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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Um ex me passou HIV e me xingou. Hoje sou feliz e meu filho, saudável

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Imagem: iStock

Claudia Rato

Colaboração para o VivaBem

04/03/2018 04h00

“Eu sou a única pessoa em que devo confiar.” Essa foi a frase que Julia* disse ao ser questionada sobre o que a Aids ensinou para ela.

Seu ressentimento é direcionado a um ex-namorado. Ele tinha o vírus, mas nunca disse nada. Namoraram, terminaram, o tempo passou e, numa consulta de rotina, seu ginecologista pediu o exame antiHIV. Deu positivo. Julia estava com 25 anos e não fazia ideia de como pegou a doença.

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“Na hora fiquei assustada porque não conhecia nada sobre o problema. No mesmo dia eu procurei o hospital Emílio Ribas e lá conversei com médicos e psicólogos. Daí, vi que não era o fim do mundo."

Logo que descobriu estar com Aids, ela contou para a mãe, os irmãos e o namorado da época. "Fui muito bem acolhida pela minha família, exceto pelo meu irmão que mora comigo e tem preconceitos até hoje. Aliás, ele acha que se eu dormir na cama dele, no dia seguinte vai estar contaminado --é um idiota, só rindo mesmo”, conta.

"Nunca fui do grupo de risco"

Desde que soube do resultado, tudo o que Julia queria saber era como foi infectada. “Nunca fui uma pessoa de vida sexual tão ativa, então conversei com os caras com quem tinha transado, todos foram comigo fazer exames. O único que se negou foi um dos ex-namorados. Logo, conclui que tinha sido ele. Confirmei isso algum tempo depois." Tentei falar com o cara, que não quis me ouvir. Me chamou de vagabunda e tudo mais. Ok, é vida que segue”.

E a vida seguiu, Julia teve outros namorados e todos sabiam do seu diagnóstico. “Sempre contei de cara. Apenas um rapaz por quem me apaixonei se afastou de mim. O preconceito falou mais alto! É bem o tipo de gente que nem conhece você direito e já julga, sabe?”, desabafa.

Mas Julia não ficou sozinha por muito tempo, logo começou a ficar com Paulo*, pai do seu filho. “Ele sempre soube da doença, pois antes de se tornar meu namorado era meu amigo. Já a sua família nunca desconfiou. Moramos um período juntos e nos separamos quando nosso filho, hoje com três anos, tinha um ano e 10 meses”.

"Meu maior medo sempre foi infectar alguém"

A primeira coisa que passou pela minha cabeça ao receber o exame foi que jamais passaria essa doença para ninguém. Quando namorei com Paulo, ele dizia que o sangue dele era forte e por isso não fazia questão de usar preservativo. No começo isso me incomodou, mas passou. Tinha medo de passar o vírus, mas estava com a consciência tranquila, porque ele não se prevenia por vontade própria. E não foi infectado!”

Apesar de o vírus não ter sido transmitido para Paulo nas relações com Julia, os especialistas ressaltam que o uso do preservativo é fundamental para um sexo seguro. A camisinha evita não só o HIV, como também várias outras doenças.

"Ufa, meu filho nasceu saudável!"

“Durante muito tempo eu sequer pensei no HIV. Só me preocupei mesmo quando engravidei. Aliás, foi somente aí que passei a tomar remédio. Tem gente que descobre a Aids porque está passando mal e o vírus já afetou o sistema imunológico. Porém, descobri num exame de rotina e meu sistema imunológico não foi afetado -- ou seja, o vírus não tinha se  manifestado. Por isso, não tomava nada."

No entanto, para não transmitir o vírus para seu bebê, Julia precisou usar a medicação. "E até hoje continuo, porque depois que começa não pode parar. O bom disso tudo é que meu filho nasceu uma criança saudável e é muito feliz." Meu sonho agora é ver meu filho crescer, se tornar pai e um dia ser avó!”

"Tem gente passando o vírus por aí, cuidado!"

“Faço parte de um grupo de pesquisa no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Frequentei muita roda de conversa. O que percebi é que grande parte das pessoas infectadas faz de tudo para passar a doença aos outros, da mesma forma que alguém transmitiu a elas. É triste, mas é uma realidade. Por isso que digo sempre que a única pessoa que a gente deve confiar é na gente!”, finaliza Julia.

*Os nomes dos personagens foram trocados para preservar a identidade da entrevistada e a imagem da reportagem é meramente ilustrativa

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