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Nada de dormir: 64% das mulheres sofrem de insônia no final da gravidez

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do VivaBem, em São Paulo

29/01/2018 18h37

Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Granada (Espanha), no qual o Serviço de Saúde da Andaluzia (SAS) e pesquisadores da Universidade de Jaen participaram, revelou que 64% das mulheres grávidas sofrem de insônia no terceiro trimestre da gravidez. A quantidade é dez vezes maior do que a de mulheres que sofrem de insônia antes da gravidez (6%).

A pesquisa foi recentemente publicada no prestigiado European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology. Nela, foram analisadas 486 mulheres, todas grávidas saudáveis que viviam nas regiões de Granada, Jaen, Huelva e Sevilha. Elas haviam passado pelo Serviço de Saúde da Andaluzia (SAS) antes da 14ª semana de gestação (primeiro trimestre). Os efeitos nessas mulheres foram monitorados durante toda a gestação.

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Os resultados revelam que 44% das grávidas sofrem de insônia no primeiro trimestre da gravidez, situação que aumenta para 46% no segundo trimestre e 64% no terceiro. Os números são bastante altos e, de acordo com os autores da pesquisa, justificam a necessidade de uma "abordagem sistemática desse problema".

A Dra. María del Carmen Amezcua Prieto, uma das pesquisadoras e professora do Departamento de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Granada, explicou ao EurelAlert! que, embora seja conhecido que os problemas de sono preexistentes piorem e novas questões surjam frequentemente durante a gravidez, "há uma tendência a assumir que as dificuldades relacionadas com o sono e a manutenção do sono restaurador são fenômenos característicos da gravidez e que devem ser cuidados".

Isso provavelmente ocorre porque "o sistema de saúde não dá importância a esta questão durante o monitoramento de gravidez, até o ponto em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) nem aborda a questão do sono em suas diretrizes no cuidado das mulheres grávidas."

Qualidade de vida

A insônia causa numerosos problemas. Além de afetar a qualidade de vida das mulheres grávidas, também é um fator de risco para pressão alta e pré-eclampsia, diabetes gestacional, depressão, parto prematuro e cesarianos não planejados. Consequentemente, a questão deve ser abordada de forma sistemática.

Os resultados do estudo mostram alterações significativas na fragmentação do sono (o número de vezes em que as mulheres acordam durante a noite e quanto tempo ficam acordadas), bem como a sonolência diurna. Também demonstra que a frequência e a intensidade da fragmentação do sono continuam a aumentar à medida que a gravidez progride.

Da mesma forma, a gestação também complica a indução (o tempo que demora um indivíduo a adormecer) e a duração do sono. Os fatores associados à insônia também foram analisados como parte do projeto. Por fim, o estudo ilustrou que a prática regular de exercícios físicos moderados ou intensos durante a gravidez protege as mulheres contra a insônia, o que é mais uma razão para promover a atividade física na gestação.

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