto prazo, mas é exatamente a mesma melhora de quem fez tratamento fisioterápico ou psicológico. Aqui, o número de cirurgias é abusivo e desnecessário, uma vez que nem sabemos qual a causa do problema. Segundo o estudo, no período de 1995 a 2014, o custo de cirurgias espinais aumentou 540%.

A maioria dos casos de dor lombar responde a terapias físicas e psicológicas simples que mantêm as pessoas ativas e permitem que elas permaneçam no trabalho

Rachelle Buchbinder, principal autora do estudo, da Universidade de Monash, na Austrália 

"Muitas vezes, no entanto, são tratamentos mais agressivos do benefício duvidoso que são promovidos."

Há um grande número de estudos que não recomendam o uso rotineiro de exames de imagem para pacientes com dor lombar  - iStock
Há um grande número de estudos que não recomendam o uso rotineiro de exames de imagem para pacientes com dor lombar
Imagem: iStock

Tratamento ideal

Se a dor lombar fosse considerada como um sintoma e não como uma doença, os tratamentos deveriam girar em torno da gestão desse sintoma. O estudo concluiu que o tratamento deveria ser educacional, ou seja, primeiro o profissional deveria explicar a esse paciente que o problema não é grave, pode ser reincidente, mas tem solução. E justamente por esse motivo o indivíduo não precisa parar de realizar suas atividades.

Além disso, deve-se evitar o abuso de medicamentos e fazer acompanhamento com fisioterapeuta. “Em alguns casos o paciente pode apenas deixar o sedentarismo de lado com caminhadas ou natação e o sintoma já melhora. É preciso quebrar o paradigma de medo de se movimentar”, diz Costa.

Problema de ansiedade, estresse e depressão também possuem alguma ligação com a lombalgia, apesar de os cientistas ainda não terem encontrado a relação direta entre eles. “A questão é que percebemos que pacientes com dor lombar têm uma melhora significativa do problema ao fazerem acompanhamento psicológico.”

Milhões de pessoas em todo o mundo estão recebendo cuidados incorretos para a dor lombar - iStock
Milhões de pessoas em todo o mundo estão recebendo cuidados incorretos para a dor lombar
Imagem: iStock

Problema vai piorar

A dor lombar está piorando em grande parte por causa do envelhecimento e o aumento da população mundial. Isso afeta todos os grupos etários e é geralmente associado ao sedentarismo, tabagismo, obesidade e baixo nível socioeconômico. Além disso, países de média e baixa renda estão cada vez mais realizando trabalhos sedentários, nos quais a população permanece sentada a maior parte do tempo ou se mantém estressada e deprimida.

No Brasil, por exemplo, cerca de 13% da população sofre de dor lombar. Segundo dados do PNAD (Programa Nacional de Amostra por Domicílios), a lombalgia é a segunda condição de saúde mais comum no país, ficando atrás apenas de hipertensão arterial.

De acordo com o estudo, se as pessoas não forem educadas a se manterem ativas no trabalho, o problema só vai piorar. Prevê-se que a dor lombar aumente nas próximas décadas, em particular nos países de renda baixa e média. Segundo os pesquisadores, a educação deve começar pelos próprios profissionais. Os autores dizem que os sistemas de cuidados de saúde precisam evitar tratamentos nocivos e inúteis. "Milhões de pessoas em todo o mundo estão recebendo cuidados incorretos para a dor lombar. A proteção do público contra abordagens não comprovadas ou prejudiciais para gerenciar o desconforto exige que os governos e os líderes de saúde combatam estratégias enraizadas", disse outra autora, Jan Hartvigsen, da Universidade do Sul da Dinamarca.

A maioria dos casos de dor lombar responde a terapias físicas e psicológicas simples que mantêm as pessoas ativas e permitem que elas permaneçam no trabalho - iStock
A maioria dos casos de dor lombar responde a terapias físicas e psicológicas simples que mantêm as pessoas ativas e permitem que elas permaneçam no trabalho
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