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Abuso de álcool pode elevar (e muito) o risco de Alzheimer e demência

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Do VivaBem

21/02/2018 12h02

Os cientistas descobrem cada vez mais malefícios que as bebidas alcoólicas causam ao corpo. Além de aumentar o risco de câncer e provocar danos permanentes às células, o abuso de álcool também pode elevar as chances de a pessoa desenvolver demência precoce e Alzheimer, segundo um novo estudo.

Publicada no periódico The Lancet Public Health na terça-feira (20), a pesquisa analisou os dados de mais de um milhão de adultos diagnosticados com demência na França, entre 2008 e 2013.

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Os resultados mostraram que dos 57.000 casos de demência de início precoce (antes dos 65 anos), a maioria (57%) estava relacionada ao consumo intensivo e crônico de álcool.

Quando o consumo se torna crônico?

A OMS (Organização Mundial de Saúde) define o consumo crônico de álcool quando há ingestão de mais de 60 gramas (quatro a cinco doses*) de álcool puro em média por dia para homens e 40 gramas (três doses*) por dia para mulheres.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram somente os casos de pessoas que já haviam sido internadas pelo abuso crônico da bebida, mas pesquisas anteriores já mostraram que até o consumo moderado pode ter um impacto negativo na saúde do cérebro.

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Segundo o estudo, quase dois terços dos pacientes diagnosticados com demência precoce eram homens
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"Como este estudo apenas examinava as pessoas que haviam sido internadas no hospital devido ao consumo intenso crônico, não revela toda a extensão do vínculo entre o uso de álcool e o risco de demência", disse Sara Imarisio, uma das autoras. "Pesquisas anteriores indicaram que mesmo o consumo moderado de álcool pode ter um impacto negativo na saúde cerebral e as pessoas não devem ter a impressão de que o risco só existe em pessoas que bebem até o ponto de internação."

Danos são permanentes

Independentemente da quantidade ingerida, os danos causados ao cérebro pelo álcool nunca são reparados, de acordo com um dos autores do estudo, Michaël Schwarzinger. "É muito impressionante que, mesmo para quem tenha pelo menos um período de abstinência, o nível de risco de demência é quase o mesmo de quem nunca parou de beber", disse ao jornal The Guardian.

E os problemas não se limitam ao cérebro: "O álcool é um problema devastador, independentemente do órgão. Agora podemos adicionar o cérebro à lista que já continha fígado, rim e coração", disse Schwarzinger.

Para o pesquisador, a solução está justamente na causa evitável: a bebida. "É necessária uma variedade de medidas, tais como a redução da disponibilidade, o aumento da tributação e a proibição de publicidade e comercialização de álcool, juntamente com a detecção precoce e o tratamento de transtornos de uso de álcool."

*Uma dose equivale a aproximadamente 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 40 ml de uma bebida destilada.

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